crime ambiental
750 TONELADAS DE RESÍDUOS DE ÓLEO JÁ FORAM RECOLHIDAS EM AL
Material tóxico está sendo encaminhado para a Central de Tratamento de Resíduos (CTR) do Pilar
Aproximadamente 750 toneladas de resíduos recolhidos das praias de Alagoas, atingidas pelas manchas de petróleo cru, estão sendo depositados na Central de Tratamento de Resíduos (CTR) do Pilar. Novas remessas do produto são aguardadas para esta sexta-feira, sob fiscalização do Ministério Público Estadual (MP), que esteve ontem no local, quando eram aguardadas a chegada de mais produtos retirados de dois municípios do litoral Norte, entre os quais Maragogi e de mais um, Piaçabuçu, no litoral Sul.
“Todos sabem o grave momento que vivemos em relação ao meio ambiente e o Ministério Público de Alagoa continuará a fiscalizar a destinação correta desses resíduos, para evitar mais danos ao meio ambiente”, declarou o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, enquanto acompanhava pessoalmente o material ser depositado em uma célula aberta em um galpão na CTR e destinada a resíduos industriais.
O chefe do MP de Alagoas questionava em vídeo ao vivo em rede social qual poderia ser o destino final do produto, após o armazenamento no local e afirmava que, qualquer que fosse, o órgão faria a fiscalização. Embora tenha demonstrado desconhecimento sobre a questão, estados como a Bahia e Pernambuco já têm encaminhamentos para a destinação do produto à fabricação de cimento e até mesmo de asfalto, este último resultado de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Na ocasião da fiscalização do MP, o coordenador do Núcleo de Meio Ambiente do órgão, Jorge Dória, lembrou que é preciso fazer o tratamento adequado dos resíduos de óleo, após serem retirados das praias, como forma de evitar maiores danos à natureza.
“Dentre tantos problemas causados, nós tínhamos essa preocupação enquanto a destinação [dos resíduos de petróleo cru]. Não tínhamos a clareza e até mesmo o que seria feito. [Temos] essa preocupação sobre destinação correta, para não causar mais danos ao meio ambiente, uma destinação de forma legal e eficiente. Mais uma vez o Ministério Público do Estado de Alagoas cumpre sua função de fiscalizar e ver a destinação com toda a segurança e de acordo com o que estabelece a legislação ambiental”, pontuou Dória.
No galpão da CTR, com espaço para receber até 20 mil metros cúbicos de produtos tóxicos, como é o caso do óleo em questão, até o início da tarde de ontem já estavam depositadas 726 toneladas do produto e outras 30 ainda eram esperadas dos outros três municípios litorâneos.
Há aproximadamente dois meses que praias de toda a costa alagoana foram atingidas pelo óleo, até agora sem origem identificada pela Marinha do Brasil, responsável pelas investigações. O material tem sido recolhido em sua maioria por voluntários e representantes de órgãos públicos da área de meio ambiente e prefeituras dos municípios. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em Alagoas, Japaratinga e Maragogi, dois municípios da região da Costa dos Corais e que estão entre os principais destinos turísticos do Estado, foram os locais com maior intensidade de fragmentos do petróleo cru recolhido em Alagoas. Ainda conforme o instituto, o óleo já atingiu 30 pontos do litoral alagoano.
De acordo com o diretor do Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Alagoas, Leonardo Vieira, a CTR do Pilar é o único local licenciado em Alagoas para receber resíduos tóxicos.