Política
Prefeito e vice ser�o indiciados pela morte do professor Bandeira
EDNELSON FEITOSA O prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes (PTB), e seu vice, José Zezito Costa (PTB), que atualmente ocupa o cargo de prefeito, serão indiciados no inquérito do assassinato do professor Paulo Henrique Costa Bandeira, queimado vivo dentro de seu veículo, numa mata da zona rural daquele município, no início do mês de junho deste ano, depois de denunciar o envolvimento do prefeito Adalberon, no desvio de recursos da Educação. O delegado Maurício Henrique Duarte garantiu, na manhã de ontem, que a polícia já dispõe de provas para o indiciamento dos dois acusados, bem como de dois diretores da Escola Josefa Silva Costa, onde a vítima trabalhava, e de dois seguranças de Adalberon. Ele alertou, inclusive, que a diretora Nancyr Pimentel foi interrogada e indiciada no inquérito. ?Ela demonstrou para testemunhas saber onde estava o cadáver de Paulo Bandeira, além de detalhes relacionados ao crime?- afirmou. Segundo o delegado, o depoimento dos vigilantes da escola levaram a polícia a identificar o diretor-adjunto Antônio Vieira Silva, também como suspeito. Eles afirmaram que o diretor liberou a vigilância por dois dias (4 e 5 de junho), fato que possibilitou que alguém entrasse na escola e recolocasse o aparelho de som e uma bolsa com documentos, no armário do professor. Os objetos, que estavam com Bandeira no dia do seqüestro e assassinato, reapareceram dentro da unidade de ensino. Antônio Vieira Silva foi ouvido pela polícia e revelou ter liberado os vigilantes, nos dois dias, por ordem do atual prefeito José Zezito, que ainda será interrogado e submetido a uma acareação com o diretor da escola. O delegado informou que tem 12 dias para concluir as investigações, tempo suficiente para ouvir, também, Adalberon de Moraes. Habeas-corpus O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Geraldo Tenório Silveira, negou um pedido de habeas-corpus preventivo, impetrado pelo advogado Welton Roberto, em favor do prefeito (afastado) de Satuba, Abalberon de Moraes, que está preso e é acusado de mandar matar o assessor parlamentar Jeams Alves dos Santos, em 30 de dezembro do ano passado. Também foi indeferida pelo desembargador a liminar do mesmo advogado, que pretendia impedir que o prefeito fosse indiciado em inquérito, como mandante do assassinato do professor Paulo Bandeira. Antes de ser executado, o professor Paulo Bandeira deixou um manuscrito e uma fita revelando detalhes da má aplicação dos recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), nos anos de 1999, 2000 e 2001, pelo prefeito Adalberon de Moraes. Nos documentos, a vítima aponta que o prefeito o jurou de morte. Welton Roberto, na defesa do cliente, alegou que haveria constrangimento ilegal, caso Adalberon fosse interrogado pelos delegados que investigam o crime e justificou que o cliente teria privilégios, por se tratar de um prefeito, mas a alegação não alcançou sustentação, no entender do presidente do TJ, desembargador Geraldo Tenório. Na manhã de ontem, o delegado Maurício Henrique declarou que depende de uma autorização judicial, para alcançar provas técnicas de que os suspeitos participaram da trama que resultou no assassinato do professor Paulo Bandeira. Faltam quase duas semanas para a conclusão desta segunda fase de investigações e o delegado advertiu necessitar deste laudo, principalmente no interrogatório de Adalberon de Moraes, assim como, identificar contradições nos depoimentos de seus seguranças, os militares Ananias Lima e Augusto Santos. As provas técnicas vão reforçar, segundo o delegado, o indiciamento da maioria dos acusados, inclusive do vice-prefeito José Zezito.