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Professor deixa fita e dossi� que comprometem prefeito de Satuba

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Segunda-feira, 2 de junho. O professor de Educação Artística Paulo Henrique Bandeira Costa, 42 anos, casado, duas filhas, sabia que aquele poderia ser o seu último dia de vida. A prova disso está numa gravação onde procurou deixar claro que seus dias estavam contados. Ele saiu de casa para dar aulas na Escola Municipal Josefa Silva Costa, em Satuba, onde disse ter flagrado, diversas vezes, atos de desvio de dinheiro público do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), de merenda escolar e recursos repassados pelo Ministério de Educação para investimento nos professores. A GAZETA DE ALAGOAS teve acesso à gravação com exclusividade e conseguiu cópia do dossiê que o professor encaminhou aos seus familiares caso algo lhe acontecesse. Cópias do dossiê estão com autoridades da Polícia Federal e Secretaria Estadual de Justiça e de Defesa Social: ?Estou indo para o município de Satuba, onde o prefeito Adalberon de Morais me ameaçou de morte. Pode ser que eu não volte mais. O prefeito é um homem muito violento, não ouve ninguém e um dia terá de explicar a violência, as ameaças de mortes e os crimes que vêm praticando impunemente...?. São trechos da fita-cassete que está em poder da Polícia Federal e é do conhecimento da Secretaria Celular de Justiça e de Defesa Social. Na fita, o professor disse que várias vezes foi ameaçado de morte pelo prefeito, que, segundo ele, se mostra para os professores de Satuba ?como uma pessoa destemperada e capaz de qualquer coisa para não ter suas determinações contrariadas?. Dossiê O dossiê é usado como um dos pontos de partida nas linhas de investigações que a Secretaria de Defesa Social segue para esclarecer o crime do professor Paulo Bandeira, que chocou o País: ?Satuba, 14 de abril de 2003. São exatamente 17h50, final de tarde, quando recebi um recado para ir ao gabinete do prefeito, sr. Adalberon de Morais. Ao chegar na prefeitura, procurei o prefeito para falarmos sobre divergências administrativas junto à direção da Escola Josefa Silva Costa. O mesmo estava exaltado, descontrolado e foi extremamente radical comigo, não me dando oportunidade de falar, fez ameaças contra a minha pessoa e contra a minha própria vida. Nossa conversa terminou sem eu poder argumentar nada e ele altamente irritado determinou que o meu horário era feito da maneira que o conviesse e grosseiramente mandou-me retirar-se de sua sala. Saí da prefeitura indignado com tamanha prepotência. Que tirania é esta? Que usam o poder para amedrontar as pessoas e ridicularizar o servidor público? Confesso estar com medo, pois sou pai de família e temo pela minha vida, pois deste senhor pode-se esperar tudo, quem sabe até emboscada. Sei da fama do sr. Adalberon, de violento, onde o filho já esteve envolvido com crimes e ele já foi acusado de outros crimes, que apontam para ele como o mandante... Resolvi escrever esta missiva no intuito de me resguardar, documentar, pois, a partir de hoje, posso temer pela minha integridade física, peço a Deus que me ilumine. Na qualidade de cidadão que sou, sempre pautei minhas obrigações com decência, dignidade e comprometimento profissional?. Minha divergência... foi por causa das ações do P.D.E, sobre uma oficina pedagógica que custou R$ 1.400,00 e foi negociado diretamente com a firma Fenix... Não concordei com esta atitude e ameacei contar, pois até hoje não foram entregues certificados dos cursos aos professores, uma vez que a carga horária da ação de (7 horas cada) em cada bimestre, totalizando 28 horas-aulas, a oficina aconteceu durante apenas dois dias, o que soma 16 horas-aulas, e sempre que tentei saber isto houve divergência... Outra divergência foi a gincana cultural, em que foi cobrado de cada aluno o valor de R$ 2,00 para inscrição, onde se apurou o valor de R$ 1.192,00, com uma despesa de R$ 455,00, relativos ao aluguel do som de R$ 250,00, mais R$ 100,00 do almoço dos professores organizado na escola e R$ 105,00 com filmagens e decoração do ginásio de esporte. Deixo cópia desta denúncia anexada a este processo para que faça valer a verdade. O que sobrou do dinheiro da gincana foi R$ 737,00... e deu destino, sabe lá Deus... Muitas coisas efetuei nesta escola. Gostaria de citar algumas: o carro onde é colocado a TV e o vídeo foi doação minha; as salas dos professores, toalhas de mesas, arranjos de flores e painéis das salas foram feitos por mim; colocação de todos os quadros brancos da sala (instalação). Concertos das portas dos armários, bem como os portas-cadeados do armários dos professores; o quadro de Cristo da secretaria do colégio; os painéis na escola, todos são feitos por mim, o armário verde e branco da sala dos professores foi feito por mim; a organização da tabela do Conselho de Classe, como direcionar, montar o conselho e orientar. Finalizo esta carta pedindo que façam uma análise junto aos alunos e aos professores concursados sobre minha vida. Paulo Bandeira?. O dossiê tem quatro páginas.

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