30 anos
PRESIDENTE DA REDEMOCRATIZAÇÃO, COLLOR AFIRMA QUE ENFRENTOU E VENCEU DESAFIOS
'Não fui um jovem que chegou precocemente ao poder. Fui um presidente à frente de seu tempo. Isso me deixa feliz e realizado', avalia o senador
Após o aniversário de 30 anos da eleição que o levou à Presidência da República, completados no último dia 15 de novembro, o senador Fernando Collor de Mello (PROS) discursou ontem e disse que, durante todo esse percurso de vida pública, combateu o bom combate, enfrentando e vencendo todos os tipos de desafios. Collor avaliou que não foi um jovem que chegou precocemente ao poder. “Fui um presidente à frente de seu tempo. Isso me deixa feliz e realizado”, expressou o ex-presidente, celebrando, também, os avanços que o Brasil ainda desfruta das medidas implantadas por ele à época da Presidência.
O senador também comemorou o fato de ter sido o precursor de um ciclo de presidentes que buscam reduzir o tamanho do Estado, abrindo a economia e promovendo privatizações. O senador fez questão de reafirmar publicamente seu “inabalável compromisso com o resgate do passivo social e com a modernização do País”.
Com a evolução da crise política na Presidência, o senador revelou, ainda, que rejeitou uma sugestão levantada pelo comandante da Marinha, em reunião no Palácio do Planalto, de que “as Forças Armadas estavam prontas para agir em defesa da legalidade e providenciar o retorno aos quadros constitucionais vigentes”.
ECONOMIA DIFÍCIL
Da tribuna do Senado Federal, Collor fez um resgate histórico do difícil e adverso momento econômico que enfrentou ao assumir o Brasil, ressaltando que, logo após tomar posse, iniciou um forte processo de realinhamento da economia brasileira com as demais nações, a exemplo da abertura das fronteiras para produtos estrangeiros. O senador citou, também, um texto assinado pela jornalista Miriam Leitão, que, em sua coluna em 16 de novembro em O Globo, reconheceu que a marca do governo de Fernando Collor foi a abertura comercial do Brasil para o mundo. “Naquele momento histórico, os brasileiros perceberam a necessidade de se conectar com o mundo. Abrir as janelas da economia e deixar a luz do sol entrar. Chamei os carros brasileiros de carroças e incentivei a indústria a iniciar um vigoroso processo de renovação, em busca da eficiência e do menor preço. É claro que, ao agir assim, o presidente ganha adeptos e, mesmo à sua revelia, faz inimigos. É natural. Contraria-se interesses poderosos. No início do governo, havia uma inflação de 80% ao mês. Tivemos que enxugar o meio circulante. Congelamos os preços e bloqueamos os ativos para frear a escalada inflacionária. Restituímos todos os haveres bloqueados no prazo de 18 meses”, lembrou o senador. Diante do “furacão político” que enfrentou e venceu nesse período, o parlamentar avaliou que cometeu alguns erros enquanto esteve à frente do Brasil ao não conseguir dialogar com os políticos e com a imprensa.
Clique aqui e leia o discurso de Collor na íntegra
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“Saí de Alagoas, do Nordeste, e cheguei à Presidência da República Federativa do Brasil há trinta anos. Ninguém na política brasileira faz este percurso sem cometer erros, fazer e sofrer injustiças. Ser presidente da República, neste nosso sistema presidencialista pesado, duro, monocrático, cercado de burocratas e instituições ciosas de seus respectivos poderes, é exercício diário de determinação, calma, disposição para o diálogo e muita paciência. O fato de ter sido absolvido pela mais elevada instância da Justiça brasileira me coloca diante da história em posição singular. Não fui um jovem que chegou precocemente ao poder. Fui um presidente à frente de seu tempo. Isso me deixa feliz e realizado”, expressou ele.
Assista aqui ao discurso de Fernando Collor