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Polêmica

REITORA DA UFAL REBATE FALA DE MINISTRO SOBRE ‘PÉS DE MACONHA’

Valéria Correia diz que universidades federais “plantam conhecimento, sonhos e um futuro melhor”

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Em nota, reitora diz que “ministro [Abraham Weintraub] não conhece nossas plantações” e lamenta declarações dele
Em nota, reitora diz que “ministro [Abraham Weintraub] não conhece nossas plantações” e lamenta declarações dele -

A reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Valéria Correia, manifestou-se em defesa das universidades públicas, ontem, e rebateu as últimas declarações ofensivas do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que afirmou que há nas instituições de ensino federais “plantações extensivas de maconha”. Em nota, a reitora declarou que o “ministro não conhece nossas plantações ” e considerou lamentáveis as declarações ditas por ele em entrevista ao Jornal da Cidade On Line, na semana passada. “Além de plantar conhecimento, sonhos e um futuro melhor para milhares de alagoanos, nossas plantações é quem bota alimento na mesa de muitos brasileiros. O ministro não conhece as nossas plantações. Estimulamos a agricultura familiar e nossas pesquisas de melhoramento genético da cana-de-açúcar botaram Alagoas no primeiro lugar do ranking nacional”, destacou a reitora, ao fazer referência a contratos da Ufal com produtores locais de grãos, verduras e legumes orgânicos (livres de agrotóxicos). De acordo com ela, as ações entre a universidade e os produtores têm estimulado a agricultura familiar, “responsável por colocar a comida na mesa dos brasileiros com 80,7 milhões de área cultivada, segundo o Censo Agropecuário 2017”. Ela assegurou ainda que a cana-de-açúcar melhorada geneticamente na Ufal é a mais cultivada do Brasil. “O tipo República Brasil (RB) assumiu o ranking nacional de variedade mais plantada no território nacional, com total de 66% dos mais de cinco milhões de hectares plantados de cana no país”, pontuou. A espécie citada pela reitora foi desenvolvida por pesquisadores da universidade no laboratório experimental do Centro de Ciências Agrárias (Ceca), na Serra do Ouro, em Flexeiras, e tem como umas das principais características a resistência às pragas e intempéries climáticas. Ainda sobre plantações, Valéria Correia antecipou que a Ufal terá no Ceca um Jardim Botânico com plantações de flores e ervas medicinais.

SÓ ATAQUES

Em suas declarações, o ministro do governo do presidente Jair Bolsonaro partiu para o ataque contra as universidades públicas brasileiras. “Foi criada uma falácia que as universidades federais precisam ter autonomia. Justo, autonomia de pesquisa, ensino. Só que essa autonomia acabou se transfigurando em soberania. Então, o que você tem? Você tem plantações de maconha, mas não são três pés de maconha, são plantações extensivas em algumas universidades, a ponto de ter borrifador de agrotóxico, porque orgânico é bom contra a soja, para não ter agroindústria no Brasil, mas na maconha deles querem toda a tecnologia que tem à disposição”, declarou Weintraub. O ministro ainda não se conteve e voltou a utilizar do discurso de ideologização dentro das universidades, buscado atacar quem se posicionar como de esquerda no País. “A verdade é que a gente aterrissou aqui [no ministério] há um ano e estamos começando a descobrir um monte de detalhes”, declarou o ministro, que completou sua posição repetindo que as instituições de ensino estavam “aparelhadas e dominadas por ideólogos extremistas de esquerda”. Um dia após as declarações, a associação das reitoras e reitores das Universidades Públicas (Andifes) divulgou nota, no dia 22, repudiando de forma veemente as declarações de Weintraub e informando que vai acionar a Justiça, para que se apure eventuais crimes de responsabilidade, improbidade, difamação ou prevaricação quanto às declarações do ministro da Educação.

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