Política
Depoimentos de testemunhas incriminam prefeito de Satuba
Das quatro testemunhas ouvidas, ontem, no Fórum de Satuba, sobre a morte do assessor parlamentar Jeams Alves dos Santos, dois confirmaram que a vítima agonizante denunciou os cabos da PM Ananias Oliveira Lima e Geraldo Augusto Santos da Silva como as pessoas que atiraram nele no dia 30 de dezembro de 2002. O crime ocorreu depois de Jeams discutir com o prefeito Adalberon de Moraes (PTB) num bar da cidade. O motorista José Ivo Gomes do Nascimento, da prefeitura, depois de denunciar os dois cabos que eram seguranças do prefeito Adalberon (preso como suspeito de ser o mandante do crime), diz ter sofrido a primeira represália. Segundo ele, o prefeito em exercício, José Zezito, o transferiu para trabalhar na zona rural. ?Estou com medo de vingança. Mas eu não podia mentir na Justiça. Ouvi Jeams dizer que quem atirou nele foram os seguranças do prefeito?, disse. A outra testemunha, que diz ter ouvido o filho citar os nomes dos cabos, foi a senhora Osvani da Silva Alves, mãe de Jeams. Uma outra testemunha, Ricardo Vieira de Melo, que estava ao lado da vítima, disse que não viu nada porque correu na hora dos tiros. O vigilante Jadilson dos Santos também negou ter ouvido as últimas palavras de Jeams. Os depoimentos foram prestados ao juiz Sérgio Persiano e ao promotor Jorge Dórea. Eles ainda vão ouvir mais cinco testemunhas da promotoria. O clima na cidade estava tenso. Alguns funcionários foram arregimentados para ficar na porta da prefeitura com cartazes favoráveis e sob ameaças de perderem seus empregos. A família de Jeams também estava com cartazes que pediam justiça para o crime do professor Paulo Henrique Bandeira, queimado vivo no dia 7 de junho, depois de denunciar o prefeito no desvio de recursos da Educação. Os cabos chegaram algemados no Fórum que estava cercado por militares do Bope. Na delegacia da cidade, o delegado Cícero Lima, continuava as investigações para esclarecer a morte do professor. Técnicos do Tribunal de Contas voltaram a investigar a contabilidade da prefeitura e a movimentação dos recursos do Fundef. Notas fiscais suspeitas foram recolhidas para análises mais detalhadas. O prefeito, da cadeia, monitorava a movimentação em Satuba. O advogado de defesa, Welton Roberto, garante que os depoimentos ajudaram na defesa do cliente. (AF)