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Encapuzados metralham e queimam barracos da CPT

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ARNALDO FERREIRA Seis homens armados, com metralhadoras e espingardas, invadiram, no último domingo, o acampamento de trabalhadores rurais sem-terra que fica na Fazenda Lucena, na zona rural de Porto de Pedras, litoral norte do Estado, distante 94 quilômetros de Maceió. Encapuzados, eles queimaram todos os barracos. Um trabalhador rural, Pedro Severo da Silva, 49, que dormia no momento do ataque, teve queimaduras graves no corpo e está internado no hospital municipal daquele município. A ação aconteceu por volta das 15 horas, depois que a maioria das famílias tinha se deslocado para a feira de Porto de Pedras e outras tinham ido visitar os familiares que moram em assentamentos na região norte. Ao divulgar, ontem, o ataque dos encapuzados, o coordenador da Comissão Pastoral da Terra, Carlos Lima, declarou suspeitar de envolvimento de policiais civis e militares na ação. ?Os seis homens chegaram atirando, a ação foi rápida e com pessoal treinado. Eles espancaram mulheres, crianças, humilharam os trabalhadores rurais e, em seguida, atearam fogo às barracas de lona, destruíram os documentos, queimaram as roupas e as cestas básicas que o Incra distribuiu no sábado?, informou o coordenador, Carlos Lima. Na Fazenda Lucena moram 32 famílias de trabalhadores rurais ligadas à CPT. Por sorte, na hora do ataque só havia sete pessoas no assentamento, que ficaram para tomar conta dos barracos. Assustados, os sem-terra disseram que até as crianças foram humilhadas com palavrões e levaram tapas e empurrões. A GAZETA DE ALAGOAS manteve contato, ontem à tarde, com o delegado regional Ivo Reither, que disse desconhecer oficialmente a ação dos encapuzados. ?Hoje, 24 horas depois do ataque ao acampamento, não sabemos de nada?, admitiu. Comissão O secretário de Justiça e de Defesa Social, Roberval Davino, também soube da ação ontem de tarde, mediante nota oficial distribuída pela Comissão Pastoral da Terra e determinou que um grupo de policiais táticos e de operações especiais fosse ao município de Porto de Pedras investigar a situação. ?Mandamos fazer um levantamento geral para saber o que, de fato, ocorreu na área da Fazenda Lucena?. Os sem-terra e a CPT disseram suspeitar que os criminosos são ligados a grande fazendeiros dos municípios de Porto de Pedras e Matriz do Camaragibe, também na região norte do Estado. Mas esta versão ainda não pôde ser confirmada pela polícia. Temendo novos ataques, a coordenação estadual da CPT encaminhou denúncia relatando a ocorrência à Ouvidoria Agrária Nacional, à Superintendência do Incra de Alagoas, às representações dos ministérios públicos Federal e Estadual, ao Conselho Estadual de Direitos Humanos, ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e ao governador em exercício Luiz Abílio de Souza Neto. As vítimas das agressões e humilhações chegam, hoje, a Maceió para registrar queixas na Secretaria de Defesa Social e vão tentar uma audiência com o governador Ronaldo Lessa (PSB). A Fazenda Lucena tem 393 hectares e foi desapropriada em novembro de 2002 para fins de reforma agrária. Até hoje, as 32 famílias aguardam a imissão da posse e acusam o Incra de Alagoas pela lentidão do processo.

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