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Verticalização traz de volta os laranjas

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| PETRÔNIO VIANA Repórter O artifício das candidaturas laranjas deverá ser novamente utilizado pelos grupos políticos articulados no Estado nas eleições de outubro deste ano, a exemplo do que já ocorreu em eleições passadas. A afirmação é dos próprios políticos apontados anteriormente como laranjas e que deverão se candidatar para disputar novamente o voto do alagoano nas urnas. Portanto, muito cuidado! Com a verticalização mantida, vai ser complicado a divisão do tempo no horário eleitoral, e com isso devem aparecer novamente um conhecido fenômeno: os candidatos laranjas. A telinha vai se transformar em imenso pomar. Laranjas de todos os tipos, dos folclóricos aos ideologicamente motivados e financeiramente estimulados. Todos negam que já tenham encabeçado chapas laranjas. Esse tipo de candidatura, costumeiramente levadas adiante por candidatos pertencentes a partidos considerados pequenos, os nanicos, e com quase nenhuma chance de vitória, é utilizado por partidos de maior expressão para desviar o foco das discussões travadas durante as campanhas eleitorais. Enquanto candidatos genuínos, que têm possibilidade real de vitória, mantêm uma aparente postura de dignidade, passando a imagem de quem está fazendo um jogo limpo durante a campanha, os candidatos laranjas se dedicam às denúncias e às agressões mais violentas contra os grupos políticos rivais. As vantagens oferecidas aos laranjas, em caso de vitória do grupo que representam extraoficialmente, são muitas e vão desde a distribuição pura e simples de dinheiro até a concessão de espaço dentro da administração pública, com cargos no segundo e terceiro escalões do governo. O secretário geral do PMN, Ildo Rafael, foi apontado como laranja nas eleições municipais de 2004, tudo porque desistiu de levar adiante sua candidatura a prefeito de Maceió. De acordo com as acusações feitas na época, a desistência de Ildo Rafael teria sido motivada por um acordo para beneficiar uma das candidaturas que se enfrentavam na disputa daquela época. Se a candidatura de Ildo fosse mantida, puxaria votos que teoricamente seriam de um outro candidato. Ildo, que no ano passado levou para seu partido o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz, além de outros 15 membros do parlamento, nega as acusações. Nunca fiz isso, mesmo porque só me candidatei uma vez, ao Senado, em 2002. Na outra, retirei minha candidatura, mas não recebi nada em troca, enfatizou Ildo Rafael. ### Nanicos tentam virar grandes partidos O secretário-geral do PMN, Ildo Rafael, disse não poder avaliar se as candidaturas laranjas serão utilizadas pelos grupos políticos que vão se enfrentar nas eleições deste ano, mas garantiu que seu partido não pretende utilizar esse artifício. Não posso prever se isso vai ser usado por outros grupos, mas posso garantir que o PMN não vai. Não sei se vai haver, porque o quadro ainda não está totalmente definido, argumentou. O PMN já firmou aliança para indicar o vice na chapa do deputado federal João Lyra (PTB). Hoje, o prefeito Cícero Almeida, que disputou as eleições de 2004 pelo PDT, com o apoio de Lyra, e que teria sido supostamente beneficiado pela desistência de Ildo em disputar o pleito, também está no PTB. Ildo Rafael diz ser contra a utilização desse tipo de recurso durante as campanhas eleitorais. Isso não é válido de jeito nenhum. Um candidato deve entrar na disputa com objetivos, afirma. Ildo deixou um cargo no governo estadual para se candidatar ao Senado Federal em 2002. Deixei o governo e não voltei depois das eleições, observa. O secretário do PMN declarou que não pretende mais se candidatar nem a síndico de prédio e que vai continuar se dedicando ao partido. Candidatura para valer O procurador do Estado e presidente estadual do PTN, Elias Barros, também já foi acusado de exercer a função de laranja, principalmente nas eleições para o governo do Estado em 2002. Nessa época, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) tentava se reeleger para mais quatro anos de mandato e Barros concentrou seus ataques contra o bloco de oposição. O ex-governador acabou vencendo a disputa e coincidentemente, pouco tempo depois da eleição, foi convidado por Lessa para ocupar a Ouvidoria-Geral de