Política
D�vidas sobre expuls�o de senadora racha PT alagoano
MARCOS RODRIGUES O Partido dos Trabalhadores, em Alagoas, segue rachado rumo às eleições de 2004. Enquanto não define a situação da senadora Heloísa Helena, setores de centro esquerda já definiram que não aceitarão, em consenso, o nome do deputado Paulo Fernando dos Santos, atual presidente estadual. O foco dessa desistência foi demonstrado, há duas semanas, com a escolha do nome da médica Ângela Lopes para disputar as prévias (eleições internas). Ela surge como alternativa à desistência do também médico cardiologista, Aliomar Lins, ex-vereador, que saiu da disputa por não concordar com a política de alianças da direção nacional do partido e posição vacilante do PT de Alagoas. Ele pregava uma candidatura de consenso e contrariava a própria família, que não o quer de volta aos palanques. ?Não concordo com o novo discurso do PT nacional diante das reformas. Saio da disputa para ser mero eleitor. Não me engajarei em campanha de ninguém?, garante. Mas se Heloísa for candidata, o médico já declarou seu apoio à senadora. A possibilidade de o nome de Ângela decolar está associada à conjuntura nacional. Se Heloísa realmente for impedida de participar da disputa pelo PT, poderá contar com apoio dos setores do partido que ainda apoiam o nome da senadora. É uma tarefa difícil, mas pode contar com a confusão de nomes e o centralismo defendido pela tendência Articulação Unidade na Luta. A tendência age de forma hegemônica no Estado e em vários municípios. Ideologicamente se afina com a chamada ?direita? do partido, identificada com José Genoíno, Antônio Palloci, Luiz Inácio Lula da Silva, e, em Alagoas, Paulão. Tendências Essas correntes participam de todos os atos convocados pela CUT em protesto às reformas. O PT vem sendo sacudido por uma crise de identidade. Isso porque algumas tendências já não agem de forma homogênea. O problema se acentuou com as indicações de cargos federais. Nos bastidores do PT já circula a informação de que Heloísa não será a candidata pelo partido, em Maceió. A própria sente sua expulsão como algo inevitável, tanto que ela pede apenas para que definam logo sua permanência ou não. A senadora teme que fique impedida de disputar o pleito, não só pelo PT, mas por qualquer partido. O prazo final para definição partidária no Tribunal Superior Eleitoral é 30 de setembro. ?Não vou sair do PT. Espero que não tenham requintes de crueldade e deixem para me expulsar em outubro?, disse, confirmando a tese do próprio PT, de que quer sair como vítima, mas também não quer ficar fora da disputa. Heloísa começou a fazer política no PCdoB. Em 90, filiou-se ao PT, onde se elegeu vice-prefeita (96) de Ronaldo Lessa. Em 2000, foi eleita deputada. Nas últimas eleições, entrou em desgraça com a cúpula petista, por não concordar com as alianças no Estado, que incluíam o PL.