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ESCÂNDALOS E SILÊNCIO DO GOVERNO RENAN FILHO MARCAM 2019

Operações da Polícia Federal atingiram em cheio a administração estadual, levando para a prisão até assessores do governador

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O governador Renan Filho encerra o seu quinto ano de gestão envolto em acusações de todos os tipos, várias delas no âmbito criminal. Operações realizadas pela Polícia Federal atingiram em cheio o seu governo, levando para a prisão vários assessores dele e funcionários envolvidos em esquemas de desvio de recursos públicos. A primeira vez que a Polícia Federal atingiu o governo foi na Operação Sucupira, desencadeada em 2017. O esquema descoberto envolve a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o Instituto de Tecnologia em Informática e Informação de Alagoas (Itec), a Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal) e a Agência de Modernização da Gestão de Processos (Amgesp). Neste ano, o inferno do governador teve início com a Operação Casmurros, deflagrada pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal em investigação sobre fraudes em contratos de transporte escolar em Alagoas. Foram presos servidores comissionados da Secretaria da Educação, pasta controlada pelo secretário e vice-governador, Luciano Barbosa (MDB), e também o diretor-presidente da Agência de Modernização da Gestão e Processos (Amgesp), Wagner Morais, amigo pessoal do governador e que o acompanha desde a época em que ele era prefeito de Murici. A soma dos valores pagos em decorrência das contratações emergenciais desde janeiro de 2017 alcança um montante de cerca de R$ 110 milhões, dos quais já foram identificados R$ 8,5 milhões de superfaturamento. O prejuízo total estimado aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 21 milhões. Na quarta ação da PF, também em 2019, ele foi acordado e intimado pela Polícia Federal no seu apartamento. Renan Filho é acusado de envolvimento direto no esquema de propina na Lava Jato, depois que delatores reconheceram o seu motorista como intermediário no recebimento de R$ 3 milhões e o seu marqueteiro, Adriano Gehres, como apresentador de notas fraudulentas para viabilizar o fluxo de dinheiro para a campanha de 2014. As informações sobre o envolvimento de Renan no esquema de propina na eleição de 2014 constam de ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Recentemente, seu governo foi abalado por uma outra ação da Polícia Federal, desta feita na Secretaria da Saúde. A filha do vice-governador de Alagoas, Lívia Barbosa, o genro dele, Pedro Silva, e outras 12 pessoas são presas durante a operação Florence Dama da Lâmpada, deflagrada pela Polícia Federal (PF), Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público Federal (MPF) em Maceió e Arapiraca. Todos são citados em processo que investiga fraudes e desvios de R$ 30 milhões na prestação de serviços de órtese, prótese e materiais especiais (OPME) na Secretaria da Saúde do Estado. Foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão. As diretoras do Hospital Geral do Estado (HGE), médica Marta Celeste, e do Hospital de Emergência do Agreste, médica Regiluce Santos Silva, também foram presas. Operações da PF à parte, o ano que se finda mostrou outros problemas sérios na gestão do governador, como devolução de grande somas em recursos federais à União por omissão, possíveis interesses políticos ou mesmo incompetência, causando prejuízos ao Estado, que deixou de contar com a execução de obras importantes, principalmente na área de pavimentação; desvio de finalidade de verbas do Fecoep (fundo de combate à pobreza, que por sinal se alastra em Alagoas); abandono de polos tecnológicos do Estado e das obras do Hemoal em Arapiraca, após gastos de mais de R$ 600 mil; incapacidade para lidar com o crescente número de desempregados e de desocupados no Estado; não cumprimento de promessas de campanha em áreas como saúde e infraestrutura; viagem à China com assessores para tratar de investimentos e regresso da equipe sem êxito, de mãos vazias; e aumento do endividamento de Alagoas, com a aprovação, na Assembleia Legislativa de um novo empréstimo, de quase meio bilhão de reais. Sobre as operações da PF e suas implicações, além das outras acusações, Renan Filho mantém uma de suas principais características quando se vê acossado: cala-se. Ele e os secretários dos órgãos alvos das denúncias continuam num silêncio sepulcral. A Gazeta encaminhou perguntas e abriu espaço para explicações, mas nenhum deles, até então, procurou (ou pelo menos tentou) se defender. Todos ficaram mudos sobre as denúncias. Nos bastidores do poder, a informação é de que o marqueteiro do governador, Adriano Gehres, considerado o guru encarregado de zelar por sua imagem, recomendou que Renan Filho adotasse a “tática do avestruz”, que é a de esconder a cabeça no buraco quando se vê diante de um perigo. Os “malfeitos” e a incapacidade de administrar o Estado demonstrada por Renan Filho, entretanto, têm seu preço. A queda de prestígio é um exemplo. Pesquisa realizada pelo site Congresso em Foco mostra que seis governadores de partidos de oposição ao presidente Jair Bolsonaro são os mais bem avaliados pela cúpula do Congresso. Desses, cinco são do Nordeste, mas o governador Renan Filho (MDB) ficou fora da lista, apesar de seu governo alardear que o Estado se encontra em situação financeira mais confortável por causa do ajuste fiscal realizado. Apesar da propaganda oficial sobre os supostos avanços do Estado na atual gestão, o jornal Folha de S. Paulo e o instituto Datafolha revelaram que Alagoas está na “zona de rebaixamento” da qualidade dos gastos públicos entre os estados brasileiros.

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