Política
Pol�cia prende um dos acusados na morte do professor em Satuba
MARCOS RODRIGUES A polícia prendeu, ontem, no fim da tarde, o motorista particular do prefeito Adalberon de Moraes, Deilton Pereira Ferro. Ele é, segundo o diretor central de polícia, delegado Roberto Lisboa, e o delegado Cícero Lima, que preside o inquérito que investiga o assassinato do professor Paulo Henrique Bandeira, um dos suspeitos do crime, ocorrido em Satuba. Deilton foi levado à sede da Polícia Federal, onde passou a noite. Desde o fim da manhã de ontem, ele já tinha conhecimento do nome do suspeito. ?Só dependemos da determinação da justiça para que ele seja preso. E quanto à autoria intelectual, diante dos elementos que temos, continua direcionada, como principal suspeito, o prefeito?, disse Lisboa. A revelação do delegado foi feita durante a audiência do vice-governador Luiz Abílio (PSB), com o coordenador nacional do Fundef, Francisco Chagas, e representantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputados Paulo Fernando dos Santos (PT) e Maria José Viana (PSB). No encontro, estiveram presentes, ainda, Delson Lira, do Ministério Público Federal, Narciso Fernandes, do Conselho de Direitos Humanos da OAB, o presidente do Conselho Estadual do Fundef, professor Milton Canuto, e o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, advogado Everaldo Patriota, além do superintendente da Polícia Federal, delegado José Paulo Rubim Rodrigues. Na reunião saíram duas propostas. Uma delas recomenda que as polícias civil e militar formem um grupo de combate ao crime organizado e que o governo do Estado encaminhe ao ministro Waldir Pires, da Controladoria Geral da União, que investigue o município de Satuba. Ambas as sugestões foram acatadas pelo vice-governador Luiz Abílio. De Brasília veio o ouvidor da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, advogado Pedro Montenegro. Ele informou que antes mesmo de manter contatos com o ministro dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, ele já havia recebido informações sobre os detalhes da morte do professor Paulo Bandeira e determinou sua vinda para acompanhar o caso e articular ações que ajudem nas investigações. ?Isso foi uma coisa que me causou muito impacto e ao ministro. Por isso fui enviado para cá para articularmos um trabalho com o Ministério da Educação e os segmentos envolvidos para chegarmos ao esclarecimento. Esse não foi um crime apenas contra o professor, mas contra cidadania. Ele estava denunciando na condição de cidadão. Por isso queremos fazer desse caso um exemplo para evitar outros episódios. Daremos apoio, principalmente no contato com os órgãos envolvidos?, explicou. Já o coordenador nacional do Fundef, Francisco Chagas, disse que o governo federal tem interesse em esclarecer as denúncias. ?Tememos que a morte do professor sirva como forma de silenciar que tem denúncias. Como ele denunciou desvio de recursos estamos aqui verificando o que vem sendo feito para apurar o caso. Fiquei feliz em saber que a PF já instaurou inquérito e vai investigar o caso?, disse. Antes de retornar a Brasília, ele visitou o procurador-chefe do Ministério Público, Dilmar Camerino, e a secretária executiva de Educação. /// Abílio garante que morte de Bandeira não ficará impune O coordenador nacional do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), Francisco Chagas, reuniu-se, ontem, com o governador em exercício Luiz Abílio. ?Estou aqui para ouvir o Estado explicações sobre o andamento das investigações do crime do professor Paulo Henrique?. Abílio foi rápido e assegurou que ?as investigações estão adiantadas e o crime será esclarecido na forma da lei?. O coordenador do Fundef veio a Alagoas cumprindo determinação do ministro da Educação, Cristovam Buarque. O ministro ficou chocado com o crime. O professor Paulo Henrique foi queimado vivo depois de denunciar o envolvimento do prefeito Adalberon de Moraes (PTB) com desvios de recursos do Fundef. ?Se este crime não for esclarecido terminará incentivando a prática criminosa e levará a população a não denunciar futuros delitos?, frisou o coordenador do Fundef. Mas Luiz Abílio tranqüilizou a comitiva de autoridades federais que acompanhava o coordenador do Fundef. ?As polícias Federal, Civil e Militar trabalham em conjunto para esclarecer o caso. Este crime não vitimou apenas o professor Paulo Henrique, mas toda a sociedade alagoana?, frisou. O diretor da Polícia Civil, Roberto Lisboa, apresentou um relatório sobre as investigações e mostrou algumas provas, como a carta manuscrita e a fita deixada pelo professor Paulo Henrique. O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Everaldo Patriota, quer a participação da Controladoria Geral da União nas investigações. (AF)