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Geno�no deixa Alagoas constrangido com vaias de petistas radicais

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MARCOS RODRIGUES O presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, de passagem por Maceió, disse que a senadora Heloísa Helena só ficará no partido se votar a favor do texto aprovado no Câmara dos Deputados. O recado do petista é a última tentativa de a senadora, agora chamada de ?radical?, evitar sua expulsão. Genoíno esteve na capital para apresentar aos sindicalistas e filiados do partido como está o governo Lula, em seus primeiros sete meses. Fundamentalmente Genoíno veio para explicar as reformas da Previdência e tributária. Em sua avaliação, o País encontrou o rumo do crescimento e a partir das mudanças, que considerou essenciais, isso deverá ocorrer. Mesmo assim, sua visita serviu para agitar os sindicalistas contrários às reformas. Os trabalhadores atrapalharam o pronunciamento do presidente do partido duas vezes, com protestos que contaram com a colaboração da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Genoíno foi perseguido onde esteve. Até no Aeroporto Zumbi dos Palmares, pouco antes de embarcar para o Rio Grande do Norte, ele ouviu os gritos de ?traidor? e ?pelego?, chavões considerados clássicos do vocabulário sindical. Sua militância política na época da ditadura militar também não foi esquecida. Durante os protestos contra a sua defesa das reformas os manifestantes exibiram faixas onde o acusavam de ter entregue ?companheiros? na guerrilha do Araguaia, da qual participou como militante do PC do B. Genoíno deixou o Estado sem conseguir debater com os sindicalistas e militantes do partido. A todo momento sua permanência na cidade foi monitorada por servidores, a quem chamou de corporativos. O constrangimento era visível, mas sempre com bom humor. ?Quem enfrentou a ditadura tira de letra uma vaia ou apitos?, disse, descontraído, o petista. A possibilidade de expulsão da senadora Heloísa Helena, segundo o presidente do partido, está condicionada ao seu voto quando a reforma da Previdência começar a ser discutida no Senado. Para ele, quem votar contra está discordando do programa do partido. ?Obviamente, o tema da expulsão está na ordem do dia, mas a senadora, que já está na comissão de ética, sabe como funciona nosso estatuto. De modo que ela, no momento, não é problema nosso. O partido tem outras prioridades: dialogar com todos os setores da sociedade brasileira e até desenvolver sua política internacional. A senadora é uma pessoa madura e sabe que no PT tem lei. Existe o direito de expressão, mas quando o partido decide ela tem de votar. Queremos unidade de ação no voto?, explicou o presidente, sem querer polemizar mais sobre o assunto. Para comparar o que pode acontecer com Heloísa, ele lembrou a expulsão que o partido encaminhará de três deputados, entre eles João Batista, o Babá, eleito pelo Estado do Pará. Juntamente com Luciana Genro, do Rio Grande do Sul, serão os primeiros nomes do partido a deixar a sigla. Ambos, assim como a senadora, também participaram de atos em frente ao Congresso Nacional, que resultaram em quebra-quebra e até na queima da bandeira do partido. Além disso, na mobilização que levou à Brasília sindicalistas de todo o País, foi realizado, inclusive, o enterro simbólico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse fato irritou várias lideranças petistas pró-Lula, entre elas o próprio Genoíno. Mas mesmo com esse contexto conturbado no dia da votação da primeira reforma o presidente do partido defendeu o direito de mobilização e de protesto. ?Isso, acima de tudo, tem de ser interpretado como um ato de democracia. Faz parte dela o direito de mobilização e nós somos democráticos. Mas não se pode deixar de reconhecer que a reação não é porque eles são radicais. Eles são corporativos. Radical somos nós, que estamos promovendo mudanças?, sustentou, garantindo que para os servidores públicos que não têm privilégios constarão vantagens. Ele disse que os parlamentares, mesmo com a possibilidade iminente de punição, não serão responsabilizados pelos atos, que classificou de baderna, cometidos na última semana. Mas do ponto de vista político as medidas serão tomadas. Reformas A aprovação da reforma da Previdência em primeira votação, na Câmara dos Deputados, foi interpretada pelo presidente do PT, José Genuíno, como o principal passo dado pelo novo governo em direção ao que classificou de modernidade. Segundo Genoíno, o PT conseguiu uma grande vitória, pois em seus primeiros sete meses conseguiu avançar mais que o governo do ex-presidente Fernando Henrique. ?Conseguimos uma grande vitória política porque articulamos e negociamos com todos os setores da sociedade para encaminhar o projeto de reforma?, afirmou. Ele lembrou que no País existem grandes quantias sendo pagas a uma minoria e que, agora, com as mudanças ocorridas, o sistema ficará mais justo. ?Essas pessoas que estão protestando não admitem o déficit da Previdência, que é altíssimo. Por isso, nós precisávamos viabilizar a contribuição para que o sistema consiga suportar os aposentados que virão?, justificou. Ele voltou a lembrar que o limite de isenção é até R$ 2.400,00. Acima deste valor passarão a contribuir. Segundo