Política
Auditores federais fazem nova devassa nas contas de Satuba
ARNALDO FERREIRA Um equipe de dez auditores da Controladoria Geral da União, protegida por agentes da Polícia Federal, começou, ontem, em Satuba, nova devassa nas contas públicas do município. Antes de começar a trabalhar, a equipe de auditores federais se reuniu com os secretários municipais e com o prefeito em exercício, José Zezito (PTB). Os técnicos deixaram claro que todos os contratos que envolveram recursos federais vão ser analisados e a aplicação dos recursos vistoriada. A reunião teve início às 9 horas, a portas fechadas. O coordenador da equipe de auditores, Alan Almeida, revelou à GAZETA DE ALAGOAS que a auditoria fica em Satuba até o dia 8 de agosto e vai checar notas fiscais, visitará obras e fiscalizará como se deu a movimentação dos recursos federais nos últimos anos. Satuba ficou nacionalmente conhecida depois que o professor Paulo Henrique Costa Bandeira denunciou desvio de recursos da Educação e do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). No dia 7 de junho, o corpo do professor foi encontrado carbonizado, acorrentado ao seu próprio carro, o que levou a Polícia a concluir que ele foi queimado vivo. Dias depois, a família de Paulo Henrique divulgou um manuscrito e uma fita onde o professor relata, inclusive, que tinha sido jurado de morte pelo prefeito do município, Adalberon de Moraes (PTB), que está preso, como acusado de ser o mandante do assassinato do assessor parlamentar Jeams Alves dos Santos, ocorrido no dia 30 de dezembro passado. Adalberon nega o seu envolvimento nos dois crimes. Irregularidades As denúncias do professor Paulo Henrique estão sendo comprovadas pelo Tribunal de Contas (TC) de Alagoas. A equipe de auditores do TC, depois de duas semanas promovendo devassa nas contas públicas de Satuba, encaminhou, ontem, ao presidente da corte, conselheiro Edval Gaia, um relatório repleto de irregularidades que comprometem a administração do prefeito preso. O diretor da Divisão de Fiscalização Municipal do TC, Dario César Barbosa, adiantou que o trabalho feito por sua equipe aprofundou a constatação de irregularidades já citadas pelo próprio presidente do Tribunal Edval Gaia, quando divulgou o relatório parcial sobre as investigações dos auditores. ?Entre os problemas, os mais graves são: emissão de cheques sem fundo com a conta do Fundef, licitações viciadas, porque só uma pessoa ganhava as licitações das obras municipais e, curiosamente, era a mesma pessoa que elaborava o projeto licitatório, notas fiscais frias e desvio de finalidade na aplicação dos recursos do Fundef. Um dos casos é relativo a um carro comprado para servir à Educação e que sempre esteve à disposição da Secretaria Municipal de Administração?, disse Dario César. Com a conclusão da devassa, o presidente da corte de Contas vai designar um relator para emitir um parecer final. Em 15 dias, esse parecer será julgado pelo pleno do TC e cópia do resultado do julgamento será enviada para a Câmara de Satuba, que julgará as contas do prefeito, para o Ministério Pública que decidirá ou não por abertura de procedimento criminal, e para a Polícia Federal, já que a própria PF foi quem pediu esta nova auditoria. Ontem à tarde, o coordenador da equipe de auditoria da Controladoria Geral da União, Alan Almeida, também solicitou, através de ofício, cópia do relatório da auditoria do TC, que encontrou irregularidades na aplicação dos recursos do Fundef. Para complicar ainda mais a situação, deve chegar a qualquer momento a perícia nas notas fiscais apreendidas durante a devassa dos auditores do TC.