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Sem-terra cobram ped�gio de R$ 10,00 na AL-101 Norte

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Arnaldo Ferreira Trabalhadores rurais sem-terra acampados na rodovia AL-101 Norte, na divisa entre Alagoas e Pernambuco, estão cobrando R$ 10,00 de pedágio aos motoristas que trafegam nos dois sentidos. Os bloqueios acontecem, geralmente, nos horários de tráfego intenso e nos fins de semana, quando aumenta o fluxo de turistas para as praias e hotéis do Litoral Norte. O próprio secretário-executivo estadual de Turismo, Tito Uchôa, afirmou, ontem, ter flagrado a cobrança de pedágio. ?Eu presenciei um juiz de Direito ser parado e trabalhadores rurais sem-terra cobrarem pedágio. O magistrado estava sozinho e, ao sentir-se coagido, preferiu não se identificar. Ele ofereceu dois reais, mas o pessoal do bloqueio não aceitou a quantia. O juiz só pode passar depois de pagar dez reais?, afirmou Tito Uchôa, quando participava da solenidade de troca de guardas que acontece às segundas-feiras à porta do Palácio do Governo. O nome do juiz foi preservado. Além de protestar contra a cobrança de pedágio, o secretário disse que a atitude ?afugenta a população e os turistas, que evitam a região, rica em atrativos naturais?. Na semana passada, oito ônibus que saíram de Maceió com turistas, para fazer passeios nas galés, na Praia de Maragogi, não conseguiram seguir viagem. Os ônibus ficaram retidos e os trabalhadores sem-terra não autorizaram a passagem dos turistas nem a pé. ?Acho que os estados precisam resolver o problema dos sem-terra. Mas não vai ser com esses constantes bloqueios, cobranças de pedágio, que vamos resolver a questão?, afirmou o secretário de Turismo Tito cobrou a ação do Incra e dos Movimentos dos Trabalhadores Rurais contra as ações que comprometem o turismo no período de temporada. O governador Ronaldo Lessa (PSB), por intermédio de sua assessoria, voltou a afirmar que o diálogo está aberto com os movimentos dos sem-terra. Porém, alertou que a polícia está orientada a não permitir bloqueios e cobrança de pedágio. Movimentos Os líderes dos movimentos afirmam que não orientam os assentados e acampados a interditar estradas para cobrar pedágio. Quanto aos acampados da beira de estrada, as organizações como Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTTL) e Movimento pela Libertação dos Sem-Terra (MLST) dizem que seus integrantes passam fome e não têm como evitar a situação. Porém, fazem questão de assegurar que não existe tal orientação das organizações. ?A cobrança de pedágio é uma ação desesperada dos companheiros que passam fome à beira da estrada?, declarou Carlos Lima, coordenador da CPT. Ele ressaltou que o turismo é prejudicado pela falta de saneamento básico nos municípios e o desemprego, não pelos sem-terra. Incra O superintendente do Incra, Mário Agra, soube da cobrança de pedágio e condenou a ação. ?Já conversei com algumas lideranças e ninguém concorda com esta atitude?. Agra enviou técnicos para a região norte, para ter uma avaliação das ações de bloqueio de pistas e cobrança de pedágios. Até o fim da semana ele promete voltar a se pronunciar sobre o assunto.

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