Desvalorização
MÉDICOS LAMENTAM PRECARIZAÇÃO NA REDE ESTADUAL DE SAÚDE
Profissionais de AL questionam política mantida pelo governo Renan Filho ao analisarem perdas e ganhos no Dia do Médico
No dia em que se comemora o Dia do Médico – 18 de Outubro -, o Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL) questiona a política do governo Renan Filho (MDB) para a saúde e aponta o que considera falta de gestão do governo do Estado na área. Até mesmo a construção de novos hospitais e unidades de saúde é questionada pela categoria, que cita a continuação de problemas como a superlotação na Maternidade Santa Mônica, ocorrida no último fim de semana, mesmo após a abertura recente do Hospital da Mulher, em Maceió.
Baixos salários pagos à categoria, precarização de serviços, falta de concurso público, terceirização de profissionais por meio de Processo Seletivo e até mesmo de um Plano de Cargos e Carreira também são citados como problemas que resultam em prejuízos no atendimento à população.
“Os médicos estão totalmente insatisfeitos. O médico é cobrado em termos de hora e atendimento, mas não têm contrapartida. Progressão por título, mérito, insalubridade, está tudo parado e ele [o governo] quer cobrar que a gente atenda agora 80 pessoas por semana, olhando para uma portaria que é para o atendimento clínico. Os especialistas são 60 atendimentos e ele quer empurrar 80 para todo mundo. O Estado sentou no nosso Plano de Cargos e Carreira. Desde o concurso de 2013 que vários médicos não recebem insalubridade, mesmo com previsão em lei”, afirma a vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), Sílvia Melo.
De acordo com ela, além de problemas relacionados aos direitos da categoria, descumpridos pela gestão Renan Filho, ela aponta deficiências no AL Previdência, o fundo para pagamento das aposentadorias dos servidores públicos. Sem recursos, a médica representante sindical assegura que vários profissionais com esse direito foram passados pelo Estado para a aposentadoria de forma não oficial e permanecem recebendo pela folha dos ativos, como se ainda estivessem em atividade.
“O prejuízo é para o paciente, pois é um médico a menos em atividade. E aí começa a precarização dos serviços. Você começa a contratar médicos, cada um com um valor”, destaca Sílvia Melo, que cita como exemplo o ambulatório do Hospital Geral de Emergência, onde segundo ela um médico recebe menos que R$ 4 mil mensal, valor diferente de outros médicos que atuam em setores diferentes.
Com relação à superlotação na Maternidade Santa Mônica, onde a médica atua, ela afirma ter presenciado neste último domingo cinco pacientes atendidas em macas no primeiro andar da unidade e outras seis em poltronas no térreo do edifício. Ao questionar o porquê das pacientes não terem sido atendidas no vizinho Hospital da Mulher, ficou sem respostas.
“O governo não está preparado para tocar os novos hospitais com tantas pendências. Esperava que o hospital [da Mulher] desafogasse a Maternidade Santa Mônica, mas não foi o que a gente viu este fim de semana. [O governo] contratou todos os profissionais para o Hospital da Mulher. Se tem dinheiro para o contrato, porque não tem dinheiro para fazer concurso público? A verba é a mesma, não é? Isso não é repassado para a gente”, pontua.
Para ela, o que tem melhorado um pouco o rendimento dos médicos é a Gratificação por Dedicação Exclusiva (GDE), mas, mesmo assim, “não conta para aposentadoria ou mesmo se houver afastamento do médico para tratar a própria saúde”.
As posições de vice-presidente do Sinmed Alagoas foram reforçadas em entrevista ontem no Jornal da Mix, com o radialista Marcos Rodrigues. Para ela, ‘não há o que se comemorar hoje’, 18 de outubro, data alusiva ao Dia dos Médicos.
CONCURSO PÚBLICO
“Uma das pautas de reivindicação da categoria é a realização de um concurso público, pois todas essas contratações que estão acontecendo são terceirizadas, ou seja, cada um oferece um salário. No Hospital da Mulher, por exemplo, nós pedimos uma reunião particular com o secretário Alexandre Ayres e expomos a ele que o valor do salário imposto não era condizente. Ele disse, no entanto, que só tinha aquilo ali para dar no momento”, reforça Sílvia Melo. De acordo com ela, após encontro com o secretário estadual da Saúde, o sindicato fez alguns cálculos e percebeu que o médico passaria a receber R$ 46 por hora trabalhada dentro do Hospital da Mulher. “Reivindicamos, mas só ouvimos que ‘os médicos reclamam demais’. De alguma forma, ele nos chamou de mercenários. Mas, o que acontece, é o contrário. Queremos o que é bom para a saúde e a população”, assegura.