Quebra de decoro parlamentar
CONSELHO DE ÉTICA ABRE PROCESSO CONTRA EDUARDO BOLSONARO
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Brasília, DF - O Conselho de Ética da Câmara abriu ontem processos contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).
Em entrevista à jornalista Leda Nagle, em outubro passado, o deputado afirmou que “se a esquerda brasileira ‘radicalizar’, uma resposta pode ser via um novo AI-5”. Um dia depois, ele disse que foi “um pouco infeliz” na declaração.
O pedido de cassação do deputado feito pelo PSOL, PT e PC do B se somará a outro da Rede e tramitará em conjunto. Ele se baseia no entendimento da oposição de que a declaração em que o filho do presidente Jair Bolsonaro defende um novo AI-5 configuraria abuso de prerrogativas concedidas a parlamentares.
Também foi instaurada uma representação contra Eduardo a pedido da correligionária Joice Hasselmann (PSL-SP). O PSL acusa o filho do presidente de quebra de decoro por realizar um “linchamento virtual” contra a deputada durante a briga entre os parlamentares do partido pela liderança da sigla na Câmara dos Deputados.
Joice e Eduardo ficaram em grupos opostos na briga entre aliados do presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), e de Jair Bolsonaro dentro do partido.
Joice, que faz parte do primeiro grupo, defendia a permanência de Delegado Waldir (PSL-GO) no comando da bancada. No entanto, deputados bolsonaristas conseguiram assinaturas para substituí-lo por Eduardo.
Segundo a representação, Eduardo fez ataques pessoais e ofendeu a colega nas redes sociais, em “campanha difamatória e injuriosa”. Anexado ao processo está a imagem de uma nota falsa de R$ 3 com o rosto de Joice, postada por ele.
“Eu não cometi crime nenhum”, afirmou Eduardo após a reunião. “Eu estou aqui por dois motivos. O primeiro por ter citado o AI-5, um processo então de viés totalmente ideológico já que é impetrado em conjunto pela Rede, PT, PSOL e PC do B”, disse. “E o outro é em relação a uma sátira que eu fiz no Twitter divulgando uma hashtag que estava crescente chamada ‘deixem de seguir a Peppa’, uma menção satírica em relação à deputada Joice Hasselmann que se enquadra na liberdade de expressão”, continuou.
Ele afirmou que os processos se tratam de censura e intimidação e disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, que na segunda-feira citou a possibilidade da volta de um AI-5, também está “sofrendo as mesmas consequências” e disse que a fala dele foi deturpada.
“O que nós queremos não é o retorno do AI-5, ninguém pensa em sequer fechar o Congresso Nacional”, disse. Ele afirmou que atos como o do Chile são terrorismo e merecem “a repulsa com muita energia por parte dos agentes do governo”. “Não se resolve com flores.”
Eduardo disse que não defendeu a volta do ato institucional que inaugurou o período mais duro da ditadura brasileira, em 1968. Em seguida, porém, diz que usou a expressão como exemplo.
Foram sorteados três deputados que podem ser relatores do projeto. Para o processo dos partidos de oposição, foram sorteados Igor Timo (PODE-MG), Darci de Matos (PSD-SC) e Sidney Leite (PSD-AM). Para o processo do PSL, foram sorteados Eduardo Costa (PTB-PA), Marcio Marinho (Republicanos-BA) e Marcio Jerry (PC do B-MA).