Calote na previdência
CPI DO RIOPREVIDÊNCIA ALERTA ALAGOAS PARA RISCOS EM GESTÃO DE FUNDO
Deputado que preside comissão lembra que há ex-servidores cariocas no governo de Renan Filho
O grupo que integrava o Conselho Deliberativo do Rioprevidência, que está quebrado após sucessivos desvios e com um rombo de mais de R$ 17 bilhões, se espalhou pelo Brasil. Quem detectou isso foi o presidente da CPI da Rioprevidência, deputado estadual Flávio Serafini (PSOL). Alagoas, Minas Gerais e São Paulo são alguns dos estados que absorveram os “especialistas”. Para cá vieram técnicos como George Santoro, atual secretário estadual da Fazenda, e o presidente do Alagoas Previdência, Roberto Moisés. Os dois, conforme explicou o parlamentar carioca, não aparecem como figuras centrais. Ainda assim fez uma ressalva.
“O senhor Roberto Moisés tem responsabilidade no processo de reforma recente do Rioprevidência, e responde processo no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro”, disse Serafini ao responder perguntas encaminhadas pela Gazeta. Roberto Moisés chegou a ser chefe de gabinete de Gustavo Oliveira Barbosa, quando este assumiu a Secretaria Estadual da Fazenda do Rio (Sefaz/RJ), no governo de Luiz Fernando Pezão. À época, George Santoro foi nomeado secretário adjunto da Fazenda carioca. Já Reges Moisés, irmão de Roberto, assumiu o comando do Rioprevidência. Antes de vir a Alagoas, o ex-chefe de gabinete, Roberto Moisés, chegou a atuar em Brasília (DF), na gestão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), mas diante da repercussão do escândalo do Rioprevidência, acabou exonerando-o.
No dia 9 de dezembro, o deputado carioca estará em Alagoas alertando sobre a tragédia financeira provocada pela securitização que gerou uma dívida que fará o órgão pagar, até 2028, R$ 31 bilhões como parte do impacto da Operação Delaware. Vale lembrar que Alagoas já criou a Alagoas Ativos S.A., que é para viabilizar a securitização de créditos.
Segundo o parlamentar, não foi surpresa alguma descobrir que personagens da crise carioca ocupem cargos de evidência em Alagoas. Na verdade, conforme apurou o parlamentar, um grupo grande de servidores estão “espalhados” pelo país. “Esse grupo se espalhou pelo país levando o mesmo modelo que foi executado no Rio de Janeiro. Já encontramos técnicos espalhados por São Paulo, Minas Gerais e, agora, Alagoas”, revelou o deputado.
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Desde então, tem se dedicado a percorrer o país para alertar sobre os riscos que os sistemas de previdência estão correndo nas mãos dessas pessoas, porque aplicam fórmulas que já não deram certo e põem em risco os recursos dos servidores.
“O modelo que adotam compromete a saúde dos sistemas previdenciários, pois coloca nas costas dos servidor as custas do processo. Se produziu supostas verdades, mas o fato é que a securitização das receitas ajudou a comprometer os fundos”, garantiu o presidente da CPI do Rioprevidência. Ele lembra que sua maior preocupação é quanto à velhice dos servidores que deveria ser tranquila, porém, as fórmulas utilizadas tendo como “pano de fundo” os recursos previdenciários colocam isso em risco. “Estamos vendo que os regimes enfrentam o desafio do equilíbrio de suas contas para honrar de forma digna o pagamento para aposentados e pensionistas. É preciso deixar muito claro para os servidores que as operações de securitização são uma forma de burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para aumentar o nível de endividamento”, detalhou Serafini.