explicou, é uma forma de justiça social e o País não vem suportando o pagamento de quantias que considerou ?altíssimas?, citando aposentadorias acima de R$ 17.000. Indagado sobre o valor que foi mantido para os magistrados, de 90,23% do salário de ministro do Supremo Tribunal, Genoíno disse que essa não era uma proposta do partido.O PT tinha como proposta no texto original de 75% dos vencimentos de ministros. Durante as negociações com a categoria, que ameaçava entrar em greve, o partido recuou, com o apoio da bancada aliada. Mas ainda assim o presidente do PT avalia que foi uma vitória importante. Ele acredita que a partir da aprovação o País passará a viver algo inédito pois no contracheque de quem ganha, R$ 52.000, por exemplo, virá uma observação no final lembrando que, por causa da emenda constitucional número quarenta, o salário será reduzido a R$ 14.000. Indagado sobre a possibilidade de o Judiciário receber ações de servidores e dos próprios magistrados, que queiram garantir direitos, o petista preferiu atribuir a responsabilidade ao Poder Judiciário. ?Acho que fica mal o Poder Judiciário, porque está sendo contrariado, entrar na Justiça. Principalmente fazer greve, porque juiz não faz isso. Por isso, eles recuaram nessa proposta?, declarou Genoíno. Sobre a reforma tributária, ele adiantou que o PT conduzirá as votações em plenário da mesma forma que fez para esta primeira etapa. A diferença é o foco. As discussões envolvem os setores administrativos, estados e municípios. O acordo para a sua aprovação começou ainda no primeiro mês de governo, com encontros regionais entre os governadores. Temas como Previdência estadual e arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os governadores da base aliada do governo federal já têm claro o que as medidas devem contemplar. A polêmica fica entre os chamados ?estados ricos? (com grande potencial industrial), e os mais pobres, como os do Nordeste, que ainda enfrentam o desafio natural da seca. Os prefeitos, que também são parte interessada, por causa dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), querem aumentar a fatia do ?bolo de arrecadação fiscal?. Por isso, a partir de amanhã o Estado viverá uma situação nova: greve de prefeituras. As lideranças municipais já se mobilizam para isso. Segundo Genoíno, existem espaços de negociações que podem motivar novos acordos. ?Eles vão entender que nós estamos fazendo mudanças na máquina administrativa do País, onde pretendemos diminuir a burocracia?, afirmou. Para Genoíno, os administradores devem entender que o governo do presidente Lula irá promover uma relação de igualdade no tratamento como os setores públicos. ?Nosso compromisso é com a mudança e vamos fazê-la?. Protesto Mas o discurso do presidente José Genoíno para a imprensa não foi o mesmo dirigido à base do partido e sindicalistas. Ao iniciar uma palestra no Sindicato dos Bancários, pouco mais de 40 manifestantes invadiram o auditório e, com faixas e apitos, impediram a palestra de Genoíno. O protesto, organizado pela CUT, não colocou em risco a integridade do petista, porém inviabilizou o debate sobre a reforma da Previdência. A maioria dos manifestantes era militante do PT e sindicalistas da mesma tendência da senadora Heloísa Helena. Por isso, não faltaram palavras de ordem que chamavam o ex-deputado e ex-militante revolucionário de ?traidor?. O grupo, mesmo pequeno, conseguiu fazer barulho suficiente e ?encurralar? Genoíno forçando-o a deixar o auditório pela porta dos fundos. Na tentativa de garantir a continuidade da palestra ele foi levado paro o Hotel Tambaqui, mas também foi perseguido pelos manifestantes. Mais uma vez o petista deixou o local pelos fundos e seguiu para o aeroporto. O temor da organização era de que os manifestantes atirassem ovos no presidente do PT. ?Eu identifiquei pessoas com ovos na mão?, afirmou o deputado Paulão. O que deveria ser uma palestra de 1h30 se transformou num conversa de 20 minutos, sem direito a debate. O presidente tinha outro compromisso no Estado do Rio Grande do Norte, para onde embarcou. Mas antes ainda ouviu os gritos dos manifestantes que cercaram a sala Vip onde Genoíno aguardava o vôo. Ele reagiu com tranqüilidade, mesmo demonstrando nervosismo em alguns momentos. ?São pessoas que não sabem aproveitar a democracia e agem como os militares que não deixavam ninguém falar. Mas não me preocupo, pois sei que são pessoas equivocadas?, avaliou o deputado. Genoíno deixou o Estado constrangido porque, segundo declarou, veio para um debate e isso não aconteceu. Ele está viajando por todos os estados a fim de manter contato com os diretórios e ser uma espécie de interlocutor do governo federal. ?Vir a Alagoas foi uma tarefa partidária que não foi possível realizar?, disse. MST No aeroporto, Genoíno avaliou a atuação do MST, que nos últimos dias vem promovendo ações em todo o País, desde invasões até cobrança de pedágios. ?O MST sabe que nós vamos fazer a reforma agrária. Mas deve entender que o processo não é tão imediato. Além disso, a mobilização e a reivindicação são legítimas, mas eles sabem que têm de fazer isso dentro da lei. Acho um erro cobrar pedágio. O pedágio é público. A reforma agrária tem de acontecer de forma pacífica?, finalizou Genoíno.

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