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Análise política

“A sociedade não está inerte, está reagindo a toda essa onda conservadora", analisa reitora da Ufal

Valéria Correia, da Universidade Federal de Alagoas, afirma que não há sentimento de inércia no País

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Valéria Correia também fez um balanço positivo da 9ª Bienal Internacional do Livro
Valéria Correia também fez um balanço positivo da 9ª Bienal Internacional do Livro -

Diante do cenário político cada vez mais retrógrado no Brasil, com uma pauta que despreza a cultura, a ciência e o saber, eventos com temática cultural e de formação como as feiras literárias mobilizam diversos municípios do Estado esta época do ano. Um dos mais recentes e de maior porte, a Bienal do Livro de Alagoas, realizada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em parceria com os poderes público e privado, contribuem para manter o pensamento progressista à luz dos cidadãos e como reforço a edições futuras, apesar das dificuldades ora vigentes. Para a reitora da Ufal, Maria Valéria Correia, há um pensamento conservador na conjuntura atual, mas também um pensamento progressista ativo e em efervescência no País. Ela cita como exemplo a última edição da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, quando houve uma tentativa de censura até mesmo por parte da prefeitura carioca, mas, de imediato uma forte reação em todo o Brasil. “A sociedade não está inerte, está reagindo a toda essa onda conservadora. Aqui em Alagoas, a promoção da Bienal do Livro foi da UFAL juntamente com a prefeitura e o governo do Estado e outros parceiros. É a única do Brasil organizada por uma universidade pública e totalmente gratuita. Esta fórmula tem dado certo durante nove edições. Apesar da conjuntura que impõem dificuldades, sou otimista. A realização de eventos como a Bienal do Livro e outros estarão sempre na agenda dos que se interessam pela literatura, cultura, arte e conhecimento. É uma forma de resistência”, pontua a reitora. Como balanço da bienal realizada pela primeira vez nas ruas e espaços do histórico bairro de Jaraguá, Valéria Correia considera que serviu para abrir portas, para levar conhecimento ao grande público de acervos como o do Arquivo Público, do Museu da Imagem e do Som (Misa) e da Associação Comercial, por exemplo. “A 9ª edição da Bienal caracterizou-se como uma feira literária com livros, cultura e arte na rua. É um marco histórico”, comemora. Para a reitora, eventos como este servem também para a inserção das mulheres em lugares de decisão e na política, embora considere que ainda há muito a se fazer, para se atingir uma igualdade de gênero entre homens e mulheres, sobretudo, na ciência e na administração pública. Ela cita o caso da vereadora carioca Marielle Franco como violência motivada pela negação ao fato de que, por ser mulher, ter levantado a voz na política contra as injustiças. “A execução de Marielle Franco tem sido nomeada por Renata Souza, em seus estudos de pós-doutorado, como feminicídio político, pois sua morte foi motivada por violência de gênero a uma mulher que incomodava o violento poder das milícias no Rio de Janeiro. Devemos continuar perguntando: quem mandou matar Marielle?”, pontua a educadora, que destaca ainda a posição da Ufal no meio acadêmico e de pesquisa no País. “Em 2018, esta universidade obteve conceito ‘Muito Bom’ do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação (INEP/MEC), por ocasião do primeiro processo de recredenciamento institucional, desde a sua criação em 1961. Tal conceito atestou a qualidade do trabalho construído e consolidado ao longo da história em diálogo com a sociedade. Em 2019, nesta linha de ascensão da qualidade acadêmica, a Ufal despontou entre as 11 universidades brasileiras que passaram a integrar um importante ranking britânico, o Times Higher Education. Neste mesmo ano, se destaca como a mais bem colocada, entre as universidades federais, na redução da evasão estudantil e no aumento do número de estudantes que finalizaram seus cursos. Resultado da valorização que se imprime ao sujeito discente nesta universidade e ao compromisso político com a Assistência Estudantil”, diz a reitora. Por fim, mesmo diante de um quadro de conservadorismo e contra ao conhecimento pregado claramente em ações pelo atual governo do presidente Jair Bolsonaro, a reitora destaca o poder do livro e da leitura para a formação humana e cidadã e a ação das universidades e do conhecimento como meios ao desenvolvimento da Nação. “Não há governo que sobreviva à promoção do anticonhecimento e dos ataques às universidades públicas. Observamos uma tendência ao anti-intelectualismo, ao anticonhecimento, à anticiência, e ao recrudescimento do conservadorismo, com tentativas de imposição de um pensamento único. Movimentos autoritários expressos nas perseguições a pesquisadores, ataques às universidades, como nas propostas da Escola sem Partido; do fim da filosofia e da sociologia nas universidades e nas escolas; da militarização das escolas públicas. Na contramão dessa tendência, as universidades, na vanguarda da produção do conhecimento e outros setores da sociedade, promovem ações que incentivam a liberdade e a autonomia, essenciais para a função civilizatória da ciência e da universidade”, finaliza.

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