Política
Deputado admite que apenas 28%�dos servidores da ALE trabalham
ARNALDO FERREIRA A suspeita que existia e fora reforçada, recentemente, por denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Assembléia Legislativa, foi confirmada, ontem, em declarações do primeiro secretário da mesa diretora do Poder Legislativo, deputado Arthur Lyra (PMDB). Ele admitiu que entre as 1.426 pessoas que atualmente recebem para trabalhar naquela casa, entre servidores do quadro efetivo, procuradores, deputados, diretores, funcionários à disposição, comissionados e prestadores de serviço, não mais que 400 (cerca de 28%) atuam efetivamente no Poder Legislativo. Há vários servidores, entre comissionados e efetivos, supostamente, à disposição de deputados, no Interior, onde a ALE não tem escritório e muito menos gabinete. As declarações de Arthur Lyra foram em resposta a novas indagações do procurador regional do Trabalho em Alagoas, Alpiniano Prado, que diz ter descoberto irregularidades na folha do Legislativo enviada recentemente à Procuradoria. Uma delas seria a continuidade do pagamento de salário em nome do falecido ex-governador José Tavares, como ex-deputado. ?O que aconteceu é que o ex-governador morreu no dia 27 de abril e a folha foi encaminhada à Procuradoria um dia após. Estava muito em cima para fazer modificação nos dados. Mas estamos trabalhando para fazer da Assembléia a mais transparente possível?, garantiu Lyra, em contato com a GAZETA DE ALAGOAS. Mas essas declarações do primeiro secretário da mesa diretora não satisfazem a Procuradoria do Trabalho. Na relação de pessoal que se encontra com o procurador, consta que 921 servidores são do quadro de efetivos; 358 são aposentados; 15 são procuradores aposentados; três procuradores da ativa; 27 deputados; 47 ex-deputados; 15 em cargos de direção; 11 à disposição; 402 servidores em cargos de comissão e mais 58 prestadores de serviço, que totalizam 1.857 servidores na folha de pagamento. O valor da folha é outro mistério que nem a Procuradoria e deputados, como Paulo Fernando dos Santos-Paulão (PT), tentam descobrir há meses. Alpiniano Prado deverá proceder cruzamento da folha da Assembléia e vai querer saber da mesa diretora atual quem entrou por anuência na na ALE e quem do quadro efetivo tem estabilidade. ?Não existe nada de pessoal. A Procuradoria apenas quer o cumprimento da lei que determina que o acesso ao serviço público tem de ser através de concurso?, frisou Alpiniano Prado.