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Pane em avi�o da FAB obriga Alencar a pernoitar em Macei�

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ARNALDO FERREIRA E MARCOS RODRIGUES O vice-presidente da República, José Alencar, que participou ontem, em Maceió, de discussões sobre o Rio São Francisco, teve que pernoitar na capital alagoana devido a uma pane registrada no jatinho da Força Aérea Brasileira que deveria levá-lo de volta a Brasília no começo da noite. A assessoria de Alencar não informou se o problema foi elétrico ou mecânico. A imprensa foi informada apenas de que, por problema na aeronave, Alencar teve que adiar a viagem para hoje, às 9 horas. O avião está num hangar no Aeroporto Zumbi dos Palmares pertencente ao industrial e deputado João Lyra (PTB). O vice-presidente revelou que o governo federal tem um projeto para a transposição e revitalização do Rio São Francisco. Ao todo serão investidos nos trabalhos de remoção de água para o Nordeste setentrional R$ 6 bilhões, dos quais R$ 1 bi será destinado exclusivamente para projetos que visem revitalizar o rio em seu curso por 500 cidades desde o Estado de Minas Gerais. ?Temos um projeto global que deve ser resultado do debate com os comitês da Bacia do São Francisco. Esse projeto será norteado por projetos de revitalização que devem ser conduzidos pelos estados e municípios envolvidos. Pretendemos investir nos efluentes ao longo de sua trajetória?, afirmou Alencar. O vice-presidente fez pronunciamento para o Comitê da Bacia do São Francisco em Alagoas, formado por lideranças municipais, sindicalistas e secretários de Estado. Acompanhado de dois engenheiros do governo, Alencar abriu o debate logo após a exposição dos técnicos de sua equipe. Segundo o engenheiro Antônio Carlos de Almeida Vidon, as áreas de maior assoreamento estão no Estado de Minas. Lá também está o maior número de cidades que despejam esgotos sanitários no rio. ?O Estado apresenta características específicas, como a quantidade de chuvas. Porém, por causa do desmatamento, as águas que seguem para o rio levam consigo material sedimentado?, explicou. Ele mostrou, ainda, outras experiências de transposição ocorridas no Equador, Peru, China, África do Sul e Egito. Para os prefeitos, o projeto apresentado é uma novidade. Segundo Jorge Dantas (PSDB), prefeito de Pão de Açúcar, o tema da transposição é complexo e preocupante, mas precisa ser debatido levando-se em conta as necessidades locais. Já seu colega Inácio Loyola (PSDB) disse que o rio não tem condições, hoje, de ceder água porque está agonizando. ?O São Francisco está morrendo. Como um paciente em coma pode doar sangue??, comparou. Calmamente, Alencar afirmou que para se convencer dos problemas da transposição precisa de dados técnicos. ?Não vamos fazer isso sem ouvir todos os lados. Mas não posso aceitar opiniões contrárias só por paixão?, falou provocando os prefeitos a fornecerem mais dados para sua equipe em Brasília. O vice-presidente desembarcou, no Estado, num jatinho Lear Jeat da FAB, por volta das 10 horas. Foi recepcionado na pista do aeroporto pelo governador em exercício Luiz Abílio de Souza Neto (PSB). Lá estavam também deputados, vereadores e prefeitos alagoanos. Vice cobra crescimento com redução das taxas de juros O vice José Alencar voltou a defender, ontem, em Maceió, a redução das taxas de juros, que egundo ele, gera um clima de recessão na economia nacional. ?O País vive fora da realidade do mercado que precisa competir?. Para explicar como o Brasil vive fora das taxas de mercado, o vice-presidente demonstrou que, ?numa lista de 25 países em desenvolvimento e desenvolvidos, o Brasil aparece economicamente como décimo primeiro. As taxas de juros que nós pagamos é dez vezes superior à taxa básica real paga por dez desses países. Numa comparação com os outros 14 países, nós pagamos 20 vezes mais de juros. Assim, estamos fora da realidade do mercado?. Alencar assegurou que não há mais condição de manter as taxas nos patamares que estão. ?Só temos uma saída que é clássica: pelo trabalho, pela produção, pela exportação, construção de levado saldo de balança comercial, aumento dos saldos de transações correntes para que o País construa a sua independência. Condições para isso, o Brasil tem?, frisou. Observou que construindo a independência, o País não precisará mais pagar as taxas ?despropositadas? para atrair o capital de curto prazo, volátil, especulativo e que nada tem a ver com o mercado interno. Desde janeiro, Alencar critica as altas taxas de juros que geraram a recessão e até deflação. Antes, ele temia o recrudescimento inflacionário. Mas, hoje, reconhece que a estratégia do ministro da azenda, Antônio Palocci, deu certo. ?Temos de aplaudir a ação do Ministério da Fazenda, que combateu a inflação. Ela (a inflação) está dominada. Agora, com a mesma força temos de voltar a crescer?, frisou o vice-presidente da República. (AF)

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