Política
Justi�a investiga desaparecimento de 3 mil t�tulos
ARNALDO FERREIRA Na Justiça Federal está em curso um processo instaurado contra o chefe de cartório da 1ª Zona Eleitoral, Fernando Pimentel de Barros. Ele chegou a ser preso, em 96, acusado de integrar um grupo envolvido com desvio de mais de três mil títulos eleitorais da primeira zona eleitoral. Segundo o diretor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AL), Diógenes Tenório, o processo está em fase adiantada. Os envolvidos estão depondo sobre o assunto. Porém, Diógenes observou que a Justiça Eleitoral ainda desconhece o que aconteceu com os três mil títulos desaparecidos do cartório da primeira zona eleitoral. ?Este caso está tramitando na Justiça Eleitoral. Só depois do desfecho do processo, saberemos os procedimentos e punições previstas para o caso?. Sobre o pedido de recadastramento eleitoral, frisou que não existe nenhum procedimento neste sentido. ?O Tribunal Eleitoral só vai se manifestar sobre recadastramento quando for provocado. Até agora, não existe provocação neste sentido?. O diretor do TRE admitiu que a Justiça Eleitoral não tem gente suficiente para fiscalizar todo o processo eleitoral, tanto antes como no dia das eleições. Por isso, destacou a importância dos partidos políticos no trabalho de conscientização. ?Os partidos também têm a responsabilidade de fiscalizar?. Além da Justiça Eleitoral, Diógenes Tenório lembrou que os Ministérios Públicos Estadual e Federal também podem ser provocados para apurar denúncias de aliciamento de eleitores e corrupção eleitoral. ?O eleitor também pode dar voz de prisão. Mas, isso é perigoso. O mais prudente é conseguir um prova mínima da tentativa de corrupção eleitoral e formalizar denúncia no Ministério Público?, orientou o diretor do TRE. Com relação às ações de supostos líderes comunitários que vendem votos para candidatos, Diógenes Tenório explicou que, oficialmente, não há denúncia sobre esta atitude de corrupção eleitoral. ?Ouvimos comentários sobre práticas de aliciamento de eleitores, tanto na capital como no Interior, mas, oficialmente, não temos provas?, frisou. Corrupção Para conseguir arregimentar um exército de eleitores dispostos a vender seu voto no dia da eleição, líderes comunitários aliciam eleitores pobres com promessas de emprego, de cadastramento em programas sociais do governo federal (tipo Bolsa-Alimentação, Peti, Vale-Gás, entre outros) e em troca retêm o título ou cópias dos títulos de eleitor, retêm o título de eleitor já falecido ou conseguem pessoas para votar no lugar de outras inexistentes (eleitor fantasma). O vereador Dudu Holanda (sem partido) foi um dos políticos assediados recentemente. ?Uma pessoa, se dizendo líder comunitário, me abordou na Câmara e começou a falar de supostos problemas. Poucos minutos depois, me oferecia certa quantidade de votos. Volta e meia aparecem pessoas deste tipo?, disse o vereador, que jura ter recusado a proposta. Dudu sabe de alguns modos de ação dos vendedores de votos. ?Essas pessoas falam como agem, sem cerimônia?, revelou o vereador, ao assegurar que não se relaciona com esse tipo de cabo eleitoral. ?No meu caso, tenho base política, desenvolvo trabalho social nas comunidades, mantenho escolas, postos de saúde e uma equipe de profissionais que presta assistência jurídica e social nas comunidades. Outro que conhece os modos de agir e quase foi prejudicado pelos cabos eleitorais que vendem votos é o vereador Jorge VI (PSDB). ?O meu bairro (Bebedouro) está cheio de gente que alicia eleitores. Mas essas pessoas não me procuram porque não tenho a prática de comprar de votos?. O tucano mantém programas sociais no bairro, garante assistência a dezenas de famílias e é conhecido como ?vereador festeiro?, por causa das festas populares que promove. Na última eleição, esperava receber 6 mil votos, mas na urna eletrônica só tinham 3,5 mil votos. ?Perdi metade dos votos por causa do aliciamento de eleitores. Por isso, defendo que a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral se antecipem e investiguem esse caso?. Sem revelar o nome, Jorge VI contou que teve informação de que um determinado candidato teria gasto uma fortuna, certo de estar comprando dez mil votos nas eleições gerais do ano passado. O cabo eleitoral ficou com o dinheiro do candidato e terminou conseguindo votos para outro candidato, que aumentou a oferta, um dia antes do pleito. Custo da campanha Numa avaliação modesta da campanha eleitoral para vereador em 2004, levando-se em conta o período de janeiro a outubro, e que envolva carro de som, combustível, técnicos, locutor, animador, showmício, propaganda, gravação de programas para o Guia Eleitoral e outras despesas somadas, o custo fica em torno de R$ 700 mil. A campanha sobe para R$ 1 milhão, se o candidato se envolve com a compra de votos. De certa forma, o vereador Ademir Cabral (PSL) confirmou a versão sobre o custo total de uma campanha revelada por um aliciador de eleitores. ?Para se eleger vereador, o candidato tem de ter, no mínimo, R$ 700 mil?. Ele é candidato à reeleição, diz que não tem os R$ 700 mil e pretende conseguir esse dinheiro por meio de doações de amigos, pedindo ajuda a formadores de opinião, fazendo campanha corpo a corpo e investimentos pessoais. ?As coisas chegaram a este ponto porque algumas pessoas querem chegar ao poder de qualquer jeito. Por isso, defendo que haja uma fiscalização forte, sobretudo na periferia da cidade, onde acontecem os aliciamentos dos eleitores?, disse. Os dois vereadores do PT, Judson Cabral e Thomaz Beltrão, imaginam gastar individualmente R$ 100 mil, ou seja 15% da campanha da maioria dos candidatos. ?Nós temos uma prática saudável, temos militância e não compramos votos. Mesmo assim, vamos ter de gastar, pelo menos, R$ 100 mil?, imagina o vereador Thomaz Beltrão, que já tem uma estrutura montada, orçada em mais de R$ 100 mil. Judson diz que os cabos eleitorais não procuram os candidatos do PT porque o partido evita projetos pessoais. ?A campanha é do PT?, afirma.