Política
Abílio nomeia seu próprio secretariado
PETRÔNIO VIANA Repórter Um clima de despedida tomou conta da cerimônia de posse dos novos secretários do governo estadual, realizada no início da noite de ontem, na sede administrativa anexa ao Palácio Floriano Peixoto. O governador Ronaldo Lessa (PDT), que deixará o governo na próxima sexta-feira para se lançar candidato ao Senado, antecipou o sentimento que deverá prevalecer na solenidade em que passará o governo, em definitivo, para o vice-governador Luis Abílio de Sousa (PDT). Lessa comentou o fato de Abílio, e não ele, estar presidindo a cerimônia. O governador explicou que, como os novos secretários vão atuar na administração de Abílio, seria mais apropriado que eles fossem empossados pelo vice-governador. Enquanto aguardava o momento em que discursaria para os presentes, Lessa, cabisbaixo, não conseguiu disfarçar a tristeza por estar deixando o cargo. Durante o discurso, o governador agradeceu aos ex-secretários e lembrou de obras ainda em andamento ou que foram concluídas durante os oito anos em que esteve à frente do Executivo estadual. Porém, Lessa considerou que a maior obra desse governo é a nova Alagoas dentro da gente, que nos dá certeza que vale a pena fazer o bem. Vocês participaram do campo administrativo e vão continuar participando do campo político, com o julgamento fundamental que é a eleição, avisou Lessa aos secretários que saíam do governo. As mudanças foram motivadas, assim como a saída de Lessa, pela descompatibilização daqueles que pretendem disputar as eleições deste ano. A ex-secretária executiva de Saúde, Kátia Born, que preside o PSB no Estado, vai se candidatar a uma vaga na Câmara Federal. Em seu lugar foi nomeada Jaci Quintela, que deixou o Ipaseal Saúde. Da Secretaria Coordenadora de Articulação Regional saiu Fátima Borges (PDT), que deixou o cargo para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa do Estado (ALE). Para o seu lugar, foi nomeado o já secretário Pedro Alves, que deixou a Secretaria de Política e Gestão Colegiada para Geraldo de Majella. O ex-secretário executivo de Turismo, Eugênio Sampaio (PDT), que declarou estar apenas deixando o nome à disposição, mas deverá se candidatar a uma vaga na ALE, foi substituído por Flávio Ruy Pereira de Melo. Thomaz Beltrão (PT), que também deverá se lançar candidato a ALE, deixou a Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal) para Cristiano Vieira Montenegro. Alberto Sexta-Feira (PSB), outro candidato à ALE, foi substituído na Secretaria Executiva de Esporte e Lazer pelo capitão da Polícia Militar, Marlon Batista. Jurandir Bóia (PDT) sai da Secretaria de Assistência e Inserção Social para disputar a Câmara Federal. Em seu lugar, assumiu Josilene Albuquerque. Eduardo Bonfim, que não compareceu à solenidade e deverá se candidatar ao governo do Estado pelo PC do B, deixou a Secretaria Executiva de Cultura para Paulo Pedrosa. O ouvidor Elias Barros também deixou o cargo para tentar sua candidatura ao governo do Estado pelo bloco dos partidos nanicos. Por fim, o ex-secretário especializado de Direitos Humanos, José Roberto Mendes do Amaral (PT), que articula sua candidatura à Câmara Federal, deixou o cargo para Reginaldo Souza Lira. ### Renan vai apontar vice para o frentão O vice-governador Luis Abílio de Sousa (PDT), que assumirá o governo estadual definitivamente na próxima sexta-feira, admitiu que a administração estadual ficará enfraquecida pela saída de figuras consideradas fundamentais para as ações do governo. É evidente que vai fazer falta. Mas as pessoas que estão substituindo são pessoas que conhecem o projeto, que com certeza têm todas as condições de dar uma colaboração à altura daqueles que saem, disse Abílio. Sobre a possibilidade de algum partido aliado lançar uma candidatura de terceira via, Abílio afirmou que o frentão está tentando manter a unidade partidária. Nós sabemos quem é o nosso adversário, não podemos confundir as coisas. Claro, se tiver uma terceira candidatura que venha de alguns partidos que estão constituindo a base de sustentação do governo, eles próprios vão ter, mantendo o respeito, que se afastar, alertou. Antes da posse dos