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Jos� Geno�no � vaiado por sindicalistas e radicais petistas

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MARCOS RODRIGUES O presidente do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores, José Genoíno (PT), foi vaiado e obrigado a sair pelas portas dos fundos de dois lugares onde deveria fazer palestras sobre as reformas da previdência e tributária, ontem, em Maceió. Por pouco não sofreu ataques de ovos que seriam atirados de sindicalistas e petistas aliados da senadora Heloísa Helena (PT), ligada à tendência Democracia Socialista, e outros grupos radicais a exemplo de militantes do PSTU. O primeiro incidente aconteceu no auditório no Sindicato do Bancários, no centro da cidade. Após o início de sua palestra, ouviu gritos de manifestantes portando faixa onde se lia ?Fora, traidor? e ?Genoíno, você traiu no Araguaia e agora nas reformas?. O petista está percorrendo o País. Deveria falar durante uma hora, mas não conseguiu falar nem cinco minutos: vaias e um apitaço o impediram. O clima ficou tão tenso que Genoíno saiu pela porta dos fundos do Sindicato dos Bancários, escoltado pelos dirigentes dos diretórios estaduais. No Hotel Tambaqui, Genoíno também saiu pela porta dos fundos para evitar confrontos, seguindo para o aeroporto. Lá, entrou às presas na sala vip, para evitar contato com cerca de 40 manifestantes que o seguiram. Sobre Heloísa, Genoíno confirmou que se a senadora votar contra as reformas no Senado, será expulsa do partido, junto com os três deputados que votaram contra a reforma da previdência na Câmara, na última terça-feira. ?Se a senadora Heloísa votar contra, vai acontecer o mesmo que acontecerá com os três deputados; será expulsa do partido?, alertou o petista. Sobre as provocações dos manifestantes, ele declarou que não se incomodava. ?Já estou acostumado com esse pessoal que pensa ser radical. Mas radical mesmo é o PT, que está fazendo as reformas que o Brasil precisa?, desabafou o presidente nacional do PT. Ainda no aeroporto, ele comentou sobre os desafios do governo Lula. Para Genoíno, o primeiro ano do governo está servindo para ?arrumar a casa?, para somente depois pensar em desenvolvimento. Entre os destaques do governo até agora ele apontou a aprovação da reforma da previdência e a tranqüilidade do mercado financeiro com o governo do PT. ?Tenho convicção de que estamos no rumo certo?, disse. CUT organizou protesto contra petista O protesto contra o presidente nacional do PT, José Genoíno, e as reformas encaminhadas pelo governo federal, da previdência e tributária, foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Segundo o presidente da entidade, Isaac Jackson, o objetivo principal do protesto não era obstruir a palestra de José Genoíno. ?O objetivo era protestar, mas em seguida acompanhar a palestra e debatermos?, tentou explicar o sindicalista, visivelmente perturbado com o rumo do protesto. Em dois locais, os trabalhadores ligados ao Sindicato dos Petroleiros, dos Policiais Civis e Federais, Previdenciários, de servidores da Justiça, dos professores e fiscais de Renda conseguiram, mesmo em número reduzido, fazer barulho. Numa das faixas, dirigidas especificamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o texto dizia: ?Lula está colocando a previdência pública na privada?. Na seqüência, foram várias as palavras de ordem se referindo aos petistas como ?traidores?. No Hotel Tambaqui, partidários do ?PT Light? bateram boca com os manifestantes, mas sem grandes conseqüências. O ex-presidente da CUT, Évio Lima, atual delegado Regional do Ministério da Agricultura, também não escapou às críticas. Enquanto o deputado Paulo Fernando dos Santos deixava o local num taxi de dentro da pista do próprio aeroporto, Évio decidiu enfrentar os manifestantes que não o perdoaram. ?Évio, traidor dos trabalhadores?, gritou um sindicalista num carro de som, chamando a atenção de passageiros. O deputado Paulão disse que foi informado do protesto na noite anterior à palestra, mas acreditou que o debate poderia ocorrer. ?Logo após a fala de Genoíno, seria aberto o debate, mas algumas pessoas preferiram tumultuar, por isso encerramos a palestra?. Tanto o deputado como outros quadros do partido que foram alvo dos manifestantes foram orientados por Genoíno para não reagirem ao que classificou de provocações. (MR)

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