Política
Novas conversas após Dia D da verticalização
| ODILON RIOS Repórter O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB), disse ontem que seu nome não está descartado ao governo do Estado e que a resposta vai sair no próximo dia 27. Estamos conversando, vamos continuar conversando. Até o dia 27 vamos decidir o que fazer. Os rumos estão dados, disse o senador, durante entrevista ao programa Bom Dia Alagoas. Este fim de semana, o senador se reuniu com várias lideranças para discutir os rumos das eleições alagoanas. NOVAS CONVERSAS De acordo com ele, uma nova conversa com grupos políticos no Estado está marcada para depois do dia 23, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar a manutenção ou não da verticalização, dispositivo constitucional que permite realizar alianças nos estados a partir das decisões dos partidos na esfera nacional. Nesta conversa, vai se saber, por exemplo, como ficará o quadro, se a verticalização for mantida entre PSDB e PFL, em Alagoas, de lados opostos. Ou PT e PSDB, rivais nacionalmente, mas com afinidade política no frentão, conjunto de partidos coordenados pelo governador Ronaldo Lessa (PDT). PDT e PT podem perder espaço no Estado, se a verticalização for mantida. Isso aconteceria por causa do quadro nacional: os dois partidos estão de lados opostos e Lessa vem endurecendo o discurso em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob o silêncio dos petistas alagoanos. Não é primeira vez Esses não são os primeiros prazos oferecidos pelo senador, ao falar sobre a disputa ao governo. O anúncio sobre a sua possível (ou impossível) candidatura se arrasta desde o fim do ano passado. O último prazo oferecido por Renan foi a definição logo após o carnaval, data novamente adiada, desta vez, para o dia 27. União Na entrevista exibida ontem, gravada na casa do senador, na Ponta Verde, Renan falou da pressão que vem sofrendo para ser o candidato ao governo, mas ontem pareceu dar pistas que não vai participar da disputa este ano. As pessoas cobram a minha candidatura, mas só se pode ser um governador de cada vez. E voltou a repetir o velho discurso da união por Alagoas. Somando forças, levando a união. Isso será o melhor para o Estado. O presidente do Congresso falou também sobre as prévias do PMDB, marcadas para o último domingo, que foram suspensas através de liminar da Justiça e que se transformaram em consulta a todos os pemedebistas do País. O PMDB quer ter um candidato próprio, mas isso vai depender da verticalização, avaliou. Convenção E lembrou da Convenção da Executiva Nacional do partido para o dia 8 de abril, logo após a definição ou não do dispositivo constitucional, voltando a reclamar das prévias. A prévia distorce o processo federativo, analisou. Se Renan aceitar ser candidato ao governo, o primeiro nome a ser descartado para a disputa é o do senador tucano Teotônio Vilela Filho. Outros nomes são postos para a eleição e sucessão do governador Lessa, além de Téo: o médico cardiologista José Wanderley (PMDB) e a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB). ### Caciques movimentam fim de semana Nos encontros, o governador Ronaldo Lessa (PDT), o empresário João Tenório, o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB) e o deputado estadual Antônio Albuquerque (PFL). Além do senador Renan Calheiros (PMDB), as reuniões aconteceram tanto na casa do senador peemedebista, em Maceió, quanto no interior, em pontos espalhados. Longa reunião A mais longa das reuniões começou no sábado e acabou às 3 da manhã do domingo. Ontem, pela manhã, Renan retornou a Brasília. Estaria satisfeito com os resultados, segundo apurou a Gazeta. Nas reuniões, o nome do candidato do grupo estaria fechado, Téo Vilela, e seu suplente, o empresário João Tenório, assumiria a vaga por quatro anos. Já o nome do vice-governador Luis Abílio (PDT) foi descartado na disputa estadual, assumindo a postura de cabo eleitoral do frentão, além de trabalhar pela eleição de Lessa ao Senado. Possíveis vices Segundo apuração da reportagem, os