Política
OPERAÇÃO FLORENCE COMPLETA UM MÊS COM SILÊNCIO DO GOVERNO
MPF prepara ações para serem apresentadas à Justiça Federal contra os acusados de fraudes e desvios na Sesau
Fraude em licitações, propina paga a servidores, formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro, desvios estimados em R$ 30 milhões e como saldo 16 pessoas presas. Esses crimes fazem parte dos primeiros resultados da operação “Florence – Dama da Lâmpada”, realizada pela Polícia Federal (PF), Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público Federal (MPF), que descobriu um esquema criminoso na Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). Mesmo diante de tantas evidências e após um mês do acontecimento, completado neste sábado, 11 de janeiro, o governador Renan Filho (MDB) sequer teceu comentário sobre o assunto e mantém silêncio como se nada tivesse ocorrido em sua gestão. Mas o MPF prepara ações, para serem apresentadas à Justiça Federal contra os acusados.
Na lista de pessoas envolvidas, conforme destacado pelo inquérito policial e as investigações em andamento, estão a filha do vice-governador Luciano Barbosa (MDB), a cirurgiã-dentista Lívia Barbosa, a diretora do Hospital Geral do Estado (HGE), Marta Celeste Silva de Oliveira e do Hospital de Emergência do Agreste, a médica Regiluce Santos Silva, cunhada do deputado estadual Ricardo Nezinho (MDB) e o também médico Gustavo Francisco Vasconcelos do Nascimento, este último diretor de ortopedia do HGE e proprietário do Instituto de Ortopedia de Alagoas (Iortal), responsável pelo fornecimento de Órtese, Prótese e Materiais Especiais (OPME) à Sesau e, segundo as investigações, um dos principais envolvidos no esquema criminoso, que abrangeu ainda a empresa LP Ortopedia, pertencente a filha de Luciano Barbosa e do marido dela, Pedro Margallo.
Todos os 16 envolvidos chegaram a ser presos durante a operação, mas, até esta última semana, apenas Gustavo Vasconcelos, que também é amigo do deputado Ricardo Nezinho, permanecia recolhido no complexo penitenciário, em Maceió, assim como a sócia dele, Luciane Araújo. O caso agora corre em segredo de Justiça.
Diante de tantas evidências, as quais o governo Renan Filho tem ignorado por completo, o MPF, que segue junto com a PF na apuração e nos desdobramentos da operação, deve preparar o resultado das investigações, para apresentar denúncias à Justiça Federal.
“[O] MPF em Alagoas esclarece que a Operação Florence continua em fase de investigação, após a qual serão ajuizadas as ações pertinentes na Justiça Federal. Algumas medidas investigativas foram adotadas, que ainda estão pendentes de resultado, apenas após a análise destas e de outras informações é que haverá, ou não, novos desdobramentos nesta fase”, informa a assessoria de comunicação do órgão ministerial.
Sobre a possibilidade dos acusados ou parte deles vir a ser julgado pelos crimes apontados, o MPF adianta que, no momento, “não há previsão de julgamentos porque ainda não está na fase judicial”.
“O esquema de corrupção foi executado com a criação de duas empresas, IORTAl e Arafix [ambas ligadas ao Gustavo Nascimento] que, sem licitação e até mesmo sem contrato, prestavam serviços para o HGE e o Hospital Dr. Daniel Houly, em Arapiraca”, consta nas declarações do procurador do MPF, Marcelo Jatobá.
De acordo com as provas que constam no inquérito apresentado ao juiz da 4ª Vara Federal em Alagoas, Sebastião Vasques de Moraes, servidores públicos recebiam propina de R$ 3 mil mensal dentro do esquema, para fazerem vistas grossas às irregularidades.
Na ocasião em que havia determinado a prisão dos acusados, o magistrado determinou sequestro de bens, busca e apreensão de todos os envolvidos e o afastamos dos mesmos das funções que exercem junto ao poder público.