Política
Lessa e Lula retomam diálogo em Brasília
| PETRÔNIO VIANA Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) esteve ontem em Brasília para se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Oficialmente, a conversa não teria temas político-partidários e serviu para reaproximar o governador e o presidente, que não vinham se entendendo bem desde a visita de Lula para a inauguração do Aeroporto Zumbi dos Palmares. O encontro de Lula e Lessa foi acertado no fim de semana passado pelo presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB). Durante uma reunião entre Lessa, Renan e o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB), Calheiros recebeu um telefonema e sugeriu que Lessa fosse até Brasília para conversar com o presidente e fazer as pazes. O governador concordou imediatamente em participar do encontro. Na inauguração do aeroporto, Lula e Lessa divergiram com relação à cobrança da dívida do Estado com a União. O presidente lembrou que o acordo que definiu as regras do pagamento havia sido assinado por todos os governadores e que todos haviam concordado com os termos das propostas. Em seguida, o governador apareceu na inserção nacional da propaganda partidária do PDT na televisão criticando ações do governo federal e declarando ser injusto o tratamento dado pelo governo federal ao Estado de Alagoas. O governador é apontado como um possível candidato do PDT à Presidência da República nas eleições deste ano. O presidente teria ficado ressentido com as afirmações de Lessa e encerrado o diálogo com o governo estadual. O governador, por sua vez, não compareceu à última visita de Lula ao Estado, para inauguração da pedra fundamental do campus da Universidade Federal de Alagoas, em Arapiraca. Na reunião de ontem, da qual participaram apenas o presidente, o governador e o senador Renan Calheiros, foi reestabelecido o diálogo. O ponto principal desse encontro foi o reestabelecimento do diálogo do presidente com o governador. O gelo foi quebrado e eles fizeram as pazes, disse o secretário de Comunicação Social do Estado, Joaldo Cavalcante, que acompanhou o governador em sua viagem a Brasília. O presidente é um chefe de Estado e o governador comanda uma unidade da Federação. Eles entendem que é preciso manter uma relação no mínimo cordial. O Renan, que tem trânsito livre com o presidente, deu o pontapé inicial, promoveu o encontro e as relações entre os dois foram restabelecidas, comentou Cavalcante. Um novo encontro ficou acertado para quando o vice-governador Luis Abílio de Sousa (PDT) assumir definitivamente o governo do Estado, o que acontecerá na próxima sexta-feira. Essa reunião sim, servirá para discutir as pendências mais urgentes do Estado, informou o secretário. As discussões políticos-partidárias envolvendo o relacionamento entre o PDT e o governo federal, de acordo com Joaldo Cavalcante, não foram debatidas porque esse não era o fórum ideal. Essa discussão não cabia no encontro de ontem. A idéia do encontro era mesmo promover a reaproximação entre o governador e o presidente, o que aconteceu, disse Cavalcante. De acordo com o secretário, as discussões entre o PDT e o governo federal estão sendo intermediadas pelo ministro das Relações Institucionais, Jacques Wagner. ### PSDB reforça tese da aliança branca A manutenção da verticalização das coligações partidárias, confirmada na última quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tornou inevitável a formação de uma aliança branca entre o governador Ronaldo Lessa (PDT) e os senadores Teotônio Vilela Filho e Renan Calheiros (PMDB) para a disputa pelo governo do Estado nas eleições de outubro deste ano, como antecipou a Gazeta na edição de ontem. A avaliação é reforçada pelo secretário do PSDB em Alagoas, Claudionor Araújo. Para Araújo, a decisão do STF, somada a uma candidatura própria do partido do governador, o PDT, à Presidência da República, inviabilizaria uma aliança formal entre Lessa e os dois senadores. Vamos ter que recompor a aliança que foi feita em 2002, não vai ter para onde correr, observou Araújo. Até o momento, o candidato do bloco governista para a disputa estadual é o senador Teotônio Vilela. Nacionalmente, o PSDB trabalha uma aliança com o PFL, que dificultaria ainda mais a situação de Ronaldo Lessa. Em Alagoas, o PFL é comandado pelo deputado federal José Thomaz Nonô, que está mais próximo do grupo político do também deputado federal João Lyra (PTB), pré-candidato ao governo do Estado. Na opinião de Araújo, a aliança com o PFL em Alagoas é interessante para o PSDB. Estamos trabalhando essa aliança aqui no Estado, gostaríamos muito disso, mas tudo depende do Nonô. Tenho uma admiração muito grande por ele, é um político de peso, que todo mundo quer do seu lado, elogiou Araújo. Sem prejuízo O pré-candidato do PMN à Câmara Federal, deputado estadual Franscisco Tenório, considera que a decisão que manteve a verticalização das alianças partidárias não vai interferir nas articulações de seu grupo político, que já firmou aliança com o PTB de João Lyra. O PMN, assim como o PTB, não pretende lançar candidatura própria para a Presidência da República nem apoiar nenhum outro canditato. Na opinião de Tenório, a decisão do STF, do ponto de vista jurídico, foi correta, mas sou contra a verticalização do ponto de vista prático, que não respeita as articulações feitas nas unidades federativas e disciplina as decisões políticas. Alguns partidos haviam se preparado para as conversas com a verticalização, entre eles, o PMN, o PTB e o PPS. O nosso grupo não vai sofrer com essa decisão. Ela não traz prejuízo nenhum e pode até ser favorável, porque algumas pessoas podem ter que vir para o nosso lado, observou Tenório. Para o deputado, o maior prejudicado pela verticalização, no Estado, será o governador Ronaldo Lessa. Se o PFL se coligar, nacionalmente, com PSDB, como fica a situação do governador? Se o PDT tiver candidato próprio à Presidência, o governador não vai poder se coligar com o PSB, que está aliado ao PT. A manutenção da verticalização vai fazer com que os partidos, em todos os estados, dependam da definição nacional, analisou o deputado Francisco Tenório. |PV