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Turismo vive a pior crise dos �ltimos cinco anos

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ARNALDO FERREIRA Um dos grandes potenciais econômicos de Alagoas, e que deveria estar faturando alto, vai de mal a pior. Em Maceió, o Turismo está em pleno declínio. Os investimentos prometidos em áreas vitais, como saneamento básico, obras para garantir a balneabilidade das praias da capital, coleta de lixo e recuperação das ruas esburacadas, ainda são promessas ou não funcionam como deveriam e agora irritam os empresários que cobram mais ação e menos discurso das autoridades municipais. A GAZETA DE ALAGOAS teve acesso ao relatório que o Convention & Visitors Bureau- setor de captação de eventos- elaborou sobre os principais problemas sentidos na pele pelos empresários do setor e é uma radiografia da situação. Os dados comparativos da ocupação média dos hotéis (período de janeiro a abril) mostram que em 1999 a ocupação era de 68,41%; em 2000 a taxa caiu para 67,85%; em 2001 a taxa voltou a cair para 65,32%; 2002 trouxe nova queda para 57,43% e no primeiro trimestre deste ano a recessão no setor ficou mais visível com a queda na taxa de ocupação hoteleira bem acentuada, 20,30%. Numa pesquisa de demanda turística de 2002, onde uma das fontes é a própria Secretaria Estadual de Turismo - Setur, aparece como aspectos positivos na avaliação anual do turismo alagoano: praias, hospitalidade, atrativos naturais, passeios, clima, gastronomia, orla, tranqüilidade, artesanato, bares e restaurantes. Os negativos estão ligados aos serviços de responsabilidade do poder público como: sujeira da cidade, praias sujas, buracos, pobreza/miséria, segurança pública, falta de sinalização urbana e turística, desvalorização da cidade e preços. A pesquisa feita junto aos turistas não ficou apenas na discriminação dos pontos positivos e negativos. Apresentou cinco sugestões emergenciais: limpeza da cidade, valorização da cidade e do povo, limpeza das praias, ampliação e melhoria do aeroporto. O diretor e editor da revista alagoana ?Turismo & Negócios?, jornalista Antônio Noya, além de revelar que existem contradições entre os empresários do setor, confirmou que o turismo de Maceió vive uma crise muito séria. Segundo ele, a cidade de Natal (RN) é o destino do nordeste brasileiro que atualmente recebe maior número de vôos fretados internacionais, em torno de oito semanais, contra um esporádico de Alagoas. O presidente do Convention Bureau, empresário Afrânio Lages, destacou como ponto positivo o investimento na ampliação e na modernização do aeroporto de Maceió e a construção do Centro de Convenções de Jaraguá. Porém, lamentou a falta de recursos para investimentos na divulgação das potencialidades de Alagoas e cobrou a melhoria da infra-estrutura da capital alagoana. ?Maceió precisa ser uma cidade bem cuidada, sem buracos, com esgoto, com coleta de lixo eficiente e praias limpas. O turista que vem aqui e encontra a cidade do jeito que está não volta mais e ainda faz propaganda negativa?, frisou. Já o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurante e Similares, empresário Carlos Nogueira, não fez críticas ao poder público. Ele observou que a queda do movimento do Turismo acontece em todas as capitais brasileiras e na sua avaliação está ligada à recessão na economia brasileira e à alta do dólar. O representante da companhia aérea TAM em Alagoas, Átila Borges, explicou que sua empresa realiza três vôos diários e nos fins de semana, dois extras e fretamentos. ?Nossa empresa enfrenta a recessão como a maioria das empresas do mercado de negócio e de turismo. A ocupação da frota gira em torno de 45% a 47%. Isto é o retrato da crise?. Explicou, ainda, que o querosene da aviação no primeiro trimestre teve reajuste de 49%, houve aumento de 52% dos custos das companhias aéreas. Essas despesas são em dólar. Somado a isso, tem ainda a carga tributária do bilhete aéreo, da ordem de 35%. Daí Átila Borge explicou que a Fusão com a Varig, que realiza cinco vôos para Alagoas, vai evitar que a crise se agrave mais nas duas empresas. Mesmo assim, sugere que Maceió realize um trabalho similar ao de Fortaleza (CE), onde as empresas de Turismo, pelo menos uma vez por semana, se reúnem para discutir e apresentar soluções para o setor. O proprietário do Hotel Ponta Verde, Mauro Vasconcellos, num desabafo resumiu bem como vai o Turismo desta capital: ?Em 23 anos de existência de meu empreendimento este é o pior ano?. A crise é grave neste momento porque, segundo Vasconcellos, houve falta de investimento em infra-estrutura, divulgação e ainda tem a recessão nacional. O empresário destaca que a situação só não é pior porque a cidade é privilegiada por Deus. ?Mas temos de trabalhar para preservar. Os problemas todos conhecem?. O senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), em pronunciamento no Senado, aproveitou para cobrar do governo Lula a liberação dos recursos para a continuação das obras estruturantes, como Canal do Sertão, ampliação do aeroporto, revitalização do complexo lagunar Mundaú/Manguaba e do São Francisco. ?Essas obras são fundamentais para o desenvolvimento da economia, do turismo alagoano?, desatou. Prefeitura A secretária de Promoção do Turismo, Perolina Lyra, defendeu a Prefeitura. ?Nenhum governo investiu tanto quanto o nosso. Recuperamos estradas, patrimônios, nossas praias têm 100% de balneabilidade no verão e estamos trabalhando bastante na limpeza urbana e das praias?. Porém, a secretária reconheceu a necessidade de se investir mais em saneamento básica e na infra-estrutura. Contudo, lembrou que para isso a prefeitura depende de recursos do governo federal. Com relação à divulgação, lembrou que o poder público têm atraído as empresas e os profissionais especializados. ?Já os investimentos nas estradas dependem de recursos do governo federal, que está numa fase de ajustes?, disse Perolina.

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