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CPI da telefonia analisa documentos apreendidos

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MARCOS RODRIGUES A intimação do presidente nacional da Telemar, Ronaldo Iabrudi, já foi publicada no Diário Oficial do Estado, na última sexta-feira. Ele deverá depor no próximo dia 10 de setembro, na Assembléia Legislativa, depois de três adiamentos. Segundo o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), deputado Adalberto Cavalcante (Prona), que investiga irregularidades e falhas no atendimento aos consumidores, se ele não comparecer será procurado em todo o território nacional, inclusive pela Polícia Federal. ?Tomamos esta iniciativa por causa da ausência do presidente a três convocações. Como precisamos de esclarecimentos que só ele pode fornecer, não abriremos mão das prerrogativas da CPI?, explicou o deputado. Sempre que convocado Iabrudi é representado pelo advogado da Telemar em Alagoas, o que vem sendo interpretado pelos parlamentares como um gesto de desrespeito. Ronaldo já chegou a propor que depusesse por intermédio de carta precatória expedida para o Rio de Janeiro, para evitar vir ao Estado, mas não obteve êxito. A principal ação dos parlamentares aconteceu, no último dia 20, quando os deputados, acompanhados de policiais da Radiopatrulha, ocuparam por duas horas a sede administrativa da empresa para apreender documentos e computadores da Telemar. Os objetivos da ação, segundo o relator, deputado Sérgio Toledo (PSB), foram dois. ?Precisávamos de documentos solicitados mediante ofícios, não entregues numa estratégia de ganhar tempo, e mostrar que não estamos para brincadeira?. Análise Todo o material apreendido, depois de recolhido à sede do Poder Legislativo, foi analisado superficialmente. Mas ainda assim foi possível detectar que a empresa, por intermédio dos diretores alagoanos, vinha fornecendo informações a diretores em Salvador. Todos os depoimentos de diretores locais da Telemar, bem como a intervenção dos parlamentares, foram transcritos em forma de relatório. Entre os documentos foi encontrado um comunicado à sede administrativa de Salvador, sobre qual procedimento adotar diante de uma solicitação da Agência Nacional de Telecomunicações ? Anatel. Segundo o documento, vinham sendo solicitados detalhes sobre a atuação da Telemar. Ao invés de fornecer os dados, a empresa, em Alagoas, pedia orientações sobre se fornecia as informações solicitadas ou pedia mais prazo, a fim de que a Telemar ganhasse tempo. Para os deputados, esse dado acabou por revelar que a empresa não obedece nem a Anatel, a agência que regula o setor de telecomunicações no País. Documentos A Telemar, desde que passou a ser investigada, vem sendo cobrada pela ALE para fornecer documentos que apresentem informações sobre a estrutura da empresa, salários dos servidores, lucro obtido, relação e quantidade de grampos telefônicos e lista dos trabalhadores terceirizados. Destes, nenhum foi fornecido aos parlamentares. Somente com a operação de busca e apreensão é que foram encontrados alguns dos dados solicitados. O mais relevante refere-se aos lucros obtidos no ano de 2002. Segundo as planilhas obtidas pelos parlamentares, no ano passado o faturamento foi de R$ 28 milhões. Em 2003, mesmo sem o fechamento dos números o lucro já é superior ao ano anterior e já alcançou a cifra de R$ 33 milhões. Deste valor, pelo menos R$ 9 milhões são usados para pagar pessoal técnico-administrativo. Mas é exatamente no setor pessoal que a empresa vem encolhendo. Em 2000, por exemplo, para 251 mil terminais existiam 225 funcionários. Já em 2002 para 325 mil terminais a Telemar passou a contar com apenas 120 funcionários. Isso, para a CPI, é um dado que ajuda a explicar a queda na qualidade dos serviços da empresa. Essas informações foram encontradas pelos técnicos da ALE que entraram no sistema de informática da empresa, já que duas máquinas: uma com dados técnicos e outra com dados financeiros, foram apreendidas. ?Encontramos parte das informações de que precisávamos. Tudo estava nos computadores. Se a empresa quisesse fornecer os dados era só imprimi-los?, revelou o deputado Adalberto Cavalcante. O trabalho da CPI caminha para o seu final. O fechamento do relatório dependerá das informações fornecidas pelo presidente da empresa.

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