novos secretários, o governador Ronaldo Lessa confirmou que deverá ser instituída uma aliança branca entre o PDT, o PMDB, o PSDB e os demais partidos que compõem seu grupo político para as eleições de outubro deste ano, uma vez que a manutenção da verticalização das coligações partidárias, seguindo os acordos nacionalmente, vai impossibilitar as alianças formais entre esses partidos no Estado. Você tem uma lei para cumprir e, ao mesmo tempo, você tem uma realidade imposta. Então, você vai ter que trabalhar com as duas coisas: obedecendo a lei mas, na verdade, compondo com as forças diferentes. É a chamada coligação branca, justificou Lessa. Lessa admitiu que a vaga de vice na chapa do senador Teotonio Vilela Filho (PSDB) ao governo do Estado deverá ser ocupada por indicação do PMDB, liderado no Estado pelo senador Renan Calheiros. Há um acordo tácito. Se o PSDB dá o candidato ao governo, o PDT dá o candidato ao Senado. Fica claro para todo mundo que quem vai dar o vice é o PMDB. Não precisa ser nenhum expert em política para saber que é legítimo. O senador Renan Calheiros, para estar representado nessa coligação, tem que dar o vice. Está claro isso, argumentou o governador. Segundo Lessa, a escolha do vice será feita a partir da indicação do PMDB de alguns nomes que serão levados ao restante do grupo para que um deles seja escolhido. Também não é bom impor ninguém de goela abaixo. O PMDB não vai querer isso. Será um vice de comum acordo. Se quiser me ouvir, dou a minha opinião, se não quiser, não dou, comentou. A escolha do vice não tem data marcada para acontecer. Não ficou estabelecido um prazo. |PV ### Lessa critica Lula por esfolar Alagoas | MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - O governador Ronaldo Lessa (PDT) acusou ontem o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de esfolar o Estado de Alagoas com sua política extorsiva de juros, com relação à dívida do Estado para com a União. Essa dívida é imoral e ilegal. São juros sobre juros de uma agiotagem oficial. Espero que o outro [presidente] que assuma faça uma revisão nas dívidas dos estados mais pobres, discursou Lessa, em Arapiraca, ao anunciar investimentos do Estado na cidade. O governador fez as críticas ao governo federal cinco dias depois do encontro de reconciliação com Lula, em Brasília, e nas vésperas de deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado. Lessa disse ainda que suas críticas são baseadas no princípio de que é necessário o equilíbrio da Nação. Precisamos de juros iguais aos dos outros estados. O presidente Lula me prometeu, antes de iniciar o mandato, rever a situação de Alagoas. Ele jurava de pés juntos que iria rever nossa dívida. Ainda não o fez, disparou Ronaldo Lessa. Ainda segundo o governador, o grupo que administra o País faz parte da escola paulista de políticos, dentre os quais - diz Lessa - está o próprio presidente, que, embora tenha nascido em Pernambuco, ganhou experiência política no Estado de São Paulo. Se você reclamava do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é quase a mesma coisa hoje em dia, completou Lessa. Sucessão estadual Ao lado dos prefeitos Emílio Barros, de Minador do Negrão; José Pacheco, de São Sebastião; Raimundo Tavares, de Junqueiro, e do vice-prefeito de Arapiraca, José Barbosa, o governador também fez breve comentário sobre a sucessão estadual no que se refere à participação da ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, no grupo político que tem Téo Vilela na cabeça da chapa que vai disputar o governo do Estado. Eu e Célia tivemos em campos opostos, mas conseguimos manter o respeito ao povo. Vamos estar todos juntos no mesmo grupo político agora, afirmou Ronaldo Lessa. Rodoviária O governador Ronaldo Lessa oficializou, ontem, a aplicação de R$ 2,4 milhões para reconstrução da Rodoviária Interestadual, prédio vinculado ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e considerado pela classe política local como sendo o pior cartão postal do município, por sua completa degradação. Lessa chegou a Arapiraca no final da manhã, após uma maratona de inauguração que incluiu a duplicação de adutora de Santana do Ipanema e a pavimentação da