Nº 4227
Política

OPERAÇÕES REALIZADAS PELA PF ENCURRALAM RENAN FILHO

Governador já contabiliza um total de quatro investigações envolvendo a sua gestão

Por Da Redação | Edição do dia 09/11/2019 - Matéria atualizada em 08/11/2019 às 21h55

O governador Renan Filho (MDB) insiste em passar a imagem de um gestor que faz a “nova política”, antenado nas redes sociais e descolado. Mas o trabalho que tentou construir, usando inclusive verbas públicas em propaganda para promoção pessoal, pensando em um plano nacional, caiu por terra nesta semana, após ser acordado e intimado pela Polícia Federal no seu apartamento. Ao ser acusado de envolvimento direto no esquema de propina na Lava Jato, depois que delatores reconheceram o seu motorista como intermediário no recebimento de R$ 3 milhões e o seu marqueteiro, Adriano Gehres, como apresentador de notas fraudulentas para viabilizar o fluxo de dinheiro para a campanha de 2014, o governador vê-se encurralado. É a quarta operação da PF que ele que enfrenta desde o início da sua gestão. As informações sobre o envolvimento de Renan no esquema de propina na eleição de 2014 constam de ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira vez que a Polícia Federal atingiu o governo foi na Operação Sucupira, desencadeada em 2017. O esquema descoberto envolve a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o Instituto de Tecnologia em Informática e Informação de Alagoas (Itec), a Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal) e a Agência de Modernização da Gestão de Processos (Amgesp). Desde o início do seu primeiro mandato, Renan Filho deixou claro em vários momentos o estilo concentrador, ditando regras que todos deveriam seguir à risca, sem abrir espaço sequer para opiniões de terceiros. Até mesmo nas negociações políticas para a composição da estrutura de governo jamais deixou de escolher pessoalmente os secretários para as pastas mais importantes e com maior volume de recursos, a exemplo da Educação e da Saúde, esta última sob a acusação, também, de montagem de esquema desbaratado pela PF na Operação Correlatos, em 2017, e que poderia ter movimentado R$ 237 milhões para a compra fracionada de medicamentos. No inquérito, a PF apontou que a prática era comum dentro do órgão e, de 2010 a 2016, o montante envolvido no esquema é de R$ 237 milhões. As maiores cifras, porém, são relativas a 2015 e 2016, primeiros anos de Renan Filho à frente do governo de Alagoas. Apesar do volume de recursos, foi justamente nesse período que a secretaria enfrentou problema de abastecimento devido ao não pagamento a fornecedores, decretando emergência. Após seis anos no comado do Estado, Renan Filho se vê cada vez mais envolto em denúncias e acusações de irregularidades apuradas por órgãos federais. A Operação Casmurros, deflagrada pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal em setembro último, levou à cadeia servidores comissionados da Secretaria da Educação, pasta controlada pelo secretário e vice-governador Luciano Barbosa (MDB), e também o diretor-presidente da Agência de Modernização da Gestão e Processos (Amgesp), Wagner Morais, amigo pessoal do governador e que o acompanha desde a época em que ele era prefeito da cidade de Murici. Na Casmurros, o esquema descoberto pelos órgãos federais aponta para um complexo e nebuloso contexto de licitações suspeitas que movimentaram mais de R$ 21 milhões. Na análise preliminar, os órgãos constataram que o valor pode ultrapassar a casa dos R$ 20 milhões, já que dezenas de outros contratos firmados entre a gestão de Renan Filho e a Bioética - empresa responsável pelos contratos com o Estado alvo de apuração -, movimentaram cerca de R$ 70 milhões. Sobre as operações da Polícia Federal e as implicações, Renan Filho mantém uma de suas principais características quando se trata de denúncias contra si e o seu governo: se cala e não responde objetivamente sobre nenhuma das acusações imputadas pela polícia.

INVESTIGAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL ACOSSAM RENAN FILHO

Operação Sucupira: desencadeada em 2017, investigou esquema que envolvia a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o Instituto de Tecnologia em Informática e Informação de Alagoas (Itec), a Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal) e a Agência de Modernização da Gestão de Processos (Amgesp)

Operação Casmurros: deflagrada pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal em setembro último, levou à cadeia servidores comissionados da Secretaria da Educação, pasta controlada pelo secretário e vice-governador Luciano Barbosa (MDB), e também o diretor-presidente da Amgesp, Wagner Morais, amigo pessoal do governador e que o acompanha desde a época em que ele era prefeito de Murici

Operação Correlatos: deflagrada em 2017, teve por objetivo investigar desvio de recursos na Sesau e que poderia ter movimentado R$ 237 milhões em compras fracionadas de medicamentos

Operação Lava Jato: investiga o recebimento de R$ 3 milhões em recursos para caixa 2 de campanha de Renan Filho, nas eleições de 2014

Mais matérias
desta edição