governo, cargo que somente abandonou há cerca de duas semanas para disputar novamente o pleito eleitoral. A candidatura de Elias Barros ao governo do Estado ainda não está confirmada. O procurador tenta articular sua candidatura com o grupo formado por PTN, PAN, Prona, PSC, PTC, PRP e PT do B, considerados partidos nanicos. A decisão deverá sair na próxima terça-feira, em um café da manhã combinado pelos representantes dos sete partidos. Barros nega que já tenha sido laranja em alguma eleição passada. Nunca fui laranja. Laranjas foram outros candidatos que passaram por Alagoas e nada fizeram pelo Estado. A nossa candidatura sempre foi posta verdadeiramente. Iremos novamente discutir o nome, não sabemos qual será o nome. Poderá ser o Elias Barros ou qualquer outro nome desse grupo, afirma. O presidente do PTN enfatiza que sua próxima candidatura será para valer. É uma terceira via de opção que nós estamos colocando para a sociedade alagoana. Chega de feijão com arroz. Eu acho que o povo de Alagoas precisa de uma alternativa. Não temos nada a ver com candidatura de ninguém e iremos levar projetos à sociedade alagoana, complementa Barros, já em clima de campanha. Elias Barros considera difícil o surgimento de candidaturas laranjas nas eleições deste ano. Eu acredito que não vai existir candidatura laranja porque nós temos pela frente a cláusula de barreira. Todos os partidos, grandes ou não, estão preocupados com isso. Nós temos que ultrapassar os 5% que foram aprovados pela Câmara e pelo Senado. Aquele partido que não ultrapassar a cláusula de barreira, será extirpado do cenário político nacional, argumenta. |PV ### Laranjismo: ventilador ligado na eleição A cláusula de barreira exige que cada partido tenha um mínimo de 5% dos votos para deputados estaduais e federais registrados em todo o País, caso contrário, as legendas perderão o direito de receber os recursos do Fundo Partidário. A preocupação é das executivas nacionais de cada partido político do País, lembra o presidente do PTN no Estado, Elias Barros. O presidente estadual do PSDC, Eudo Freire, nunca se candidatou antes, mas observa que candidatos laranjas aparecem em todas as eleições. Segundo Freire, sua candidatura ao governo do Estado nas próximas eleições já está confirmada. Mais do que nunca, vamos lançar uma candidatura alternativa às outras, informa, revelando que já tem visitado os municípios do interior do Estado para verificar as carências e a falta de oportunidades nas cidades do interior. Eudo Freire critica a candidatura do senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), defendida pelo grupo político do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), e ataca a do deputado federal João Lyra (PTB), pré-candidato ao governo pela oposição. Se fizermos um levantamento da candidatura da carreira de Téo, de mais de 20 anos, vamos ver que ele nada fez pelo Estado. Lessa talvez tenha acertado em alguma coisa, mas não fez o que a família alagoana precisa. Ele [Lessa] está envolvido com os usineiros. O apoio a essa candidatura do Téo vem desde o acordo com os usineiros, acusa. O Lyra talvez tenha experiência em administrar suas empresas, mas investe mais em outros estados e deixa de investir em Alagoas, observa. Sobre o lançamento de candidaturas laranjas nas eleições deste ano, Freire é contundente e faz acusações contra Elias Barros. Vai haver candidatura laranja como em toda eleição. Tem a do Elias Barros, que foi secretário do Lessa até pouco tempo. Essa é laranja. O P-Sol também vai ter uma candidatura e vai defender o lado do governo um pouco, dispara. Freire chega a declarar que possui dossiês contra Lessa, produzidos por pessoas que sabem o que era feito no governo. Isso, segundo o presidente do PSDC, estaria deixando o ex-governador preocupado com sua candidatura. Para Freire, o que comprova que sua própria candidatura não vai ser laranja é o fato, supostamente, de ter o apoio de empresários sérios. Nós temos uma estrutura. Esses empresários estão dando uma estrutura para bancar nossa campanha majoritária em todo o Estado sem dificuldade. Vamos sem laranjismo porque não precisamos, argumenta. O PSDC, de acordo com Eudo Freire, tem discutido uma aliança com o grupo dos nanicos. O partido poderá arcar com os custos de material de campanha de seus aliados. |PV

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