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Delegados fazem parcerias para a construção de clube

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| PETRÔNIO VIANA Repórter O que seria um anunciado confronto entre lideranças da Polícia Civil alagoana, se transformou em um doce idílio, com direito a um clube de praia em terreno espetacular e um resultado de eleição com vencedor aclamado, na Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol). É que na próxima sexta-feira, 31, os delegados estarão referendando, em eleição para a nova diretoria da entidade, o atual presidente, delegado Antônio Carlos Lessa. O prazo para a inscrição das chapas terminou no último dia 21 e apenas a chapa encabeçada por Lessa vai participar do pleito. Mas o consenso encontra resistência. O ex-presidente da Adepol, Carlos Alberto Reis, acusa Antônio Carlos Lessa de usar sua influência junto ao governo do Estado para prejudicar sua gestão, já que deixou a Adepol sobre uma avalanche de críticas. Lessa, por meio da revista trimestral da Adepol, afirma que a gestão anterior teria deixado cerca de R$ 26 mil em dívidas. Reis, que comandou a associação por dois mandatos, entre 2000 e 2004, confirmou a denúncia, mas atribuiu a Antônio Carlos Lessa a responsabilidade pelos problemas. Segundo Reis, Lessa teria influência dentro da Secretaria Executiva da Fazenda do Estado e, a partir disso, conseguiu prejudicar o final de sua administração, quando já era candidato. Bloqueio O ex-presidente da Adepol atribui a isso a derrota que sofreu para Lessa nas eleições de 2004. Ele (Lessa) conseguiu com o amigo dele da Secretaria da Fazenda que fossem bloqueados três meses de repasse das mensalidades para conseguir ganhar a eleição, quase R$ 60 mil. Como eu poderia não deixar dívidas?, acusou Reis. A Adepol tem 186 delegados filiados. Segundo Lessa, quando a atual gestão assumiu o comando da entidade, cerca de 30 delegados não estavam associados. Na última eleição, a chapa de Antônio Carlos Lessa recebeu 105 votos contra 55 da chapa do ex-presidente da associação, o delegado Carlos Alberto Reis. Para o delegado, o fato de ter apenas a chapa de reeleição, sem adversários, demonstra que há unidade na categoria. É um consenso, em face também da nossa administração. É uma vitória de toda a diretoria, avalia Lessa. Hoje nós trabalhamos na nossa margem de arrecadação e estamos com saldo positivo. As dívidas deixadas eram referentes a pagamentos atrasados de INSS, despesas feitas pela administração passada na compra de material, contas de luz e telefone atrasadas, explica Lessa. Empresários e políticos Inicialmente, o delegado negou a existência de parcerias da Adepol com empresários e políticos para a arrecadação de recursos para a entidade e disse que o dinheiro da Adepol seria arrecadado exclusivamente a partir das mensalidades pagas pelos associados, de R$ 100. Como nós estamos construindo o nosso clube social, que vai ter um restaurante, piscina e um salão de festas com capacidade para 500 pessoas. Dessa maneira, depois da conclusão das obras, nós vamos poder ter uma arrecadação bem maior, com o aluguel do espaço, comentou Lessa. Entretanto, o próprio Lessa admite que arrecada patrocínio de particulares na revista da entidade e o site da Adepol. Ela (a revista) tem uma publicidade muito boa e, por isso, não temos nenhuma despesa com ela e ainda ficamos com lucro de cada edição, afirma Lessa. ### Prefeitos colaboram com a entidade Para a conclusão das obras no clube social, localizado na aprazível orla de Jacarecica, no Litoral Norte de Maceió, segundo a revista da entidade, a Adepol recebeu o apoio do prefeito de Messias, Jarbas Omena Filho (PSDB), e do empresário José Petrúcio Oliveira, que contribuíram com mais de R$ 2 mil em ferragens para a construção da estrutura do prédio. Para Lessa, o relacionamento com empresários e políticos não cria uma dependência da entidade e não atrapalha a atuação dos delegados de polícia. De forma nenhuma, porque são empresas idôneas, que participam do desenvolvimento da nossa terra. E jamais haveria esse vínculo de dependência pelo fato de publicarem na revista da Adepol, enfatiza. A publicação da revista e a manutenção da página da Adepol na internet, de acordo com Lessa, visam recuperar a memória da entidade e, dessa forma, legitimar e fortalecer a atuação de sua diretoria junto ao poder público. O grande objetivo é valorizar a nossa categoria e divulgar o trabalho dos delegados, argumentou Lessa. Desligado De acordo com o ex-presidente da Adepol, Carlos Alberto Reis, a entidade recebe cerca de R$ 19 mil por mês. O delegado disse estar, no momento, totalmente desligado da entidade. Não quero mais saber. Para mim, tanto faz como tanto fez. Tomaram de mim a última eleição, disse, revelando sua desilusão com relação à entidade que representa sua categoria profissional. Compadre exonerado O delegado Carlos Alberto