Dívida
CALOTE DE RENAN FILHO PENALIZA PRODUTORES DE LEITE
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Devido a falta de compromisso do governo Renan Filho (MDB) em resolver o problema do Programa do Leite, que novamente está com pagamento atrasado aos fornecedores por quase três meses, representantes de cooperativas de fornecedores de produto decidiram viajar até Brasília (DF), ontem, na tentativa de conseguir a liberação de recursos por parte do governo federal. A dívida com os 3.023 pequenos produtores já chega a R$ 9 milhões. Desse total, 20% são de responsabilidade do Estado.
O sentimento entre os milhares de agricultores familiares é de medo e apreensão, com a possibilidade de não receberem pelo fornecimento do leite, já que o final do ano se aproxima e com isso se encerra também o orçamento anual do Estado e o risco iminente de calote. Neste ano, o governo já deixou de pagar o mês de fevereiro aos fornecedores como a Cooperativa Pindorama, que até agora aguarda pela solução do débito, segundo confirma o presidente da instituição, Klécio Santos. Agora, já são cinco quinzenas em atraso.
“Pagamos aos nossos fornecedores e estamos esperando aqui que o governo nos reembolse. Mantemos contato com o secretário [estadual da Agricultura, Sílvio Bulhões]. É preciso que haja um compromisso de honrar com o pagamento”, reforça o presidente da Pindorama.
Para ele, a ação tem um benefício muito importante, pois, na ponta, tem-se os pequenos produtores que fornecem o leite e as famílias carentes que recebem o produto, mas, mesmo assim, tem faltado sensibilidade do governo para solucionar o problema. Como saída, os produtores tentam utilizar do conhecimento e da força política para solucionar a questão.
O programa em Alagoas conta com a participação de cinco cooperativas, CPLA, Pindorama, Copaz, Agra e Cafisa, que somam os 3.032 agricultores familiares, que fornecem diariamente 49 mil litros do produto por dia em benefício de 80 mil famílias cadastradas para recebimento do leite, segundo destaca Aldemar Monteiro, presidente da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), a maior fornecedora com 27 mil litros produzidos diariamente. Ele estava ontem em Brasília à espera de encontro com o superintendente do Ministério da Cidadania, José Roberto, sob o mesmo temor dos demais fornecedores. “Estamos no final de ano e com medo de ficar sem receber o dinheiro. É preciso levar a sério o Programa do Leite. Com esses atrasos a gente não consegue estimular os produtores, que ficam até sem condições até de fazer a feira de casa. É um programa social de baixo custo e que gera emprego”, ressalta. Em fevereiro deste ano, as cooperativas já estavam há quatro meses de atraso, sob ameaça de paralisarem as atividades, quando voltaram a receber. Agora, novamente, passam a enfrentar o mesmo problema, sem que o governo Renan Filho tenha apresentado encaminhamento de solução. E enquanto deixa atrasar o repasse aos agricultores familiares, o gestor estadual desvia recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep), que poderiam ser utilizados na ação social, para construir hospitais diante de um cenário de problemas também na área da saúde, como, por exemplo, atrasos constantes para o pagamento a hospitais que prestam atendimento contra o câncer a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).