Política
RUI DIZ QUE, SE DEPENDER DELE, NÃO HAVERÁ REAJUSTE DA PASSAGEM
Para prefeito, tarifa é alta e empresas não vêm cumprindo o que determina o contrato de concessão
O Prefeito Rui Palmeira (PSDB) anunciou, nessa sexta-feira (10), que não pretende aprovar o reajuste da passagem de ônibus em Maceió. Para ele, o valor é alto e as empresas não vêm cumprido o que tem no contrato, a exemplo da renovação da frota.
A informação do prefeito foi passada durante a assinatura de um contrato de prestação de serviços de transporte escolar para alunos da rede municipal. O contrato compreende a locação de 84 ônibus e 27 vans.
"É bom lembrar que, em 2019, não houve reajuste da passagem. O MP convocou uma reunião com a SMTT [Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito] e Arser [Agência Municipal de Regulação de Serviços Delegados] e, após esse encontro, chegou à prefeitura um documento recomendando o reajuste. Obviamente quando chega isso, tendemos a cumprir, mas, no momento em que se tornou público, o próprio MP voltou atrás e ficou de reavaliar o documento", disse Rui, que aguarda um posicionamento do órgão.
Na oportunidade, o prefeito ainda informou que o valor imposto é alto. "É preço grande e, claro, sabemos que a prestação de serviço não é adequada. Ano passado já cheguei a anunciar que não daria o reajuste para empresas, pois as mesmas não estavam cumprido os contratos".
O prefeito de Maceió ainda faz outra crítica. "As empresas não renovaram a frota como deveriam. Em 2015/2016, foram 120 ônibus novos e, de lá pra cá, nada mais. Sendo assim, se não tiver entendimento do MP, não vou considerar o reajuste".
MP DIZ SER DESFAVORÁVEL
A aprovação do novo valor do reajuste da passagem de ônibus em Maceió foi alvo de discussão em uma reunião convocada pelo Ministério Público Estadual (MPE), na manhã da terça-feira (7), na sede do Centro de Apoio Operacional (Caop), situado no bairro do Farol. Os promotores presentes ao encontro atestaram que a tarifa proposta seria desfavorável à população, que não pode ser acometida pelo "desequilíbrio financeiro das empresas de ônibus em virtude da perda de usuários do transporte público". Na reunião, o promotor Jorge Dória informou que a questão envolvendo o transporte vai além do valor proposto pelo conselho de trânsito. Em sua visão, o órgão ministerial encara o assunto com "absoluta prioridade", entendendo ser necessária uma melhoria efetiva em todo o sistema. "É preciso estabelecer prioridades e encarar o transporte público como um serviço essencial à população", salientou. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió (Sinturb), representado por Fernanda Paiva, a tarifa de remuneração encontra-se deficitária. Na oportunidade, ela defendeu que, desde 2018, não há reajuste na tarifa de remuneração e, consequentemente, na tarifa pública. "Maceió é a capital do Nordeste que mais concede gratuidades em comparação com outras capitais da região", afirmou.