Reis revelou ter rompido a amizade que mantinha com Antônio Carlos Lessa por causa da disputa pelo controle da Adepol. Para o delegado, ele [Lessa] era meu compadre, mas foi ?exonerado? desse cargo. Não havia condições de manter a amizade depois do que ele fez, então deixamos de ter contato, lamentou. Sobre o fato da chapa de Lessa, neste ano, não ter oposição, Reis disse ter conhecimento de muita gente insatisfeita com a administração atual, mas não soube dizer porque nenhum grupo se mobilizou para formar uma chapa e ingressar na disputa. Mesmo relutante em comentar o assunto, o delegado Carlos Alberto Reis não avalia positivamente a administração feita por Antônio Carlos Lessa à frente da Adepol. Reis disse não entender o motivo para as eleições deste ano não apresentarem uma chapa de oposição ao nome do atual presidente da Adepol. Ele [Lessa] não fez nada nesses dois anos. Na minha gestão, construí um campo de futebol, um auditório. Eu sei que tem muita gente descontente. Não sei porque ninguém se articulou para lançar uma outra chapa. Estou afastado disso, disse. |PV ### Delegados usam ALE para subir salários Mesmo com salários equiparados aos dos procuradores de Estado e defensores públicos, o presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol-AL), Antônio Carlos Lessa, garante que vai reivindicar aumento para os delegados de carreira, como parte de sua plataforma política. No final do ano passado, com o apoio do deputado estadual Francisco Tenório (PMN), que é delegado licenciado, a Adepol conseguiu aprovar um reajuste de 7,4% nos salários dos delegados de polícia. De acordo com Lessa, a categoria aguarda apenas o envio de uma mensagem governamental à Assembléia Legislativa (ALE) solicitando a aprovação de um novo reajuste a partir do teto do Poder Executivo. Nós estamos no limite do teto. Existe o redutor constitucional que limita nosso salário. Então, com o aumento que houver agora no teto do Executivo, nós teremos um ganho real em cima do aumento dado pelo governo de 7,4%, comentou o delegado. Lessa acredita que essa mensagem governamental deverá ser enviada à ALE até o final deste mês. Antes do reajuste concedido no ano passado, um delegado em início de carreira, ou seja, de terceira categoria, recebia R$ 6.048,00. Com o aumento, o salário passou para R$ 7.166,00. Esse percentual poderia ter sido maior, mas esse foi o aumento dado também para os procuradores de Estado e para os defensores públicos, o que demonstra a valorização da nossa categoria, lembra Lessa. Mas, depois de uma modificação na Constituição, segundo Lessa, a categoria dos delegados de polícia foi excluída da área jurídica e incluída no subteto do Executivo estadual. Enquanto os procuradores e defendores estão vinculados ao teto do Judiciário, nós ficamos vinculados ao teto do Executivo, explica. Dobradinha política Para sua reeleição, o presidente da Adepol conta com o apoio do deputado estadual Francisco Tenório, tido como representante da categoria dentro da ALE. O apoio é recíproco, uma vez que a entidade fará campanha para a eleição de Tenório para a Câmara Federal. Segundo o delegado, existe uma orientação da direção nacional da Adepol para que, nos estados, a entidade consiga eleger representantes da categoria para as Assembléias e para o Congresso Nacional. Fizemos uma assembléia na nossa sede para declarar o apoio ao deputado Francisco Tenório, conta Lessa. O delegado revela ainda que, para a disputa pelas vagas na ALE, a categoria deverá lançar o nome do delegado João Mendes, atual diretor da Guarda Municipal de Maceió. O próprio Lessa teria sido cotado para disputar a eleição. A candidatura do diretor-geral da Polícia Civil, delegado Robervaldo Davino, foi descartada pelo presidente da Adepol. De acordo com Lessa, Davino deverá se lançar candidato a uma vaga para a Câmara de Vereadores, nas eleições municipais de 2008. PV ### Adepol apóia Barenco contra pressão política em ações O presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol-AL), Antônio Carlos Lessa, negou que o trabalho dos delegados sofresse qualquer tipo de influência política, apesar do envolvimento da entidade com lideranças e grupos partidários. Lessa comentou o recente pedido de afastamento do delegado Marcílio Barenco, que justificou sua atitude dizendo que não aceitaria mais a interferência de políticos em seu trabalho. Toda categoria deve ter seu representante para defender seus interesses, mas isso não interfere na atuação dos delegados, argumenta Lessa. A Adepol foi solidária a ele [Barenco] por entender que o delegado de polícia não pode jamais receber influência política na condução do inquérito policial. Se for necessário, iremos acompanhar todas as investigações que estão sendo feitas em Rio Largo [onde Barenco atua], avisa Lessa. Barenco integra a chapa de reeleição da Adepol. |PV

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