Política
SERVIDORES CHAMAM RENAN FILHO DE “TRAIDOR” E DEVEM IR À JUSTIÇA
Diversas categorias fizeram manifestação na porta da Assembleia Legislativa contra nova previdência
Um forte esquema de segurança manteve inclusive a porta principal da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) fechada com trancas internas. Os diretores dos Sindicatos dos Servidores Públicos acompanharam a votação do projeto de reforma da Previdência, que aumenta a alíquota de desconto de 11% para 14% dos salários do funcionalismo público, do lado de fora. As manifestações dos servidores transcorreram ao som de rojões e de discursos agressivos, onde o governador Renan Filho (MDB) foi chamado diversas vezes de “traidor”.
O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed/AL), Marcos de Holanda Pessoa, foi um dos muitos que não poupou críticas ao governo do estado. “O governador Renan Filho é um cidadão que gosta de marketing. De usar mídia e as redes sociais para autopromoção”, reclama.
Segundo o líder dos médicos, “o senhor Renan Filho gosta de dizer que faz isso e aquilo, quando na verdade trai os compromissos com servidores”. O cirurgião acusou o governador de construir novos hospitais e os deixar sem manutenção, de pagar salários de R$ 4 mil para médicos de plantão de 24 horas, entre outros problemas. “O governador, na verdade, é um enganador da população e dos profissionais. Renan Filho gosta de fazer marketing com falácias. É assim que ele é”, desabafou.
Quanto à votação do projeto de reforma da Previdência pela ALE, ele lamentou a atuação dos deputados. “Os parlamentares correm atrás da gente para conseguir votos em período eleitoral, e num momento como este de dificuldade econômica dos trabalhadores votam contra o povo”. O aumento do desconto da previdência atinge mais de mil médicos contratados.
PROFESSORES
Outra sindicalista que não poupou críticas e nem adjetivos pejorativos contra o governador foi Lenilda Lima, do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal). “Tem muita gente que acha que o governador não vai atingir os menores salários. Mas este é o presente de Natal para os servidores públicos de Alagoas. Um verdadeiro pacote de maldade”, lamentou a sindicalista.
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Filiados ao Sindicato dos Fiscais de Renda também acusaram o governador de tomar dinheiro emprestado para construir obras milionárias. Segundo os servidores, Renan Filho quer resolver o problema da previdência estadual causando sofrimento principalmente aos servidores aposentados. O diretor de Comunicação do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), José Adeílton dos Santos, admitiu que votou no governador Renan Filho duas vezes para o Executivo e hoje se sente “enganado”. Na manifestação, ele considerou que a manobra do governador - que mobilizou a maioria dos 27 deputados para votar a favor do aumento do desconto nos salários, em favor da previdência estadual - foi uma “atitude covarde” e injusta com os servidores.
SINDPOL
Uma das categorias politizada na manifestação contra a reforma é a dos policiais civis. Os dirigentes do Sindpol e os trabalhadores da base participaram de diversas manifestações contra o aumento da alíquota. O diretor de Comunicação do sindicato, José Adeílton, admitiu que ele e parte de categoria esperava que o governo promovesse reforma administrativa melhor que a do governo federal. “Este pacote de medida, que entre outras coisas aumenta o desconto de 11% para 14%, é péssimo. A gente, neste momento, luta por reajuste e este ano não teremos o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) que praticamente define o percentual de reajuste salarial dos trabalhadores. Por isso considero que fomos traído”. Segundo o dirigente do Sindpol, as categorias deixaram de ter reajuste de 3,9% de reajuste do IPCA para ter aumento do desconto da previdência na ordem de 3%. A medida afeta mais de 2 mil policiais ativos e inativos. “Quem mais vai sentir é o policial aposentado, que hoje desconta R$ 140 e agora vai descontar R$ 900. É importante que a maioria dos profissionais de segurança pública quando se aposenta está acometido de diversas doenças”, lamentou José Adeílton.