Análise de conjuntura
DESENVOLVE NÃO AMPLIA MICROCRÉDITO E SETOR PRODUTIVO REIVINDICA 183 AÇÕES
Dos R$ 20 milhões alardeados pelo governo em crédito liberado, na prática não chegam nem a R$ 5 milhões
Concebida para fortalecer o empreendedorismo em Alagoas, a Desenvolve, que é a agência de fomento apresenta a possibilidade de ofertar microcrédito limitado até R$ 15 mil e o chamado “crédito competitivo” que pode chegar a R$ 1 milhão. Na prática a teoria é outra. Enquanto a propaganda oficial trata de mais de R$ 20 milhões em crédito liberado, observa-se que o microcrédito não chegou ao montante de R$ 5 milhões em cinco anos do governo Renan Filho. No universo gigantesco de mais de 150 mil CNPJs existentes em Alagoas, pouco mais de mil beneficiários conseguiram captar recursos.
O que a propaganda oficial não mostra é que, em 2017, quando o dirigente da Desenvolve era o atual secretário Rafael Brito, houve apenas 493 deferimentos de crédito, algo minúsculo para uma política pública de inclusão. No ano seguinte, a agência de fomento deferiu 598 empréstimos, sob a direção de desenvolvimento de Israel Lessa. “Nós dobramos o montante emprestado em relação ao ano anterior, chegando R$ 8,9 milhões, mas reconheço que é muito pouco em relação à demanda”, disse Israel.
CRÉDITO
Ex-superintendente do Ministério do Trabalho em Alagoas, demitido por razões políticas pelo governador, Israel também reconhece a necessidade de facilitar a liberação do crédito para todas as modalidades de empresa. A burocracia, as negativações e inadimplências dificultam a expansão do microcrédito. A Desenvolve não conseguiu romper as amarras, construir alternativas, simplificar os empréstimos e beneficiar massivamente os alagoanos empreendedores e mais necessitados. Já os representantes do setor produtivo da indústria, do comércio de bens e serviços, além da agricultura e pecuária do Estado, produziram 183 propostas para aquecer o segmento. Elas foram convertidas em documento intitulado “Agenda do Setor Produtivo Para o desenvolvimento Sustentável de Alagoas. Ainda candidato à reeleição, o governador recebeu solenemente o documento do empresariado, que aguarda a materialização das ideias. O volume impressionante de propostas, que vão de política industrial, fiscal e tributária, oportunidades de investimento, estímulos ao microempreendedor individual, passando por comércio, serviços e turismo e chegando à energia, meio ambiente, agropecuária, ciência e tecnologia, APLs e segurança pública, aguarda a ação governamental, que nem sequer resolveu ainda o grave problemas dos matadouros em Alagoas. A “Agenda” propõe a promoção da competitividade à economia, “através da melhoria da gestão, e parcerias construtivas e eficientes entre o setor produtivo e o poder público”, escreveram seus signatários.