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Autoritarismo

BOLSONARO DESAUTORIZA FILHO E DIZ QUE EDUARDO 'ESTÁ SONHANDO'

Declaração do filho do presidente sobre a volta do AI-5 gera repulsa até de aliados do Planalto

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Brasília, DF - Após repercussão negativa, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) desautorizou ontem declaração do seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de que, caso a esquerda radicalize, uma resposta pode ser um novo AI-5. Na saída do Palácio do Alvorada, ele afirmou que qualquer um que fale em AI-5 neste momento no país “está sonhando” e pediu que o posicionamento seja cobrado não dele, mas de seu filho. “Não apoio. Quem quer que seja que fale em AI-5 está sonhando. Está sonhando, está sonhando. Não quero nem ver notícia nesse sentido aí”, disse. “Cobrem vocês dele, ele é independente”, ressaltou. O presidente ressaltou ainda que lamenta muito a declaração do também líder do PSL na Câmara dos Deputados e pediu para esquecer a possibilidade de reedição da medida do período militar. “O AI-5 existia no passado, existia em outra Constituição. Não existe mais. Esquece”, afirmou. “Eu lamento. Se ele falou isso, que eu não estou sabendo, eu lamento, lamento muito”, acrescentou. A declaração de Bolsonaro foi feita horas depois de ele ter se reunido com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que divulgou nota pública chamando a posição de Eduardo de absurda. Em entrevista à Band, Bolsonaro disse que a frase do filho foi dada no contexto das manifestações do Chile e sugeriu ao filho avaliar um pedido de desculpa para quem se sentiu atingido. “Qualquer palavra nossa vira um tsunami.” “Essa arma [AI-5] não existe, e nem queremos, e nem pretendemos falar em autoritarismo da nossa parte. Eu fui eleito democraticamente, ele foi o deputado mais votado na história do Brasil”, declarou Bolsonaro em entrevista à Band. “A gente lamenta essa notícia, mas meu filho está pronto para se desculpar tendo em vista ter sido mal interpretado”, completou. A frase do presidente na saída do Alvorada foi comemorada pelo setor moderado do Palácio do Planalto, que cobrava desde a manhã de ontem uma posição de Bolsonaro que colocasse uma espécie de freio em Eduardo. Tanto a cúpula militar como a equipe econômica avaliavam a necessidade de o presidente desautorizar o filho, arrefecendo o que chamam de uma escalada de radicalização tanto de Eduardo como do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Segundo relatos feitos à reportagem, ao longo do dia Bolsonaro foi informado que a polêmica gerou revolta tanto na esquerda como na direita e que poderia prejudicar a pauta governista, sobretudo a votação da proposta de reforma administrativa. A expectativa é de que ela seja apresentada até o final da semana e, antes mesmo do início da sua tramitação, já enfrenta resistência de deputados federais até mesmo alinhados ao Planalto. Ele foi, então, recomendado a fazer uma declaração pública para acalmar os ânimos no Congresso e evitar retaliações legislativas. A afirmação de Eduardo foi feita em entrevista à jornalista Leda Nagle realizada na segunda (28) e publicada ontem no canal dela no YouTube. “Tudo é culpa do Bolsonaro, percebeu? Fogo na Amazônia, que sempre ocorre - eu já morei lá em Rondônia, sei como é que é, sempre ocorre nessa estação - culpa do Bolsonaro. Óleo no Nordeste, culpa do Bolsonaro. Daqui a pouco vai passar esse óleo, tudo vai ficar limpo e aí vai vir uma outra coisa, qualquer coisa - culpa do Bolsonaro”, seguiu. “Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada”, afirmou o parlamentar, filho do presidente Jair Bolsonaro. “O que faz um país forte não é um Estado forte. São indivíduos fortes. A conjectura não tem que ser futura, ela tem que ser presente. Quem é o presidente dos Estados Unidos agora? É o Trump. Ele se dá bem com o Bolsonaro? Se dá muito bem. Então vamos aproveitar isso aí”, continuou. O quinto ato, assinado pelo marechal Arthur da Costa e Silva (que assumira a Presidência em 1967), resultou no fechamento imediato e por tempo indeterminado do Congresso Nacional e das Assembleias nos estados - com exceção de São Paulo. Além disso, o AI-5 renovou poderes conferidos ao presidente para cassar mandatos e suspender direitos políticos, agora em caráter permanente. Também foi suspensa a garantia do habeas corpus em casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e a economia popular.

PEDIDO DE DESCULPAS

Após ser desautorizado inclusive por seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou atrás e afirmou que “não existe qualquer possibilidade de retorno do AI-5”. “Esse não é o ponto que nós vivemos hoje, no contexto atual do Brasil. A gente vive um regime democrático, nós seguimos a Constituição. Inclusive esse é o cenário que me fez ser o deputado mais votado da história”, disse Eduardo em vídeo publicado em rede social na tarde de ontem. “Então não tem por que de eu descambar para o autoritarismo, eu tenho a meu favor a democracia.” Ele declarou que não fica “nem um pouco constrangido de pedir desculpa a qualquer tipo de pessoa que tenha se sentido ofendida ou imaginado o retorno do AI-5”.

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