Política
Deputado admite ser candidato a prefeito de Macei� no pr�ximo ano
ARNALDO FERREIRA O industrial e deputado federal João Lyra, presidente do diretório estadual do PTB, procura despistar quando é indagado sobre sua pretensão de concorrer à Prefeitura de Maceió no próximo ano, mas já não parece haver dúvida de que seu objetivo é este. ?Os entendimentos, os fatos, podem nos levar à candidatura a prefeito de Maceió, mas ainda não há nada em curso?, afirma. Considerado um dos empresários bem-sucedidos da agroindústria canavieira, Lyra é cortejado por parte da classe política, desde que sua assessoria passou a trabalhar o ?lobby? da suposta candidatura a prefeito. Os convites para aparições públicas não param. Na última terça-feira, participou da sessão especial da Câmara de Maceió, como típico candidato: concedeu entrevistas, criticou a administração pública, defendeu sem-terra e empresários. Sobre sua candidatura, porém, fez mistério. *** - Como o senhor se sente tendo seu nome como um dos candidatos a prefeito de Maceió? - Vejo isto com naturalidade. Na hora em que a gente se dispõe a ser político, acontecem episódios desta natureza. - Então, o senhor é mesmo candidato a prefeito? - O que eu posso assegurar é que não existe nada de novo sobre isso. Não há veracidade nenhuma sobre este aspecto, ainda. Tudo pode acontecer daqui para frente. - Mas, o senhor nega a sua candidatura? - Olha, na última entrevista que concedi à imprensa, o repórter me perguntou de maneira muito interessante: ?O senhor gosta de futebol, então, como é que o senhor vai participar das próximas eleições municipais??. Eu respondi que gosto muito de futebol, agora não sei se estarei sentado na arquibancada, torcendo, ou jogando. - O que falta para o senhor definir se vai estar jogando ou na arquibancada da partida marcada para 2004, em Maceió? - Aaah... Falta muita coisa. Daqui para lá (2004), o desenrolar dos acontecimentos, dos fatos é que vai dizer, definir o caminho a seguir... Como dizia o velho Magalhães Pinto: ?Política é como as nuvens: hoje elas estão de um jeito, de um formato, amanhã se desfazem, se apresentam de outra maneira.? - Na movimentação de bastidores o senhor aparece como se estivesse em campanha... - Não, não. Estou trabalhando como deputado federal... - O senhor demonstra ter total controle sobre o seu PTB. Mostra influência, inclusive, para dizer quem fica como deputado, quem abre espaço para suplentes assumirem... - Não. Não tenho influência assim no PTB. Eu tenho amigos. Hoje, tenho um grande contingente de amigos que me escuta, que debate comigo as questões partidárias, discute comigo... Mas não gosto de ter este tipo de influência taxativa em cima de fulano, de beltrano, ou sair por aí dizendo que tenho isso, aquilo, que tenho uma bancada. Isto não existe. Nós buscamos discutir as questões partidárias, buscamos o nosso entendimento com os companheiros políticos. - Há quem diga que a posição do deputado estadual Dudu Albuquerque, de se afastar de seu mandato, seria uma influência do senhor... - Quem? Que deputado? Albuquerque? - Estamos falando sobre a posição do deputado Dudu Albuquerque, que está tirando licença para facilitar que o suplente Marçal Fortes, próximo ao senhor, assuma a cadeira de Dudu, na Assembléia Legislativa... - Não, não teve nada assim, não tive influência neste caso. Olha, eu, para falar a verdade, fiquei surpreso ao tomar conhecimento desta informação. - Como o senhor soube? - Estava em Brasília, quando Marçal me telefonou dizendo que iria assumir. Então eu questionei: Como é, Marcal, vai assumir o quê e aonde? Então, ele próprio me informou que estava indo assumir uma cadeira na Assembléia Legislativa. - O que o senhor acha que aconteceu? - Não sei. Foi um problema deles. Dudu e Marçal são do mesmo partido, se acertaram entre eles e eu acho isso normal, natural da política partidária. - Retomando a discussão sobre a Prefeitura de Maceió, hoje, há uma conjugação de partidos. Os nanicos, o seu próprio PTB, já afirmam que o senhor é mesmo candidato a prefeito. Estes partidos estão errados? - (...risos) Olha... Ninguém pode trancar a boca das pessoas, dos parlamentares, dos amigos. Eles, no entanto, diretamente, não propuseram nada. - Mas o senhor já conversou com os políticos, com os líderes do partido, com os amigos, sobre eleições municipais? - Eu ainda não troquei idéia nenhuma sobre eleições municipais. - O sr. nega haver algum interesse de sua parte em administrar Maceió? - Meu querido, quem entra em política, como eu entrei - e não preciso de política, não vivo de política partidária, tenho do que viver e onde trabalhar -, só tem um interesse: ajudar. - Ajudar quem? - Ajudar Maceió, ajudar o Estado de Alagoas, ajudar seja quem for. O único interesse que tive ao entrar na política foi esse. Eu não preciso de política, não vivo de política, não era político partidário, mas sempre gostei da política, sempre estive participando das discussões. Agora, resolvi entrar na política exclusivamente para ajudar Alagoas. Já tinha muita experiência na vida privada. - Já que o senhor diz que entrou para ajudar. O que acha que Maceió, por exemplo, precisa? - Maceió precisa de tantas coisas que fica até difícil enumerá-las. Fundamentalmente, percebo que a cidade precisa desenvolver, crescer e gerar empregos. - Como o senhor vê a questão da violência? - Violência é uma conseqüência da elevação do desemprego. O homem precisa de emprego. Veja o problema dos trabalhadores sem-terra. Estava acompanhando o problema deles. Aquilo é fome, meu amigo... Fome. A maioria dos sem-terra precisa comer, precisa ter comida. Então, acontecem muitos fatos gerados pela falta de emprego, de trabalho. Numa invasão, de não sei quantos sem-terra, se 80% deles estivessem empregados, não estariam fazendo isso. Tem uma minoria que faz agitação dentro do problema, mas a grande maioria enfrenta o problema da fome. - Todos os problemas que o senhor acaba de enumerar são desafios que podem levar a sua candidatura a prefeito? - Eu digo sempre: quando uma pessoa entra na política não pode dizer ?não? e nem ?sim? sobre determinados projetos. Você tem de ir de acordo com as circunstâncias. Como já enfrentei a batalha para ser deputado federal, demonstrei que estou preparado para enfrentar outras batalhas. Agora, neste momento, não tenho nada definido. Acredito que tem outras pessoas, muitas são boas e preparadas, para enfrentar a batalha pela Prefeitura de Maceió. - Quem sãos essas pessoas preparadas para administrar Maceió? - Ah, eu não posso exemplificar. Terei de citar vários nomes. Agora, não tenham dúvidas de que há gente boa entre os empresários, no meio político... - Já que o senhor não se define sobre as eleições de 2004, o que o senhor pensa sobre as eleições de 2006, quando os eleitores voltam às urnas para eleger presidente da República, governadores, deputados federais e estaduais? - Olha, 2006 ainda está muito longe. - João Lyra é candidato a quê em 2004? - João Lyra não é candidato, ainda, a nada. Estou cumprindo um mandato que recebi de uma forma muito expressiva do povo alagoano. - Mas o que o senhor pensa sobre a candidatura a prefeito? - Não respondo a questão porque não tenho definição para isso, neste momento. Agora, também não digo que não sou candidato. Os entendimentos, os fatos podem nos levar à candidatura de prefeito. Hoje, posso assegurar que não há nada em curso sobre as eleições municipais.