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Política

Cabos eleitorais vendem voto a R$ 50,00 em Macei�

ARNALDO FERREIRA O custo de uma campanha de vereador de Maceió já está orçado em R$ 1 milhão e o voto já é vendido a até R$ 50,00. O que onera a campanha são as despesas com supostos cabos eleitorais, especialistas em arregimentar eleitores e formar curr

Por | Edição do dia 10/08/2003 - Matéria atualizada em 10/08/2003 às 00h00

ARNALDO FERREIRA O custo de uma campanha de vereador de Maceió já está orçado em R$ 1 milhão e o voto já é vendido a até R$ 50,00. O que onera a campanha são as despesas com supostos cabos eleitorais, especialistas em arregimentar eleitores e formar currais eleitorais na periferia de Maceió e nos municípios. Esses cabos eleitorais começaram a reaparecer nas Câmaras de Vereadores e nos escritórios de candidatos. Geralmente disfarçados de líderes comunitários, oferecem votos a preços que variam entre R$ 30,00 a R$ 50,00. Para seduzir os candidatos à reeleição e os novatos, os “vendedores de votos” oferecem segurança na atividade, garantia de sigilo absoluto e quantidade de votos exigidos pelos compradores. Os contatos são discretos e cuidadosamente planejados, para não despertar a atenção de jornalistas e dos concorrentes. Quem é assediado demonstra conhecer bem os supostos cabos eleitorais. Porém, não tem coragem de denunciá-los ou revelar as suas identidades. Mas não esconde que o processo de venda de votos já começou e há, inclusive, preço institucionalizado. Para os candidatos de bom poder aquisitivo, esta mercadoria da corrupção eleitoral é negociada a até R$ 50,00. A garantia da “mercadoria” é demonstrada com originais ou cópias de títulos eleitorais que os “vendedores” retêm para mostrar para seus “clientes”. Os títulos são de pessoas pobres, moradores de favelas, grotas, desempregados e adolescentes semi-alfabetizados das áreas de baixa renda. Institucionalização A GAZETA DE ALAGOAS, durante dois dias, conversou com vários líderes comunitários. A maioria confessou ter ligações políticas com parlamentares das bancadas federal e estadual, e das câmaras municipais. Exigiram que seus nomes fossem preservados e negaram que vendem votos. Porém, disseram conhecer, na comunidade, pessoas que vivem desse tipo de negócio e admitiram que “ajudam” (conseguem votos) para candidatos, em troca de obras para as suas comunidades. Um dos revoltados com este tipo de negócio eleitoral é o presidente da Câmara de Maceió, vereador Alan Balbino (PSB). Ele confirmou o que a GAZETA constatou: “É revoltante, mas está institucionalizado o preço do voto em vários pontos da cidade. Pelo que fui informado, o voto é vendido a R$ 30,00, hoje, mas o valor certamente pode subir para quem tem condições de pagar mais”. O presidente da Câmara tem uma boa base eleitoral e acha que gastará menos R$ 500 mil na campanha, de janeiro a outubro. Mas garante que não vai comprar voto. Disse ainda que foi vítima da corrupção eleitoral. “Em 1996, tinha uma eleição praticamente ganha. Na última hora, perdi de forma inexplicável. Daí, soube que as pessoas que votariam no meu projeto foram ludibriadas com falsas promessas”. Uma das denúncias mais graves feitas por Alan Balbino é a de que existem três mil títulos desaparecidos e que pertencem a supostos eleitores da primeira zona eleitoral. Esses títulos desapareceram quando a polícia desmontou um esquema que envolvia até um chefe de cartório eleitoral. Ele teme que os títulos sejam utilizados nas eleições de 2004. Para combater a fraude, Balbino defende o recadastramento geral dos eleitores de Maceió. Quer que a Justiça Eleitoral investigue denúncias de compra de votos e aliciamento criminoso de eleitores. “A maioria dos vereadores que trabalha honestamente teme a compra de voto. Por isso, o recadastramento poderia ser uma das formas de inibir este tipo de corrupção eleitoral”. Num recado direto para os supostos cabos eleitorais, Alan disparou: “Se eu souber de esquemas para fraudar as urnas ou vierem me procurar, vou denunciar à polícia”. O desabafo do presidente da Câmara foi presenciado pelo líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Sérgio Toledo (PSB). “Ao defender eleições limpas, apóio a tese de recadastramento geral dos eleitores de Maceió”. Mas Toledo observou que o eleitor também tem um papel importante no processo. “O principal fiscal das eleições é o eleitor”. Ao defender uma fiscalização maior do processo eleitoral, Sérgio Toledo lembrou também que o cidadão deve denunciar as pessoas que tentarem comprar voto. “Assim se estará construindo um parlamento comprometido com as causas maiores da população”, disse o deputado, ao cobrar empenho, também dos partidos.

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