Comunicação sucateada
ABANDONO DO IZP PELO GOVERNO DO ESTADO FRUSTRA SERVIDORES
Profissionais reclamam da falta de investimentos de Renan Filho no Instituto Zumbi dos Palmares
O desprezo do governo Renan Filho (MDB) com os diversos segmentos do serviço público inclui também os que atuam no Instituto Zumbi dos Palmares (IZP). Sem investimento, já que a promessa de R$ 1 milhão para migração da Rádio Difusora AM para o FM não saiu do papel, o órgão de comunicação se tornou um cabide de emprego para cargos comissionados. A categoria também não conta com um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).
Como o último reajuste foi dado na gestão do ex-governador Luiz Abílio, de lá para cá a falta de investimentos em equipamentos e no capital humano contribui para um quadro de sucateamento e baixa produção. Dos aproximadamente 300 servidores concursados, atualmente são em torno de 125 efetivos.
Os demais, por conta dos baixos salários e aprovação em outros concursos públicos, deixaram a estrutura e não foram substituídos. Destes, ainda há casos que estão sendo apurados de pessoas que batem o ponto no horário da manhã e como não há produção, nem fiscalização, só retornam à tarde para fechar o dia de trabalho.
Com a desvalorização salarial que se arrasta desde o governo Teotonio Vilela Filho (PSDB) e se ampliou na atual gestão, há profissionais que sofreram uma queda na renda tão brusca que voltaram a morar com os pais. “O resultado é que quem só tem isso aqui como fonte de renda tem passado necessidade”, comentou uma fonte ouvida pela Gazeta.
O resultado é uma enxurrada de nomeações de cargos comissionados para atender as necessidades da pouca produção dos veículos e, ainda, aos pedidos de políticos aliados do governo. Só motoristas são cinco, que se revesam um por noite. Como também não são fiscalizados, mesmo com a determinação de economia de combustível há informações de que os veículos são usados para fins pessoais e particulares.
O Instituto Zumbi dos Palmares é composto da TV Educativa, Rádio Educativa, Rádio Difusora e, agora, a Rádio Difusora, em Arapiraca, que substituiu a Educativa Arapiraca. Existe ainda uma base em Porto Calvo, que está fechada.
Esse caso, inclusive, merece uma observação. Toda a estrutura foi sucateada com o desmonte da antena. A negligência custou para o povo de Alagoas a sua concessão.
Quanto à chegada da Rádio Difusora em Arapiraca, que passou a funcionar “coincidentemente” na semana em que o governo Renan Filho retomou o seu Governo Presente, não terá programação local: será apenas “um serviço de som”.
A função será reproduzir diariamente o pouco que é produzido na capital, em especial que envolva o próprio governo e seu vice, o secretário Luciano Barbosa (MDB), que é candidato a prefeito da cidade no próximo ano.
No município, o principal comentário da oposição é que a chegada da emissora tem como principal função ser mais um canal - além dos que já são pagos para isso - para divulgar o governo e ao mesmo tempo dar mais visibilidade ao futuro projeto político alinhado com o Palácio República dos Palmares.
SUCATEAMENTO
Com profissionais formados e capacitados nas mais diversas áreas de atuação, o IZP amarga hoje o fato de não conseguir colocar no ar um telejornal. No primeiro mandato ele chegou a existir, mas logo foi perdendo espaço até que saiu do ar. Na prática, hoje, os profissionais que saem em equipe para cumprir pauta tem como única função repercutir as extensas coletivas do governador e também de seus secretários. O material produzido preenche parte da programação nos intervalos da programação da TV Cultura. A desvalorização dos profissionais e do que a empresa pode representar é nítido com a decisão do governo de reduzir 20% do potencial do transmissor da TVE com a finalidade de economizar energia. Decisão semelhante também afetou a Rádio Difusora, a “pioneira”, como é carinhosamente chamada pelos servidores do órgão. Uma outra questão não explicada até o momento pelo governo é quanto o destino da publicidade que aparece em forma de “apoio cultural”. Por ser estatal, o sistema não pode receber, por princípio, dinheiro da iniciativa privada. Entretanto, na programação das duas emissoras é possível identificar a presença dos anúncios, sem entretanto haver uma prestação de contas de onde é aplicado.
IMPROVISO
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Sem envolvimento do governo, muito menos com projetos técnicos para o futuro, a tendência é que com o tempo a TVE vire uma espécie de sucursal das lives transmitidas pelo próprio governo Renan Filho. Segundo servidores ouvidos pela Gazeta, o teste foi feito na inauguração do Hospital da Mulher, realizada num domingo, pela manhã. Como já se encontrava com sua equipe de transmissão online, a imagem que foi gerada para as redes sociais, do governo e do governador, foram retransmitidas na íntegra pela TVE. Para não ficar apenas com a transmissão “seca”, um radialista que não pertence aos quadros da emissora foi usado para ancorar a transmissão e entrevistar algumas autoridades presentes ao evento. Nunca, desde que foi inaugurada, a TV havia feito transmissão ao vivo, num domingo, muito menos com mais de uma hora de duração. Ou seja, acabou sendo apenas um apêndice da geração virtual em detrimento de todo o corpo técnico e profissional que possui. O desânimo e a preocupação de quem quer ver o projeto andar têm aumentado. Principalmente depois que uma parte do teto do Teatro Linda Mascarenhas desabou e quase provocou um acidente. Até o momento, nem essa estrutura nem as demais têm perspectiva de mudança, porque o governo só tem olhos para o investimento na chamada mídia digital. Enquanto contabiliza internautas e não responde a comentários, Renan Filho, que se orgulha de ter percorrido todo o Estado de Alagoas, nunca foi visto no IZP.