Política
Lessa anuncia reajuste e critica sindicatos, servidores e Judici�rio
MARCOS RODRIGUES O governador Ronaldo Lessa anunciou, ontem, no Palácio dos Martírios, em coletiva com a imprensa, os reajustes inferiores a 10% para os policiais civis, militares, servidores do Detran e professores. Durante a coletiva, Lessa surpreendeu os jornalistas ao fazer duras críticas aos setores do Judiciário, Polícia Civil e servidores do Detran. ?Alguns juízes legislam contra o Estado. Não vou descumprir a lei, mas vou travar uma luta política com eles. Não é justo que enquanto eu luto para diminuir desigualdades, alguns lutem para garantir castas e privilégios. Só quero que a justiça seja justa?, disse o governador, prometendo recorrer contra todas as liminares que garantem supersalários acima do teto do Estado de R$ 8.910. As críticas de Lessa também atingiram o Sindicato dos Policiais Civis e a instituição. ?A Polícia Civil cada vez mais eu me convenço que ela tem que ser enquadrada. Não pode um forçar que defende a lei ter o comportamento que esse sindicato tem tido com as autoridades. E aí pode está havendo uma proteção. Enquanto na PM se expulsa, na civil as mazelas são protegidas. Um ladrão e um bandido da Polícia Civil a gente demora anos pra botar pra fora. Isso não se justifica?, desabafou o governador. Antes mesmo do início da entrevista, ele perguntou se os representantes de todas as categorias estavam presentes no Salão de Despachos. Ao ser informado da ausência da maioria das lideranças, ele alfinetou: ?Os policiais civis só estão presentes na hora errada. Ô gente para andar na contramão?, disse. A última bronca do governador foi contra os recém-concursados servidores do Detran, que estão em greve. ?Quando fizeram concurso sabiam qual era o salário. Se não estão satisfeitos, saiam. Além disso, eles sequer superaram o período de estágio probatório?, lembrou o governador. Reajustes Sobre os reajustes para as categorias, o governador explicou que eles estavam sendo anunciados, de acordo com a capacidade financeira do Estado, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Segundo ele, o governo fez questão de refletir sobre todos os passos que seriam dados em direção às necessidades dos servidores e às possibilidades dos cofres do Estado. Os professores receberam um reajuste médio de 6%, oscilando entre 2,94% para os professores em início de carreira, e 7,03% para os profissionais com maior tempo de serviço. Para justificar os números, Lessa apresentou dados comparativos que revelaram quanto os profissionais da Educação recebiam no início de seu governo. Segundo os números, em janeiro de 1999 a média salarial da categoria era de R$ 449,88, enquanto, hoje (maio 2003), o valor subiu para R$ 867,50, o que representou um percentual acumulado de 92,83%. Policiais Os números para os policiais também não ultrapassaram os 10%, contra os 38% que reivindicavam, no início das negociações com o governo. A Polícia Militar, segundo o governo, teve, nos últimos quatro anos, um percentual acumulado de reajustes de 44,68%, o que elevou a média salarial da categoria de R$ 804,00, em 1999, para os atuais R$ 1.164,42. Por esse motivo, o governo anunciou um reajuste de apenas 6%, em média. Especificamente sobre a PM, o governador destacou, ainda, o aumento do contigente, que pulou de 10.139 para o atual efetivo de 12.271 policiais, após a realização de concurso. Com o proposto, a folha de pagamento saltará dos atuais R$ 13.479.841,20 para R$ 14.288.858,74, o que representa um incremento na folha de R$ 809.017,55. A Polícia Civil também ficou com um reajuste de 6%. Entre os números que foram apresentados sobre a categoria, Lessa demonstrou que quando assumiu o governo, em 1999, a média salarial da categoria era de R$ 652,34, e, com o reajuste proposto, essa média ficará em R$ 1.233,94. Isso representa um percentual acumulado de 89,16%. Com a proposta, um policial de nível médio, Classe D, passará a receber R$ 1.160,73. Já os de nível superior, também na Classe D, passarão a receber R$ 2.659,50. Já os funcionários do Detran terão um reajuste de 3% de forma linear, ou seja, para todos os níveis do escalonamento funcional do órgão.