Política
GOVERNADORES DO NE SE DISTANCIAM DA POLÍTICA EXTERNA DE BOLSONARO
Por meio de consórcio, gestores buscam parcerias com grandes empresas chinesas de tecnologia
O ano de 2020 deve ser marcado por um maior distanciamento dos governadores do Nordeste com relação a política externa adotada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). E um dos principais pontos envolve a implantação da tecnologia 5G no País e a gigante mundial da área, a chinesa Huawei, que deve fornecer equipamentos do sistema para a região.
Neste primeiro ano de governo, Bolsonaro já deixou claro seu alinhamento com os EUA do presidente Donaldo Trump e inclusive acenou favoravelmente a política do americano, que quer barrar o crescimento da Huawei pelo mundo, sob a alegação de que a empresa forneceria dados de usuários para o governo o Chinês. Uma das medidas foi impedir que fábricas americanas façam negócios com a empresa chinesa. A decisão, entre outras posições adotadas pelo presidente americano, tem provocado um novo embate geopolítico com consequências mundiais.
Após pressão de Trump, no passado, Bolsonaro chegou a receber o presidente da empresa americana AT&T Randal Stepherson, que demonstrou interesse em adquirir a empresa OI, mas sob a condição do Congresso aprovar um novo marco regulatório das telecomunicações, como forma de barrar a aquisição da tecnologia 5G chinesa no Brasil. Dias depois, conforme destacado na imprensa nacional, o vice-secretário assistente de Estado dos EUA, Roberto L. Strayer, foi ainda mais adiante e declarou que “caso o Brasil inclua empresas chinesas de tecnologia como a Huawey em sua rede 5G, os EUA podem reavaliar o compartilhamento de informações que mantêm com o País”.
Ontem, o presidente da Huawei, Liang Hu, chegou a conceder entrevista a DW, para assegurar, segundo ele declarou, que a Pequim nunca exigiu o fornecimento de dados.
A empresa é líder global em tecnologia de internet de quinta geração (5G), que poderá ser utilizada para a chamada “internet das coisas”, que inclui desde carros automatizados, fábricas e até mesmo cidades inteligentes. A chinesa também é a maior fornecedora mundial de infraestrutura para essas redes e é neste ponto que os governadores do Nordeste, reunidos no Consórcio Nordeste, já estão bem a frente em entendimentos para a implantação do serviço na região.
Por meio do projeto Conecta Nordeste, os gestores nordestinos, através de projetos de privatização com a participação de grandes empresas chinesas, entre as quais a Huawei, pretendem instalar uma rede de fibra ótica em toda a região. As ações envolvem ainda uma rede de logística com ferrovias, gasodutos e empresas de energia.
O Consórcio Nordeste, que tem como lema, “O Brasil que cresce unido”, foi criado em agosto do ano passado, após Jair Bolsonaro ter atacado governadores da região, principalmente gestores alinhados e de partidos de esquerda – a região conta com 7 governadores de partidos de centro-esquerda com destaque para Flávio Dino (PCdoB) do Maranhão e Rui Costa (PT) da Bahia, este último presidente do consórcio. Ambos têm o nome cogitados como prováveis candidatos a presidente da República em 2022 . E este ano de 2020 deve acontecer no Brasil, pelo governo federal, a licitação para o fornecimento do 5G no País.
Com 55 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE, a região também atrai interesse econômico das empresas Chinesas, que já se instala em diversos estados, inclusive em Alagoas. Desde 2015 que a empresa ZTT se instalou no polo de Marechal Deodoro para a produção de cabos de fibra ótica. Em 2019, a fabricantesde embalagens GS Park confirmou investimentos de R$ 187 milhões, para instalação e abertura de uma unidade no Estado. Em estados como a Bahia e Pernambuco, equipamentos de monitoramento facial já funciona há vários anos no controle de frequência de alunos em escolas públicas e nos aeroportos de Salvador e Recife também já contam com sistema de reconhecimento facial fabricado pela Huawei. O temor dos americanos é que o sistema 5G da gigante chinesa possa ser explorado pelas autoridades chinesas para espionagem global, ao exigir acesso ou interferir nos dados da empresa de tecnologia. Na China, o governo já utiliza tecnologia de vigilância maciça dos cidadãos, sistemas de censura e controle sobre todos os aspectos da vida pública.