principal avenida daquela cidade. Segundo o diretor do Departamento de Estradas de Rodagem, engenheiro Wellington Melo, a obra será iniciada na próxima segunda-feira. Ainda segundo a direção do DER, o prazo para conclusão da obra de reforma do prédio será de quatro meses. Serão reformados a plataforma de desembarque, banheiros e o espaço destinado ao comércio e aos serviços. ### Depois da posse, governador Abílio tem encontro com Lula O vice-governador Luis Abílio (PDT) e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, vão se encontrar na primeira semana do mês de abril, logo após a posse definitiva no Palácio Floriano Peixoto. Os preparativos do encontro, segundo apurou a Gazeta, estão sendo articulados pelo presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB). Renan voltou ontem a Brasília às pressas, pouco depois de saber do pedido de afastamento do cargo do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Na segunda-feira, durante lançamento da candidatura do senador Teotonio Vilela Filho (PSDB) ao governo, Lessa confirmou o encontro entre Abílio e Lula. A pauta do encontro entre Abílio e Lula será a liberação de dinheiro para as obras do Canal do Sertão - cerca de R$ 100 milhões - e da subestação de energia de Canapi, no valor de R$ 5 milhões. Além dessas verbas, o Estado quer ver liberados também R$ 63 milhões do programa Luz para Todos. A proposta é que os investimentos possam atingir 15 mil consumidores e dois mil assentamentos rurais. O Canal do Sertão é uma obra que se arrasta desde 1992, quando o governo, na época comandado por Geraldo Bulhões, propunha o desenvolvimento do Sertão e Agreste do Estado, abrangendo seis microrregiões espalhadas em 42 municípios. O custo total do projeto é de R$ 531 milhões e foram investidos, segundo dados do Ministério da Integração Nacional, R$ 33 milhões, via governo federal. Desse dinheiro, pouco mais de R$ 3 milhões entraram como contrapartida do Estado. O projeto compreende uma primeira etapa, que teve 20% de suas obras concluídas. Nesta parte, a proposta é a construção de toda uma infra-estrutura de captação de água, quarenta e cinco quilômetros do canal adutor e projetos de irrigação para dois mil hectares. As etapas seguintes continuam na fila de espera: 205 quilômetros que faltam para a construção do canal, além dos projetos de irrigação e abastecimento. |OR ### PDT nacional descarta aliança com PT de Lula Os encontros e desencontros do governador Ronaldo Lessa com o presidente Lula estão com os dias contados. É que a direção nacional do PDT voltou a descartar qualquer aproximação política com o presidente, conforme disseram ontem caciques pedetistas entrevistados pela Gazeta. O secretário nacional do PDT, Manoel Dias, foi taxativo: união entre PT e PDT é possibilidade zero. O governo enfrenta problemas em cima de problemas. Isso dificulta a reaproximação, apontou. Sobre o frentão em Alagoas, que vai unir PMDB, PSDB e PDT, Dias não viu maiores problemas, muito menos a aproximação política do governador com o presidente Lula: Uma coisa é a questão nacional, outra nos estados. Salada política Perguntado sobre a salada política em que iriam se transformar as eleições, com a junção de tantos membros diferentes em um mesmo palanque, Dias disse que existe um inimigo comum: o deputado federal João Lyra (PTB). Esta salada é para derrotar o PTB. Isso é para evitar a vitória do candidato, analisou. A posição será reforçada amanhã, em encontro de monitores do partido, na Associação Comercial, em Jaraguá. O encontro será aberto às 8h15 pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Ouvido pela reportagem, o senador Jefferson Peres (AM) disse que está afastada a hipótese de união entre PDT e PT. Peres acredita que, mesmo com a verticalização, o partido lance candidatura própria à Presidência da República e, se a legenda não tiver candidato, a escolha não será feita entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente Lula. Ter ou não ter candidato: esse pode ser considerado o dilema do PDT, apontou o senador, um dos presidenciáveis do partido. Além dele, estão na disputa o senador Cristovam Buarque (DF) e o governador Ronaldo Lessa. |OR