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Prefeito de Satuba est� preso em cela do Baldomero Cavalcante

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ARNALDO FERREIRA E MARCOS RODRIGUES O prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes (PTB), está preso desde ontem no Presídio Baldomero Cavalcante, para onde foi levado depois de apresentar-se na sede da Polícia Federal em Maceió. O desembargador Orlando Cavalcante Manso, da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, decretou a sua prisão preventiva. Ele vai aguardar julgamento, acusado de crime de homicídio qualificado, como autor intelectual do assassinato do assessor parlamentar Jeams Alves dos Santos, numa das celas especiais do presídio. O crime ocorreu em 30 de dezembro passado, no quintal da casa da vítima, em Satuba. Adalberon é acusado ainda de envolvimento com a morte do professor Paulo Henrique Bandeira Costa Barros, 42 anos, que o acusou de desviar recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). A prisão do prefeito de Satuba foi decretada para ?garantia da Ordem Pública e assegurar a aplicação da lei, na forma dos artigos 311 e 312 do Código Penal?, disse a assessoria do desembargador Orlando Manso. Seu decreto de prisão ficou de ser publicado na edição de hoje do Diário Oficial do Estado. Além de Adalberon, estão presos o cabo PM Ananias Oliveira Lima ?cabo Lima? e o cabo reformado Geraldo Augusto Santos da Silva, ?cabo Augusto?, que trabalhavam como seguranças do prefeito. Os três foram denunciados por crime de homicídio qualificado de natureza hedionda, se forem julgados e condenados estão sujeitos a pena de até 30 anos, cada um. A denúncia e o pedido de prisão são do procurador-geral de Justiça substituto Carlos Alberto Torres e foi apreciado pelo TJ em menos de 24 horas. Por volta das 14 horas, as polícias Federal, Civil e Militar saíram para cumprir a ordem judicial. Às 17 horas, o secretário de Justiça e Defesa Social, Robervaldo Davino, confirmou a prisão do prefeito, que apresentou-se à Polícia Federal. Os seus seguranças foram presos anteontem. Davino explicou que o inquérito sobre a morte do professor Paulo Henrique agora vai correr com mais facilidade. ?Com o prefeito preso, as testemunhas podem se sentir mais seguras para depor?, acredita. *** Defesa tenta habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal A defesa do prefeito Adalberon de Moraes entrará, hoje, em Brasília, com um pedido de habeas-corpus. A petição será feita ao Supremo Tribunal Federal, por se tratar de caso envolvendo uma autoridade municipal. O advogado viaja ainda no primeiro horário, para adiantar o pedido. Segundo o advogado criminalista Welton Roberto, o mesmo que defendeu o coronel Cavalcante e seus irmãos, a estratégia consistirá em contestar a participação dos seguranças do prefeito, já presos, no crime do assessor parlamentar Jeams Alves. Ele negou a participação do prefeito na autoria intelectual do crime. ?Mostraremos que o prefeito não teve participação no caso e nem seus seguranças. Por isso, pedirei que a polícia apresente provas materiais, como o exame residuográfico nas mãos dos acusados?, explicou. Ontem, a Câmara de Vereadores de Satuba realizou sua primeira sessão ordinária, à noite, após o prisão do chefe do Executivo. Em contato com a presidenta da Câmara, Edvan Marques Malta (PFL), ela disse, ainda, não saber qual encaminhamento seria tomado pela Legislativo. ?Entramos em contato com o vice-prefeito José Zezito Costa (PTB), mas ele também não conhece muito a situação. Por isso, vamos ao TRE com nosso advogado para, aí sim, tomar uma decisão?, explicou. A vereadora disse que diante das explicações do tribunal, os vereadores deverão se reunir, hoje, extraordinariamente, para indicar quem ocupará o cargo definitivamente. Até lá, ela fica interinamente no cargo, por determinação legal. Em Satuba existem nove vereadores. Seis são da bancada do prefeito. *** Prefeito deixou a PF algemado O prefeito do município de Satuba, Adalberon de Moraes (PTB), apresentou-se, ontem, no final da tarde, na sede da Polícia Federal, em Jaraguá, acompanhado de seu advogado, Welton Roberto, e de um irmão. Ele decidiu chegar antes de ser localizado por policiais militares, civis e federais que estavam a sua procura, desde que sua prisão foi decretada. Adalberon entrou pela porta da frente do prédio passando por policiais da entidade que realizavam o segundo dia de protestos contra as reformas do governo federal. Lá, foi autuado e seguiu para uma das celas especiais do Presídio Baldomero Cavalcante, por conta de ainda estar na condição de acusado e por deter o mandato de prefeito. Adalberon não falou com a imprensa, mas demonstrou uma aparente tranqüilidade. Numa das mãos segurava um maço de cigarros. Dentro do prédio, enquanto era acompanhado pelo delegado Arivaldo Menezes Marques, um contratempo o fez passar por baixo de uma das roletas que antecedem a sala da superintendência ? a roleta estava travada. Sua permanência na PF foi rápida, menos de uma hora. De lá, foi levado para o presídio Baldomero Cavalcante, já na condição de preso à disposição da Justiça. Por isso saiu algemado. Na quarta-feira, dia em que a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia esteve em Satuba, ele revelou que ainda não tinha advogado de defesa, pois se considerava inocente. Indagado sobre a possibilidade de sua prisão, ele dissera que se isso ocorresse seria na condição de inocente. ?Se for preso, serei como um passarinho: inocente?, revelou. A prisão de Adalberon ocorre depois de muita movimentação das entidades de Direitos Humanos, do governo do Estado, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteal) e até do ministro da Educação, Cristovam Buarque. (MR)

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