Agricultura em crise
ALE VAI CORRIGIR DISTORÇÕES NO ORÇAMENTO DA SEAGRI
Recursos previstos para a área de agricultura em 2020 chegam a R$ 68,8 milhões, enquanto que agora em 2019 são R$ 115,5 milhões
“A política de Agricultura em Alagoas não é tratada como deve ser. O governo do estado lavou as mãos para o setor”. A avaliação é do deputado Davi Maia (DEM) ao fazer a comparação do recurso previsto para o orçamento do setor. “Este ano, o governo executou o orçamento de R$ 115,5 milhões, e para o próximo ano está prevista a execução de R$ 68,8 milhões, quase a metade dos recursos deste ano e inferior ao orçamento de 2014”, diz, referindo-se aos números da Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri).
As opiniões do deputado oposicionista são semelhantes as da maioria dos 27 deputados da Assembleia Legislativa Estadual (ALE). O presidente da Comissão de Orçamento da Casa, deputado Inácio Loiola (PDT), revelou que o “Legislativo vai modificar o orçamento proposto pelo governo, com redução de quase 50%”.
O deputado David Maia faz parte de um grupo parlamentar que vai propor modificações no orçamento de 2020 proposto pelo Poder Executivo. Os deputados constataram que os programa agrícolas de ação continuadas foram abandonados e tiveram redução radical no orçamento.
“Este ano não teve distribuição de sementes, ocorreu redução drástica do Programa do Leite, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Agricultura Familiar não foi respeitado, praticamente não houve assistência técnica para os micro e pequenos produtores rurais. Ou seja, não houve envolvimento da Secretaria de Agricultura com nenhuma política de desenvolvimento da agricultura. Para o próximo ano, o próprio governo sinaliza que será muito pior”, diz.
Ao descrever a situação orçamentária de alguns setores da agricultura, o parlamentar destacou que a Emater (empresa que garante a extensão rural) este ano praticamente não fez nada pela agricultura familiar por causa do orçamento minguado de R$ 14,5 milhões. Para o próximo ano, a proposta orçamentária é de R$ 5 milhões, quase um terço a menos do orçamento atual.
Para o PAA, continua o deputado, o governo Renan Filho destinará R$ 1 mil (um mil) para a compra de produtos de 356 mil produtores da agricultura familiar. “Isto é brincadeira e mostra qual a importância da gestão de Renan para a aquisição de alimentos da agricultura familiar e com a própria agricultura estadual”.
CONTRADIÇÕES
Ao mostrar as contradições do governo, David Maia destacou que o governo prevê, em 2020, o fortalecimento de projetos de irrigação com o Canal do Sertão, hoje abandonado. Para executar o projeto que prevê a irrigação ao longo de 100 quilômetros do canal tem apenas R$ 700 mil. Segundos os técnicos da Secretaria de Recursos Hídricos, este recurso não dá para nada. A comercialização de bovino tem previsto apenas R$ 500 mil e não há nenhuma definição para implementar os matadouros regionais. Para acabar com o abate medieval que acontece até hoje, inclusive na cidade de Murici (terra natal do governador e onde Renan Filho iniciou carreira política), o Estado mandou fechar os matadouros municipais. Prometeu construir novas unidades em polos regionais. Hoje tem apenas dois matadouros quase prontos: um em Viçosa, que custou R$ 8 milhões, e outro em Murici, de R$ 1,5 milhão. Estranhamente os dois estão abandonados há mais de um ano.
QUEDA DA PRODUÇÃO
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A unidade estadual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Alagoas divulgou o resultado definitivo do Censo Agro 2017. A pesquisa levantou dados relativos ao perfil do produtor, dos estabelecimentos e dos produtos da agropecuária, coletados entre outubro de 2017 e fevereiro de 2018. Ganharam destaque os números relacionados à agricultura familiar, ao uso de agrotóxicos, o percentual de estabelecimentos que recebeu orientação técnica, o pessoal ocupado no campo, o crescimento da participação feminina na direção do estabelecimento agropecuário, o acesso à internet, bem como as informações relativas ao cultivo da cana de açúcar. O chefe da unidade estadual do IBGE em Alagoas, Alcides Tenório Júnior, reforçou a importância do Censo Agro. “O Censo Agro traz dados que ajudam a todos – cidadãos, academia, gestores e gestoras públicas e a imprensa – na tarefa de conhecimento e compreensão da realidade e exercício da cidadania”, destacou o gestor. Para realizar a pesquisa, o IBGE foi até os 102 municípios de Alagoas, visitou 151.037 endereços, dos quais 98.542 foram estabelecimentos agropecuários. Ao todo, os recenseadores percorreram 206.045 quilômetros. Para realizar o trabalho, o IBGE de Alagoas, o governo federal gastou R$ 13,5 milhões, mobilizou 460 pessoas, 400 foram recenseadores que estiveram nos 102 municípios. Eles percorreram mais de 200 mil quilômetros somente no estado, o que representa cinco voltas ao redor do nosso planeta seguindo pela linha do Equador, revelou o chefe do IBGE de Alagoas, Alcides Tenório.