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Política

Tarso Genro defende movimentos sociais

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MARCOS RODRIGUES Os movimentos sociais do País, mesmo com suas últimas ações consideradas impopulares ou radicais, como apontam setores do próprio governo, foram apoiados pelo secretário especial do Conselho de De-senvolvimento Econômico, Tarso Genro. Ele esteve em Alagoas, na semana passada, para abrir o III Fórum de Desenvolvimento Social e Econômico. Segundo Tarso, os movimentos sociais, quando fazem seus protestos e reivindicações, não põem em risco a democracia, ?como afirmam setores da oposição e da mídia?. ?Nós temos de acabar com essa idéia no Brasil de que os movimentos sociais abalam a democracia. Acredito justamente no contrário: são eles que dão vitalidade. Quando aparecem com suas reivindicações, temos um exemplo, justamente, do processo de abertura política. Se não fosse dessa forma, aí sim, deveríamos nos preocupar, porque eles estariam atuando na clandestinidade?, definiu o petista. Porém, mesmo com esta opinião, Tarso enfatizou que ?não significa que o reconhecimento que o PT dá ao MST seja interpretado como apoio a ações que fujam ao controle social e a Ordem Pública?. Legítima Outro reconhecimento do secretário é quanto à legitimidade da pauta de cobranças dos movimentos. Para Tarso, todas as reivindicações partem de um princípio real que, segundo ele, é a ausência, até hoje, de políticas que sanem as necessidades desses segmentos organizados. ?A cobrança é legítima. Mas para coibir qualquer ação que vá além da legalidade, existe o Judiciário. Ou seja, qualquer luta tem que ter como parâmetro para seu desenvolvimento a Constituição?, enfatizou. Confronto Ainda sobre o MST, que em Alagoas vem promovendo ações de interdição de estradas para pedágio, e no Rio Grande do Sul vive a possibilidade de confronto com produtores armados, ele disse que o governo deve agir junto aos dois lados para evitar o confronto. ?O modelo de desenvolvimento defendido pelo governo envolve os dois lados, principalmente porque o País tem uma vocação agrária?, observou. Dentro desta idéia, Tarso afirmou que o governo vem criando mecanismos de negociação e aproximação com os dois lados, a partir de uma pauta ?objetiva? para o País. Contrato Na prática, segundo explicou o secretário, o governo federal pretende, com o Conselho de Desenvolvimento Econômico, discutir a criação de um novo ?Contrato Social?, no qual os trabalhadores tenham tanta participação quando os setores produtivos urbanos e rurais. Esse é o principal ponto de discussão política do governo federal. Segundo Tarso, é o maior desafio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste aspecto, ele acredita que a aliança feita pelo partido e que garantiu a vitória do PT é um sinal da proposta programática que será implementada nos próximos quatro anos. Para ele, o mercado internacional já compreendeu esse projeto, porém o monitora a partir da economia. ?No conselho, nós contamos com representantes de todos os segmentos, inclusive dos sem-terra, e será lá que essa política será amadurecida e ampliada. O esforço agora é para que todos os lados da questão compreendam e participem desta construção?, explicou o secretário, ao mesmo tempo em que admitiu que esse não será um processo fácil. Modelo O contrato que o secretário Tarso pretende construir significa em sua essência criar condições de inclusão e participação de todos os setores da economia, desde os donos dos meios de produção, até os responsáveis por ela. Para isso, ele adiantou que o modelo a ser definido ou tentado no País, com os segmentos empresariais e de trabalhadores, já foi aplicado em países da Europa, a exemplo de Portugal e Espanha. ?O modelo de Contrato Social parte do princípio de que nós temos que redistribuir e gerar desenvolvimento para os demais estados e regiões, a fim de eliminar as diferenças no campo produtivo?, sustentou Tarso. Ele fez questão de esclarecer que, mesmo reconhecendo as experiências internacionais, o processo brasileiro terá suas características próprias e se desenvolverá a partir de toda a complexidade e contradições que existem entre os setores envolvidos. Mas o ponto que ele acredita será consenso é quanto à compreensão de que o País precisa retomar o crescimento comercial, principalmente por causa dos ?olhares? internacionais para as políticas que estão sendo aplicadas nos primeiros meses de governo. Radicais Indagado sobre as contestações do setor radical do PT, que discorda justamente da proposta de composição com os empresários e o Fundo Monetário Internacional (FMI), ele preferiu politizar a discussão. ?A existência e discordância dos radicais já é uma realidade. O fato é como isso será conduzido. Ao que sabemos, eles vão constituir um novo partido que represente seus pensamentos e vão conviver democraticamente?, explicou o petista. Provocado sobre a presença de sua filha, a deputada federal gaúcha Luciana Genro, nos protestos contra a política de juros do governo e suas propostas econômicas, o secretário preferiu se abster de comentários. ?Sobre minha filha, não discuto política. Nossa relação é radical, mas de amor de pai para filha?, definiu. O conselho que preside poderá fazer uma reunião ampliada em Alagoas em novembro. Os detalhes para isso vêm sendo negociados junto ao governo estadual. A idéia, segundo fontes do Palácio Floriano Peixoto, é que o encontro possa reunir, também, o setor produtivo do Estado, a fim de trocar experiências e interagir com as discussões nacionais. Para o Conselho Econômico e seus representantes, a possibilidade de vir ao Nordeste discutir com o setor produtivo também representa um passo na consolidação do que disse o secretário nacional aos empresários alagoanos. ?O Brasil é um só país. Nosso dever é eliminar as distâncias econômicas e descobrir possibilidades de produção conjuntamente?, finalizou Genro.

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