Política
Pol�cia vai indiciar l�deres do MST e superintendente do Incra
ARNALDO FERREIRA Esta semana, cinco supostos líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) identificados pela polícia como Braz, João da Lica, Luciano da Silva, ?Grilo? e Beto, vão ser indiciados por incitação ao crime e formação de quadrilha. Se forem julgados e condenados, estão sujeitos à pena de três anos de prisão, além de pagamento de multa. Eles seriam comandantes dos ataques aos caminhoneiros e forçam os trabalhadores rurais a participar dos saques a caminhões no Sertão e Agreste. O inquérito é presidido pelo delegado Cícero Torres. É nesta investigação que aparece o nome do superintendente do Incra, Mário Agra, no rol dos investigados para ser indiciados. ?As testemunhas ouvidas, até agora, nos disseram que tiveram várias reuniões com o superintendente do Incra, Mário Agra, cobraram dele as cestas básicas e ele disse que não tinha como atender as famílias e, assim, teria recomendado as lideranças que fizessem o que quisessem para conseguir comida?, disse Torres, ao revelar, com exclusividade para a GAZETA DE ALAGOAS, alguns trechos de depoimentos de testemunhas, das quais preferiu preservar as identidades, até a conclusão do inquérito. Porém, o delegado ressaltou que não aparecem nos depoimentos acusações de que Mário Agra teria incitado a prática de saques ou de outros crimes. ?Mas, cinco pessoas citadas como líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem terra vão ser indiciadas por formação de quadrilha e incitação ao crime?, disse Torres. Os supostos líderes do MST, segundo o delegado, forçam os militantes a participar das ações de saques. Entre os militantes que disseram, em depoimento consignado em inquérito policial, que foram forçados a participar de saques, estão José Antônio dos Santos, 68; Maria José da Silva, 50; Cícero Duarte Lima, 25; Gilson Silva dos Santos, 26; e Josemi da Silva, 25. A maioria disse que vai se afastar da luta pela reforma agrária. Outros militantes dos acampamentos ?1º de Dezembro?; ?25 de Julho?, ?Dom Helder? e dos assentamentos espalhados entre os municípios de Traipu, Girau do Ponciano, Arapiraca, Craíbas e do Sertão, também denunciam as pressões. ?Os carroceiros são arregimentados para participar dos saques. Eles ganham parte das mercadorias como pagamento pelo transporte?, frisou o delegado Cícero Torres, ao acrescentar que boa parte das mercadorias saqueadas foi vendida em pequenos estabelecimentos nos acampamentos e nas feiras livres. ?Não somos contra o sem- terra. Muito pelo contrário. Reconhecemos que só a reforma agrária resolverá o problema do desemprego e da fome. Mas, as investigações nos levam a pessoas estranhas ao movimento dos sem-terra. Algumas, inclusive, com passagem pela polícia e envolvidas com crimes?, destacou Torres. ?O que nos preocupa é o fato de que os acampamentos e assentamentos são usados como esconderijos?. O delegado deve concluir as investigações até o fim da semana e o inquérito será encaminhado ao Fórum de Arapiraca. Para tentar impedir novos ataques dos sem-terra, Cícero Torres sugeriu às empresas atacadas que distribuíssem cestas básicas. ?Entre os aproveitadores e pessoas interessadas em tumultuar o processo de reforma agrária, têm muitas famílias que participaram dos saques porque estão com fome, perderam suas lavouras de milho e feijão com a estiagem?. As empresas aceitaram a sugestão e prometem distribuir cestas básicas nos acampamentos. Saques Alagoas registrou seis ações de saques este ano. No primeiro semestre, dois caminhões foram atacados: os sem-terra limparam as cargas de salames, lingüiça, apresuntado e frutas. Os ataques aconteceram no mês de maio, durante a marcha em direção a Maceió. Ainda em maio, uma carga de queijo foi levada no Sertão e o então secretário de Agricultura, Reinaldo Falcão, ficou refém. Esta, inclusive, foi a ação mais radical do movimento entre os municípios de Delmiro Gouveia e Olho D?água do Casado, distante 220 quilômetros de Maceió. Em agosto, ocorreram mais três ataques na AL-220. Os manifestantes levaram na primeira ação 15 toneladas de produtos de milho; depois levaram 17 toneladas de açúcar; por fim, saquearam cerca de duas mil caixas de Cremogema. Os jornais de circulação nacional publicaram fotografias das ações dos saqueadores. A partir daí, o governador Ronaldo Lessa (PSB) passou a desconfiar de que havia infiltração nociva nos movimentos dos sem-terra e determinou que a polícia investigasse. ?Sou aliado dos movimentos dos sem-terra, tenho trabalhado para fazer uma reforma agrária pacífica e modelo para o País, mas não posso tolerar ações que perturbem a ordem institucional do País?, disse o governador, ao pedir as entidades que organizam trabalhadores sem-terra que acreditem no governo do presidente Lula e na reforma agrária pacífica.