Crise partidária
BOLSONARO DIZ QUE PSL É COMO ‘GÊMEO XIFÓPAGO’
Presidente afirma que melhor solução é se separar e cogita até mesmo a criação de um novo partido
ABU DHABI, EAU - “O ideal agora é como se fossem gêmeos xifópagos [ligados entre si por uma parte do corpo]. Precisa separar. Cada um segue seu destino.”
Essa foi a declaração do presidente Jair Bolsonaro ao comentar a crise no PSL. O partido está dividido entre um grupo ligado à família Bolsonaro e uma ala próxima do deputado Luciano Bivar (PE), presidente nacional da sigla.
Embora tivesse levantado na sexta-feira (25) a possibilidade de se tornar “um presidente sem partido” se a crise no PSL não se resolver, ontem ele afirmou que a melhor solução é criar um novo partido, descartando a possibilidade de ir para o Patriotas.
“Eu não teria dificuldade em criar um partido nesse sentido. Mas gostaria que fosse pacificado tudo”, disse.
Segundo ele, um bom nome para a agremiação seria Partido da Defesa Nacional ou PDN. “É um nome bonito, né? Tem que ser um nome que agregue”, disse.
O presidente também ironizou a possibilidade de candidatura à Presidência da deputada federal Joice Hasselmann, que pertence ao grupo bivarista do PSL: “Boa sorte para ela. É fácil!”.
Embora reconheça que a deputada ajudou na articulação das pautas do governo no Congresso, disse que ela “se precipitou”. “Eu quero transparência. Porque se acontecer qualquer coisa errada nas contas do PSL, quem vocês vão culpar? Eu, que sou só um filiado.”
Bolsonaro disse também que pretende interferir o mínimo possível nas eleições municipais do ano que vem. “Se eu fecho com alguém, começo a perder apoios, e não quero perder apoios. Tenho objetivo de governar o Brasil”, afirmou.
O presidente viajou dos Emirados para o Catar, de onde irá à Arábia Saudita.
Em Abu Dhabi, ele participou de reuniões com empresários e apresentou projetos brasileiros de privatização e investimentos em infraestrutura e no setor de óleo e gás.
POLÊMICA NO TWITTER
Em uma publicação no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se comparou a um leão acossado por hienas em meio às vitórias da esquerda e manifestações em países da América Latina. Entre as hienas exibidas no vídeo compartilhado pelo presidente aparecem o STF (Supremo Tribunal Federal), o PSL, partidos de esquerda como PT e PSOL, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e veículos de imprensa. “China, Argentina, Bolívia, Peru, Equador... Mais que a vida, a nossa LIBERDADE. Brasil acima de tudo! Deus acima de todos!”, escreveu ele no Twitter. O vídeo termina com a chegada de um outro leão chamado de “conservador patriota” e com um apelo: “Vamos apoiar o nosso presidente até o fim e não atacá-lo”. “Já tem a oposição pra fazer isso!”, diz o letreiro. A montagem foi publicada no momento em que o presidente entrava numa limusine em Riade, capital da Arábia Saudita, a caminho de um jantar com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. O tuíte do presidente vem depois de algumas postagens com teor semelhante do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), seu filho. Numa delas, ele diz que Mauricio Macri, derrotado nas eleições na Argentina, foi “ingênuo” e “ficou em cima do muro”. “Se dependesse do isentão aqui, Bolsonaro cometeria o mesmo erro”, afirmou o vereador. Na entrevista coletiva que concedeu assim que chegou a Riade, Bolsonaro foi mais comedido. Falou que a “bola está com eles”, referindo-se aos argentinos, e que para o Brasil “continua tudo normal”. “Vi alguns petistas comemorando a eleição da Cristina Kirchner [eleita a vice-presidente], que sempre foi ligada a Lula, Maduro, Dilma, Chávez, Fidel. Me diga com quem tu andas que te direi quem és.”
IMPRENSA
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Na montagem, também são identificados como hienas veículos de comunicação a TV Globo, a revista Veja, a rádio Jovem Pan e os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Mais cedo, ao comentar áudios de Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio, Bolsonaro afirmou que órgãos de imprensa “jogam pesado” porque podem ter problemas na renovação de concessões. O presidente responsabilizou a mídia por notícias que, na avaliação dele, tentam desestabilizá-lo. Emissoras de rádio e TV precisam renovar contratos para operar. A atual permissão da Globo vence em 2023, durante o mandato de Bolsonaro. A concessão é renovada ou cancelada pelo presidente, e o Congresso pode referendar ou derrubar na sequência o ato presidencial em votação nominal de 2/5 das Casas (artigo 223 da Constituição). Segundo lei passada pelo governo Michel Temer (MDB), no entanto, o presidente pode decidir sobre a concessão até um ano antes de ela vencer - ou seja, em abril de 2022, último ano do mandato de Bolsonaro.