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Seis integrantes da CPT s�o transferidos para o pres�dio

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ARNALDO FERREIRA Das 12 pessoas presas por obstruir a rodovia estadual AL-101 Norte e que supostamente cobravam pedágios, seis foram liberadas e não chegaram a ficar detidas por muito tempo. Porém, seis trabalhadores ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) foram transferidos, na manhã de ontem, da cadeia da delegacia do município de Porto de Pedras (Litoral Norte) para o Presídio Estadual Cyridão Durval, em Maceió, onde aguardam ser liberados por força de um habeas-corpus impetrado pela CPT no Tribunal de Justiça. Os sem-terra presos foram autuados em flagrante por crime de extorsão (cobrança de pedágios), depredação do patrimônio público e saques. Foram transferidos para o presídio estadual: José Armando Rock da Silva, Mauro Ferreira dos Santos, Heronildo dos Santos, José Cícero da Silva, José Cícero dos Santos Silva e Severino Amaro da Silva, que é o mais velho militante do movimento, com 71 anos. Eles negaram que estivessem cobrando pedágio, como afirmou o juiz Rivoldo Sarmento ao decretar a prisão em flagrante delito dos seis agricultores. Cerca de 400 integrantes da CPT dos acampamentos Periperi, Areias, Lucena, Cabocla e Assentamento Jubileu 2000, liderados por uma das coordenadoras do movimento, Lilian Nunes, fizeram manifestação, ontem de manhã, à porta da delegacia de Porto de Pedras na esperança de conseguir liberar os seis companheiros presos. Mas a manifestação não impediu a transferência dos sem-terra para o presídio estadual. Outros integrantes da CPT e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) interditaram a rodovia estadual AL-104 e as BRs 101 e 104, próximo de Novo Lino e cobravam a liberação dos presos da CPT e de cestas básicas prometidas pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e pela Superintendência do Incra. Os sem-terra só liberaram as estradas depois de muita negociação com a Polícia Militar e da promessa do Incra de Alagoas de que hoje distribuiria as cestas básicas que os trabalhadores rurais acampados esperam desde três de julho. Os militantes da CPT, mais exaltados, disseram que se as cestas não chegarem voltam a bloquear rodovias para saquear mercadorias dos caminhões. As ameaças foram gravadas e divulgadas, ontem, através da TV GAZETA DE ALAGOAS. Ainda na parte da manhã, a coordenação da Pastoral da Terra divulgou nota assumindo os bloqueios das BRs 101 e 104 e alegando que a manifestação reivindicava a liberação de agricultores presos. Em nota de esclarecimento à população, a CPT explicou a motivação das interdições da AL-101 Norte, na última segunda-feira. Negou, porém, que os militantes cobrassem pedágio. A coordenação do movimento criticou o juiz Rivoldo Sarmento e o acusou de perseguir os trabalhadores rurais. Incra O superintendente do Incra de Alagoas, engenheiro Mário Agra, passou o dia de ontem pedindo calma aos líderes das quatro organizações de trabalhadores sem-terra que atuam em Alagoas. Agra reconheceu que as 15 mil cestas básicas prometidas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário deveriam ter chegado. ?O atraso na distribuição das cestas básicas se deu por causa de problemas nos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Recife?, explicou. Ontem, ele manteve contato com a direção nacional da Conab para tentar a liberação imediata de 14 mil cestas básicas. Com relação às críticas sobre o atraso no assentamento de trabalhadores sem-terra na administração do presidente Lula, o superintendente do Incra explicou que, dentro de 12 dias, estará encaminhando um processo para o governo federal desapropriar 12 fazendas para fins de reforma agrária. Alagoas tem sete mil famílias acampadas em todo o Estado. Agra promete assentar, até o fim do ano, 1.686 famílias. Governo O governador Ronaldo Lessa (PSB) declarou que Alagoas deve servir de exemplo em organização fundiária e que desenvolve a reforma agrária sem conflitos. Porém, ressaltou que não vai tolerar excessos dos sem-terra. ?A ordem é prender quem cobrar pedágio ou tentar impedir o fluxo de cidadãos em nossas estradas?, afirmou o governador ao acrescentar que ?tudo tem limite. O Estado de Direito e a ordem têm de prevalecer?.

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