nomes dos possíveis vices do frentão foram postos na mesa de negociações: a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha (PSDB), o médico cardiologista, José Wanderley (PMDB), e um nome indicado pelo PFL, que seria o deputado estadual Antônio Albuquerque. Téo confirmou à reportagem tanto as reuniões (excluindo a participação de Tenório) quanto o nome dos vices, dizendo haver mais nomes. Outra estratégia discutida foi o discurso contra o pré-candidato ao governo, deputado federal João Lyra (PTB). Renan e Lessa conversam com os prefeitos, lembrando que a liberação de verbas aos municípios depende da influência política do senador e da caneta do governador. Nas contas do frentão, oitenta e dois prefeitos fecham com Renan e Lessa. A Gazeta apurou que existe uma promessa de Renan, para os próximos dias, de liberação de R$ 100 milhões para as obras do Canal do Sertão. PT INCONFORMADO O presidente do diretório estadual do PT, Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, voltou a descartar qualquer aproximação política com o PSDB e se mostrou surpreso ao ser informado das reuniões neste fim de semana do frentão, sem a presença do partido. Se for mantido este cenário, vamos trabalhar outra alternativa, contou, falando da possibilidade do PSDB lançar nome ao governo. Ontem à noite, PT e PSB se reuniram, na sede do partido, para discutir o cenário alagoano com e sem a vertalização. Ele ainda criticou Téo Vilela: Não vejo probabilidade de unir PT e PSDB. O senador faz oposição a Lula. Se nosso projeto é eleger Lula, não teria sentido em ficarmos no mesmo palanque, contou Paulão. Não é o que queremos, sair isolados, disse o deputado estadual, sem descartar esta alternativa. |OR ### Lyra e Celso em campanha no Sertão No lado do grupo político do pré-candidato ao governo estadual, deputado federal João Lyra (PTB), o fim de semana foi de viagem ao Sertão, terra do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PMN), possível vice de Lyra ao governo. O encontro político ocorreu no sábado, 19, e agitou a rotina de Canapi. Canapi, terra natal de Celso Luiz, comemorava a festa do seu padroeiro São José. Além da programação religiosa, a prefeitura municipal inaugurou várias obras. Obras inauguradas O prefeito José Hermes entregou à população a Creche Casulo Menino de Jesus, com capacidade para 500 crianças, e também a Escola Municipal Tancredo Neves, que beneficiará 1.200 estudantes, totalmente ampliadas e reformadas. Presenças políticas A solenidade de entrega das obras contou com as presenças de João Lyra, Celso Luiz, do deputado federal José Thomaz Nonô, do secretário de Educação de Maceió, Régis Cavalcante, do prefeito de Maceió, Cícero Almeida, e de vários prefeitos alagoanos. O deputado João Lyra fez discurso de candidato. Sabemos que a falta de água é um problema antigo para os moradores do Sertão, por isso não mediremos esforços para trazer o precioso líquido para a região, para que essa terra boa seja cultivada e traga bons frutos para o desenvolvimento local. Elogios Ele elogiou o líder sertanejo Celso Luiz, que possivelmente comporá a chapa majoritária com ele [Lyra]. Sou um defensor do povo, e com o deputado Celso Luiz, que é uma das lideranças que vem trabalhando pelo crescimento do interior, pretendo trazer desenvolvimento para Sertão, destacou. Aproveitando o foco político do encontro, o presidente da Assembléia Celso Luiz falou sobre a aliança entre PMN e o PTB. Será importante ter à frente do Estado alguém comprometido com o trabalho, disse Celso, fazendo referência ao deputado João Lyra, destacando a iniciativa do industrial que vem promovendo há décadas a geração de emprego em Alagoas. Prefeitos Celso falou ainda que também será importante para essa união ter alguém com origens sertanejas, e que conhece de perto a realidade dessa região. Segundo o líder sertanejo, essa aliança está fortalecida nos propósitos de Alagoas. A união PMN e PTB conta hoje com o apoio de 23 deputados estaduais e mais de 70 prefeitos, contabilizou Celso. |OR