Política
Pol�cia vai indiciar acusados de matar professor Bandeira
ARNALDO FERREIRA A partir desta semana, o delegado Cícero Lima, presidente do inquérito policial que investiga a morte do professor Paulo Henrique Costa Bandeira, começa a indiciar os envolvidos como autores materiais e intelectual do homicídio que chocou o País. ?Esta semana, ouviremos mais suspeitos, entre eles quatro envolvidos no crime, e, imediatamente, os indiciaremos. Vamos solicitar a prisão preventiva de alguns deles?, afirmou, ontem, o delegado, à GAZETA DE ALAGOAS. Cícero Lima deu a entender que o caso já está esclarecido. Porém, não revelou os nomes que vão ser indiciados como autores do homicídio. ?O inquérito está na fase conclusiva. Adiantar os detalhes, neste momento, pode prejudicar todo o trabalho da polícia?, justificou o delegado. O prefeito Adalberon de Moraes (PTB) - que continua preso como um dos suspeitos de ser o mandante da morte do assessor parlamentar Jeams Alves dos Santos - será o último a depor. O seu depoimento ainda não tem dia definido, mas sabe-se que acontecerá na próxima semana, no Departamento de Polícia do Interior (Depin), na presença de autoridades da cúpula das secretarias de Justiça e de Defesa Social. Queimado Em maio passado, o professor Paulo Henrique, temendo ameaças de morte que disse ter sofrido do prefeito Adalberon, gravou um depoimento e fez um manuscrito onde denunciou autoridades municipais da Educação e o próprio prefeito, de estarem envolvidos com desvio de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). No dia 7 de junho, Paulo Henrique trabalhava na Escola Josefa da Silva, quando fora atraído para uma emboscada. Acorrentando dentro do próprio carro, o professor foi queimado vivo, com o álcool comprado com parte do dinheiro do Fundef. A polícia e o Tribunal de Contas já constataram os desvios denunciados pelo professor e outras irregularidades, muito mais graves, praticadas com recursos públicos, no município de Satuba, hoje também conhecida como a ?terra do medo?. O crime trouxe a Alagoas o coordenador nacional do Fundef, Francisco Chagas, e autoridades da Comissão Nacional de Direitos Humanos. Motivou também o MEC a elaborar um relatório sobre irregularidades no Fundef. Cópias do relatório estão com a Procuradoria Geral de Justiça e envolvem cinco anos de investigações, em 55 dos 102 municípios alagoanos.