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Governo pede “calma” a sem-terra e fazendeiros

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ARNALDO FERREIRA O governador em exercício, Luiz Abílio de Souza Neto (PSB) revelou, nesta entrevista exclusiva à GAZETA DE ALAGOAS, que os governos federal e estadual estão preocupados com focos de confrontos entre sem-terra e fazendeiros de Alagoas. Num tom conciliador, pediu calma e paciência às partes. Destacou os envolvimentos históricos do governador Ronaldo Lessa (PSB) e do presidente Lula com os movimentos sociais. Porém, defendeu que a autoridade e a legalidade não podem ser quebradas por nenhum dos lados. O vice-governador viveu uma das semanas políticas mais intensas, neste período da interinidade. Nunca um vice do governador Ronaldo Lessa, em tão pouco tempo, foi obrigado a se envolver e apresentar soluções administrativas e políticas para tantos problemas complexos. Além de administrar o ataque de pistoleiros ao acampamento da CPT, discutiu a revitalização do São Francisco com o vice-presidente da República e fechou a semana com temas sobre as eleições municipais e fim das anuências de servidores. - Qual a sua avaliação sobre a ação de seis homens encapuzados que teriam atacado um acampamento de trabalhadores sem-terra no município de Porto de Pedras? - Recebemos o comunicado na segunda-feira à tarde sobre a ocorrência. A Secretaria de Defesa Social nos informou que as investigações policiais estão em curso. Estamos preocupados com este acontecimento lamentável. - O que o governo espera dos fazendeiros e dos movimentos de trabalhadores sem-terra? - O governo pede às partes compreensão. O governador Ronaldo Lessa (PSB) tem feito a pregação da paz, demonstra seu compromisso com a reforma agrária dentro da legalidade. Acho que o governo, os fazendeiros e os movimentos devem continuar mantendo a porta do diálogo sempre aberta. - E, o governo federal... - O governo do presidente Lula demonstra que tem todo o interesse de resolver o problema da reforma agrária. Nós estamos em perfeita sintonia com os órgãos federais envolvidos diretamente com este assunto. Considero como outro fato bastante positivo a história e a longa ligação do governador com os movimentos sociais, assim como o presidente Lula. Portanto, temos todas as condições de promover uma reforma agrária tranqüila e transparente. Agora, fazendeiros e movimentos sociais precisam ter calma, paciência e se a gente não acirrar os ânimos e andarmos dentro da legalidade haveremos de fazer a reforma agrária como o Brasil quer. Mas é importante destacar, também, que o Estado não pode perder a sua autoridade e o respeito. - Vamos mudar de assunto. O vice-presidente José Alencar esteve em Alagoas, defendeu a mesma tese do governo FHC de transposição do Rio São Francisco, que agora é requentada com o argumento de revitalização do rio. Qual a posição de Alagoas na discussão? - Veja, agora sim, acho que estamos numa discussão interessante. O Estado de Alagoas se posicionou contrário ao projeto anterior porque se tratava tão-somente da transposição do rio, ou seja, a discussão girava em torno de levar água de um ponto a outro. Mas não havia projeto de desenvolvimento sustentável ao longo do canal da transposição. Hoje, a discussão é outra. O projeto fala de investimentos que pensam primeiro em salvar o rio, as bacias. Quer dizer, sem pensar além. A transposição também não está definida se será pelo Rio Tocantins ou São Francisco. O saudável são as preocupações com os projetos de desenvolvimento sustentável. A água terá usos múltiplos, na irrigação de lavouras, no abastecimento humano, de animais, no aproveitamento racional. - A questão de revitalização fica de que maneira? - Como prioridade. No projeto passado, eu disse, várias vezes, que ninguém negaria a água do São Francisco, principalmente a quem não tem. Mas não se pode fazer esta doação dentro de um projeto degenerativo. - E o Canal do sertão? - O Canal do Sertão é uma obra estruturante, pensada como um projeto de desenvolvimento do Sertão e Agreste. Veja bem, nós temos um canal natural para aproveitar, que é o Rio São Francisco, e até hoje não tivemos condições de aproveitar o manancial. - A visita do presidente ajuda a tirar do papel a obra do Canal do Sertão? - Ajuda, assim. À medida que o vice-presidente, além de ser um empresário com know-how nesta questão estratégica, tem também muita sensibilidade para tratar deste assunto. - No campo político, a presença do vice-presidente José Alencar aproxima os partidos PL (do vice) e o seu PSB para as eleições municipais? - Não vejo assim. A vinda do vice-presidente teve o objetivo de discutir a revitalização do Rio São Francisco. Ele não veio numa missão política, sua tarefa foi puramente técnica, porque recebeu do presidente Lula a missão de discutir com os comitês da bacia do São Francisco a recuperação do rio. - O PSB vai discutir política de aliança com o PL? - O PSB está aberto a discussões sobre as eleições municipais com todos os partidos. O PL já foi aliado nosso. - O seu partido voltou a conversar sobre eleições municipais com os aliados? - A conversa com os aliados é um processo permanente. Desde que terminaram as eleições gerais de 2002, o processo de diálogo com os aliados é constante. Na estrutura do governo há um conselho político formado pelos partidos de sustentação. - Luiz Abílio tem seu candidato a prefeito em 2004? - O PSB está como técnico de futebol: tem quatro bons jogadores para escalar para uma só posição. Quer dizer, esta é a situação que todo técnico almeja. - Quando sai a escalação? - Creio que em janeiro ou fevereiro. - O vice da chapa do PSB vem de que partido? - Tudo vai depender dos entendimentos com os aliados. Por enquanto, não existe nada definido, inclusive sobre a chapa majoritária. - O PSB apoiaria candidato a prefeito de outro partido ? - Se as condições políticas indicarem esta perspectiva, sim. - Quem poderia ser este candidato? - Hoje, o PSB tem boas e fortes candidaturas. Os nomes lançados, como do vereador Marcos Vieira, dos deputados federais Givaldo Carimbão e Maurício Quintela e do vice- prefeito Alberto Sexta Feira, têm condições porque representam experiência política e administrativa. - Se o senhor fosse bater o martelo, qual seria o candidato? - Eu não posso bater o martelo. Política não se faz assim , só com emoção. A escolha do nosso candidato deverá ser feita com razão, profissionalismo, competência e consciência. Neste caso, meu coração está dividido em quatro partes. - Como o senhor vê 2006? - Com a possibilidade de continuar com este projeto de desenvolvimento do Estado, que começou com Ronaldo Lessa na prefeitura, em 1993. Acho que é cedo para discutir nomes para 2006. O que a gente precisa é executar nossas promessas de campanha, como estamos fazendo hoje.

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