Política
CPI da Telefonia confisca computadores e documentos confidenciais da Telemar
ARNALDO FERREIRA / MARCOS RODRIGUES O escritório-sede da Telemar em Alagoas, no bairro do Farol, foi ocupado, ontem, por seis dos sete deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa que investiga denúncias de irregularidades na telefonia no Estado. Policiais da Radiopatrulha foram convocados pelos parlamentares e acompanharam a busca e apreensão de documentos que estavam guardados, inclusive em gavetas de mesas particulares de coordenadores regionais da empresa. Dois computadores, que armazenavam informações confidenciais da Telemar, também foram confiscados e estão em poder dos deputados da CPI. Tudo começou por volta das 9 horas. Os seis parlamentares esperavam, na Assembléia Legislativa, o presidente nacional da empresa, Ronaldo Pereira Iabrudi, para depor. Ele deveria apresentar vários documentos, requisitados desde junho. Mas Iabrudi faltou, pela terceira vez. Para representá-lo, foi enviado o diretor regional, José Luiz Gatta Alack. Mas a CPI não quis ouvi-lo. Chegou-se a pensar na prisão de Alack, mas os deputados desistiram da idéia. Como Iabrudi também não mandou os documentos solicitados, o presidente da CPI, deputado Adalberto Cavalcante (Prona), e demais integrantes da CPI presentes à sede do Legislativo decidiram exercer a força constitucional da Comissão e, com apoio de policiais militares, foram executar um mandado de busca e apreensão no escritório da empresa. Os funcionários ficaram assustados com a ocupação repentina. Ocupação Além de Adalberto, o relator da CPI, Sérgio Toledo (PSB), e os deputados Paulo Fernando dos Santos (PT), Temóteo Correia (PTB), Isnaldo Bulhões (sem partido) e Maria José Viana (PSB), junto com homens da PM, ocuparam três andares das áreas administrativa e financeira da empresa. O presidente da CPI explicou que estava em busca de documentos relativos ao faturamento da Telemar em Alagoas no período de 1998 a 2003, relações de empresas terceirizadas, número de funcionários e respectivos salários, listagem geral das ações judiciais de consumidores contra a empresa, número de telefones grampeados por determinação judicial, entre outros documentos. ?A solicitação dos documentos foi feita desde junho e o presidente da Telemar, além de não atender às convocações, enviava representantes à CPI sem condições de fornecer as informações solicitadas?, desabafou o relator da CPI, acrescentando que ?não estamos de brincadeira e não vamos permitir esta tentativa de desmoralização da CPI e do povo alagoano?. A ação da CPI surpreendeu até a imprensa. A deputada Maria José Viana explicou que não havia outra maneira de conseguir os documentos solicitados. Depois de apreender dois computadores e documentos no terceiro andar da empresa, os parlamentares seguiram para o quinto andar, onde estariam notebooks que guardavam informações sigilosas. Mas os equipamentos, segundo integrantes da CPI, desapareceram junto com os coordenadores e operadores. ?A empresa continua sonegando informações?, avaliou o deputado Paulão. O advogado da Telemar, Paulo Calheiros, explicou que o presidente nacional da empresa não pôde atender às três convocações devido a outros afazeres no Rio de Janeiro, onde se encontrava ontem. ?A Telemar lamenta o ocorrido e informa que cumpriu todas as solicitações da CPI?, declarou o advogado. A empresa também divulgou nota com estes termos e lamentou a forma como os integrantes da CPI agiram no prédio da empresa. Os coordenadores foram obrigados a entregar documentos. Outra parte foi confiscada dentro de gavetas de diretores e a partir de hoje técnicos em computação analisam os dados contidos nos discos rígidos (que armazenam informações). A CPI foi instalada em 20 de maio e tem seu término previsto para 20 de setembro. Iabrudi foi novamente intimado a depor, agora no dia 10 de setembro.