Política
Impacto das redes sociais nas eleições gera discussões
Segundo pesquisa, 45% dos entrevistados disseram ter decidido o voto com base no que estavam acessando
As redes sociais que conectaram milhões de pessoas no país durante a campanha eleitoral interferiram na escolha de muitos candidatos. A informação que circulou ou foi produzida por meio das interconexões estiveram mais próximas das pessoas mais do que a mídia eletrônica tradicional. Quem garante é a pesquisa realizada pelo DataSenado. Segundo levantamento realizado com 2,4 mil pessoas, 79% revelaram que usam as redes para se informar. Deste percentual, 45% atestaram ter decidido o voto tomando por base o que estavam acessando.
Por causa dessa realidade, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desde 2016, passou a ter acesso ao público por meio de sua página e das plataformas digitais. A adesão total do conteúdo para o eleitor só ocorreu em 2018. Isso foi o que aconteceu aqui em Alagoas e no País. Segundo a assessora e porta-voz do TRE, Flávia Gomes de Barros, a mudança foi gradual e planejada com a direção do órgão.
Em 2018 na eleição presidencial também houve uma avalanche de fake news, principalmente as que tentavam desqualificar o trabalho da Justiça Eleitoral”, completou Flávia.A novidade é que diante da repercussão negativa das “fakes” contra quem fazia, mas fundamentalmente para quem disputava a eleição, fez o TSE determinar uma capacitação específica sobre o tema. ”Passamos esse ano nos capacitando para atuar interna e externamente para atuar contra as notícias falsas e, principalmente, a desinformações”.
CONTEÚDO
O cientista político e professor da Ufal Ranulfo Paranhos lembrou que o impacto das mídias e redes e seu poder sobre o processo eleitoral já vinham ocorrendo. Os estudos já indicavam que os enlaces das pessoas por meio delas mudou a maneira de construir um conceito ou percepção. Porém, lembra que parte disso não nasce só na rede, mas em veículos tradicionais que são propagados. “Mas um primeiro ponto que é o seguinte. Redes sociais amplificam ou reverberam o que é produzido pelos canais tradicionais de comunicação”, ressaltou Ranulfo. De acordo com Ranulfo é “simplista” considerar que essa resposta represente de forma real o dado que a pesquisa se propôs a apresentar. “Duvido muito desse resultado. Televisão produz muita coisa e as redes reverberaram. Agora, elas aumentam o acesso. E vai fazer com que mais pessoas tenham acesso a informação. Sob esse ponto de vista elas (as redes) influenciam sim, já que alcançam muita gente em todo o país”, refletiu o cientista.
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FASCÍNIO
As lideranças políticas do Estado não escondem o fascínio, mas também preocupação com o que a rede pode fazer, ao mesmo tempo para o bem ou para o mal.O coordenador da bancada federal de Alagoas, deputado Marx Beltrão (PSD) alertou para o fato das redes sociais serem um fenômeno novo e, ao mesmo tempo, da incapacidade da legislação acompanhar sua velocidade de transformação. “Considero hoje as redes fundamentais na apresentação de propostas, ações e ideias dos candidatos. Agora é necessário que sejam observados e evitados excessos, principalmente quando as redes são usadas infelizmente para caluniar, injuriar ou difamar, e ainda para expor mentiras e fakes news, por exemplo. Acredito que o acompanhamento deve sim ser feito, do mesmo modo como é feito com as demais mídias que são usadas nas eleições”, disse Marx.Ele defendeu que como mídia as redes dos partidos e políticos sejam operadas por especialistas, a fim de garantir qualidade, cuidado e responsabilidade com o que está sendo divulgado.
O processo é irreversível, conforme avalia o deputado federal João Henrique Caldas (PSB). Reconhece que precisa de ajustes, porém a maior responsabilidade recai sobre os políticos e partidos que precisam saber operar a nova realidade. “Esse é um fenômeno vinculado à revolução em curso e considero irreversível. Como todos os aspectos da vida, existem alguns pontos negativos como a velocidade de disseminação de informações falsas. Como toda mudança, alguns ajustes serão necessários para todos: órgãos de fiscalização e controle, partidos, eleitores e candidatos”, considerou JHC.
A transparência, na opinião do senador Rodrigo Cunha (PSDB), é algo que as redes têm de mais positivo. “As redes sociais são um instrumento valioso de comunicação e de informação. No caso da política, funciona também como meio de prestação de contas. Hoje é a forma mais usada para as pessoas se comunicarem e se informarem. Um dos grandes desafios que se colocam hoje são as fake news. Além de desinformar, elas podem rapidamente arruinar a reputação das pessoas, trazendo consigo consequências gravíssimas. Então, eu defendo que haja um controle efetivo para que a internet e as redes sociais não se transformem em ambiente profícuo para a proliferação de mentiras”, disse Cunha.